Na noite especial de D’Alessandro, vitória do Inter

Foi a noite de D’Alessandro – e que noite.

Num momento de crise do time, com demissão de técnica e eliminações traumáticas, no fim de um feriadão, 36.529 torcedores foram ao Beira-Rio. Exclusivamente por ele, para ver a última partida de um ídolo que encerrou a carreira aos 41 anos, com 529 jogos desde que chegou a Porto Alegre. E viram 76 minutos de um ídolo emocionado em campo. Viram mais. Viram D’Alessandro mostrar por que sempre foi um jogador diferenciado. Ele agitou o time, deu técnica aos passes e, se não fosse suficiente, ainda marcou o primeiro gol, em um momento difícil do time em campo, e do banco de reservas vibrou com o gol de Alemão, que garantiu a vitória de 2 a 1 sobre o Fortaleza.

D’Alessandro termina com 97 gols nos tempos de Inter, 28 deles na nova fase do Beira-Rio. Teve títulos, teve briga, teve entusiasmo e teve liderança de grupo. No fim, chorou abraçado a Taison, foi cumprimentado por parceiros e adversários, e pelo árbitro ao ser substituído aos 25 minutos do segundo tempo. Quando o jogo terminou, recebeu a homenagem do grupo, dos torcedores que não deixaram a arquibancada, recebeu toda a família no centro do campo e assistiu às imagens no telão, com texto especial feito pelo poeta Fabrício Carpinejar.

Em campo, foi o D’Alessandro que a torcida aprendeu a idolatrar.

Deu movimentação à equipe e a energia que andava em falta nos jogos da temporada. Tanto que no segundo tempo, mesmo sem ele, o time seguiu jogando com força e energia, como se quisesse dar ao ídolo que se despedia uma vitória para marcar o início da aposentadoria.

No primeiro jogo sem o técnico Cacique Medina, demitido na sexta-feira, o Inter foi dirigido pelo auxiliar Cauan de Almeida. Ele escalou um time sem improvisações. Deu a Rodrigo Moledo a posição de titular – e o zagueiro foi um dos melhores em campo. Num dia sem Taison e Edenílson, escalou D’Alessandro desde o início, para que o ídolo tivesse participação ativa no jogo de sua despedida. Maurício completou o meio.

No início, o Inter teve dificuldades diante de um adversário bem entrosado, com bom toque de bola. Moisés quase marcou aos 17 minutos, Maurício quase marcou aos 35, mas foi pouco além disso. D’Alessandro correu por todo o campo, tentou tocar de primeira, liderou, reclamou e recebeu cartão amarelo, buscou de todas as maneiras levar sua equipe a um bom resultado.

Aos 50 minutos, um abalo na festa: Johnny cometeu pênalti na cobrança de um escanteio. O árbitro conferiu no vídeo e confirmou a falta. Pikachu bateu bem, deslocando Daniel e fazendo 1 a 0.

Aí, veio o momento destinado aos predestinados.

Na saída de bola, o Inter atacou pela direita, a bola sobrou a D’Alessandro, que passou entre dois marcadores, para melhorar o ângulo, e chutou forte, de pé esquerdo. A goleiro ainda bateu na bola, mas sem conseguir que ela chegasse à rede. Um a um aos 51 minutos, gol do homem que se despedia, loucura no estádio. Um gol fundamental para evitar que o time fosse para o intervalo com desvantagem.

O Inter voltou para o segundo tempo com Bruno Mendez em lugar de Mercado, que tinha recebido cartão amarelo.

Novo susto aos seis minutos, quando Renê fez falta na área. Pênalti. Pikachu bateu rasteiro e acertou a trave. O Inter mantinha o empate.

Animado, o Inter passou a dominar, forçou o Fortaleza a recuar e passou a tirar proveito do desgaste físico do adversário, que vem de sequência complicada por três competições (Libertadores, Brasileirão e Estadual). O time cearense passou a apostar apenas nos contra-ataques.

Aos 25 minutos, D’Alessandro cedeu seu lugar a Boschilia. Passou a faixa de capitão a Moledo e não conseguiu controlar o choro. Na caminhada rumo ao banco de reservas, foi abraçado por companheiros, advcrsários do Fortaleza e o árbitro. Acenou para a torcida, acomodou-se no banco e passou a torcer.

Neste momento, o time tinha muito de entusiasmo e pouco de organização. Passou a buscar a virada com força, em chutes de Boschilia, na falta em que De Pena quase fez gol, na tentativa de Alemão. O jogo se encaminhava para o empate quando Boschilia atacou, tocou rasteiro para o meio, Alemão entrou sem marcação e tocou rasteiro na saída do goleiro. Dois a um, uma vitória para o ídolo D’Alessandro.

Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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