Inter: por que a ideia de Zago não teve sucesso?

Certa vez, em meio a um debate, perguntaram ao ex-lateral Júnior, que teve boa passagem pelo futebol italiano, por que o jogador argentino tinha mais facilidade para se adaptar ao padrão dos times europeus do que o brasileiro.

– Porque os brasileiros têm dificuldade para cumprir função tática – resumiu Júnior. – Em dez minutos de jogo, ele já esqueceu o que foi combinado no vestiário. O argentino, não, ele vai até o fim.

Torcedores que foram ao Beira-Rio no sábado ou que assistiram ao confronto com o ABC pela televisão tiveram uma demonstração prática do que isso significa.

Antônio Carlos Zago escalou três atacantes, motivado pela estreia de Pottker, e a exemplo da própria torcida, esperava ver o time chegar a uma vitória tranquila.

O Inter teve bem mais chances de gol, é verdade, abusou de perder chances, mas desde os primeiros minutos da partida ficou evidente que alguma coisa não funcionava no meio-campo. Com poucos jogadores no meio, o time simplificava muitas vezes, abusando dos cruzamentos, porque faltava organização.

A decepção foi tão que no fim a torcida protestou, vaiou e pediu a demissão do técnico. Não perdoou o fato de ele não ter percebido os problemas a tempo.

E por que deu errado? Porque na maior parte do tempo os atacantes não conseguiam fazer a chamada recomposição.

Há vários casos bem-sucedidos de times que jogam com três atacantes no futebol mundial, sem prejuízos para o trabalho de meio-campo, sem fragilização do sistema defensivo e sem que os ataques fiquem prejudicados. É a tal da consciência tática – ou cultura tática, como definiu Falcão anos atrás.

Por isso, é praticamente certo que Zago vai desistir da ideia já no jogo de sábado, contra o Paysandu. Ele sabe que não pode arriscar no campeonato mais importante do Inter na temporada.

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Renato e o ponto de equilíbrio do Grêmio

O grande mérito de Renato foi perceber, rapidamente, por que o futebol do Grêmio sofreu uma queda no final do Gauchão. Viu o problema e encontrou a solução – e hoje, o time volta a ser destaque com três vitórias importantes em sequência (Fluminense pela Copa do Brasil, Botafogo e Atlético-PR pelo Brasileirão).

O que Renato (além de torcedores e analistas) percebeu?

A mudança de função do múltiplo Ramiro, ao deixar o lado direito da linha de meio-campo e ocupar uma das posições de volante, prejudicou seriamente a movimentação do time e a intensidade da troca de passes. Ficou um vazio pelo lado direito, abalou o futebol de Luan e deixou o time sem a força de antes.

O que Renato fez?

Fez Ramiro voltar a seu lugar preferido e convenceu-se a escalar a jovem revelação Arthur em uma das funções do meio-campo. Pronto, o ritmo voltou a ser intenso, o meio melhorou e o time passou a ser jogadas fortes pela direita. Os dois gols da vitória sobre o Atlético-PR saíram assim: no primeiro, um toque de Ramiro, por trás da linha defensiva, para o meio da área, e no segundo, cruzamento do jogador para a conclusão de Barrios.

Ramiro é a grande contribuição de Renato para o Grêmio. É um jogador que preenche o espaço pela direita e, como tem uma capacidade física superior, ajuda na defesa, preenche espaços no meio e por vezes funciona como um atacante terminal.

 

 

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O camaleão e a mosca

Da série Vídeos para começar bem o dia: curta-metragem de animação mostra a disputa (desigual) entre um camaleão e um inseto. Tudo parecia pronto para uma boa refeição, mas havia um limite desconhecido.

Confira:

 

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Da série ‘Perguntar não ofende’

Questão sugerida por um leitor catarinense, torcedor do Grêmio: o que o zagueiro Pedro Geromel, 30 anos, ainda precisa fazer, além de ser sempre um dos melhores jogadores do time em todos os jogos, para ser notado pelo técnico Tite e convocado para a Seleção Brasileira, ao menos para amistosos como os de junho na Austrália?

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Empate confirma que o Inter tem um esquema preferencial

Os dois primeiros jogos do Inter na Série B mostraram, claramente, que o time se habituou de tal maneira a um esquema (aquele com o losango no meio-campo) que tem sérias dificuldades sempre que o técnico faz alguma alteração.

Na primeira rodada, em Londrina, com o esquema que mais deu resultados no time na atual temporada (um volante, dois outros à frente, D’Alessandro mais adiantado), o Inter dominou e venceu com facilidade por 3 a 0. Poderia ter marcado mais de tantas chances criadas, especialmente no segundo tempo.

Na segunda, diante de 27 mil torcedores no Beira-Rio, Antônio Carlos decidiu lançar o estreante William Pottker, mantendo os outros dois atacantes, contra o ABC. Aparentemente, um sistema ofensivo, que não teria dificuldades para confirmar a segunda vitória do time.

Não foi assim, como torcida e observadores viram. O meio não teve a imposição de outros momentos e o ataque, apesar das chances criadas, mostrou dificuldades de movimentação. Para piorar, o técnico errou nas substituições e não corrigiu o problema que todos viam.

Assim, o mais provável é que a ideia dos três atacantes passe a ser uma opção para ser utilizada durante os jogos. Contra o Paysandu, no próximo sábado, Antônio Carlos deve voltar ao padrão habitual, até porque no futebol brasileiro os atacantes têm sérias dificuldades para recompor e fechar os espaços no meio.

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Três questões para Renato

Renato não viu apenas outra grande atuação em uma das boas sequências do Grêmio na temporada. Ficou satisfeito também por constatar a fase superior de alguns jogadores (Ramiro, por exemplo), a confirmação do jovem Arthur, a segurança da defesa e, principalmente, o retorno de Luan a ocupar um lugar de destaque na equipe. Foi o que ocorreu na Arena da Baixada, na tarde de domingo.

Foi também a tarde da expulsão de Marcelo Grohe, depois de várias advertências do árbitro Marcelo Aparecido de Souza e de um cartão amarelo. Mas, ao contrário de situações anteriores, desta vez Renato concordou com as decisões. Não apenas isso. Ele também fez questão de entrar em campo, no fim, e cumprimentar o árbitro, como revelou na entrevista ainda em Curitiba:

O árbitro e a expulsão de Marcelo Grohe

– Achei justa a expulsão do Marcelo. Ele exagerou um pouco, já tinha sido advertido. No fim, eu fiz questão de cumprimentar o árbitro pela atuação dele. Foi muito bem, inclusive na expulsão. Já conversei com ele. Não gosto deste tipo de jogo (além de retardar o jogo, Marcelo Grohe simulou lesão em choque com Grafite quando já tinha o amarelo). Gosto do futebol jogado.

A grande atuação da equipe

– A equipe toda esteve muito bem. O grêmio é isso. Independentemente de onde jogar, temos que buscar a vitória. Não é fácil enfrentar o Atlético na sua casa, com uma torcida entusiasmada e um grande treinador, que eu admiro muito. Muita gente vai deixar ponto aqui dentro. Fica difícil destacar este ou aquele jogador. Todo mundo foi bem. O Ramiro é um motorzinho da equipe, sempre tem este rendimento, mas gosto de destacar o grupo, o futebol coletivo. O Grêmio esteve em um dia maravilhoso, não deixou o adversário jogar.

O calendário desgastante

– Já vou avisar vocês: daqui a pouco, vou escalar uma equipe completamente diferente desta porque o desgaste é muito grande. Grêmio e Atlético estão envolvidos em várias competições. Ninguém aguenta. Viagens, treinos, hoteis, jogos, é desgastante. O jogador é um ser humano. Há outros times reclamando disso. Chega um momento em que é preciso poupar para não ter quatro, cinco jogadores machucados de novo.

 

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Dica de segunda-feira

É uma daquelas raridades que aparecem em salas fora do circuito comercial ou nos serviços pagos. Lida Baarová, filme tcheco, é assim. A partir da personagem já com idade avançada, mas bem lúcida, o filme conta a história da atriz que ganhou fama, foi contratada por um estúdio alemão nos anos 30, repetiu o sucesso e acabou despertando a atenção de Joseph Goebbles, o homem da propaganda nazista, poderoso auxiliar de Hitler. Lida (nome artístico de Ludmila Baklová, 1914 – 2000) vira amante de Goebbles, apesar de saber dos crimes do regime. Ficou acima do bem e do mal até a hora do rompimento e das responsabilizações. Para quem gosta de história, é um filme imperdível. Está na Netflix.

Vejam o trailer:

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