Para conhecer o inferno chamado Hiroshima e Nagasaki

Meu amigo Nilson Souza citou o livro Hiroshima em sua coluna de quinta-feira, em Zero Hora, ao falar sobre as duas bombas atômicas lançadas sobre duas cidades japonesas, em 1945, no fim da Segunda Guerra. As explosões foram lembradas neste início de agosto. Uma explodiu em Hiroshima, dia 6. A outra em Nagasaki, dia 9.

Hiroshima, de John Hersey, é o chamado livro indispensável, um dos melhores que já li, sobre a destruição das duas cidades, com mais de 250 mortos – sem contar aí as vítimas por sequelas nos anos seguintes. É um livro comovente e devastador, que já recomendei aqui no blog tempos atrás.

Hersey visitou as cidades um ano apenas depois das explosões. Conversou com pessoas que sobreviveram, viu as sequelas de perto e com a competência dos grandes repórteres recuperou toda a história, como se estivesse presente naquele agosto de 1945, a partir da manhã em que a primeira bomba foi lançada pelo Enola Gay.

O texto foi tão devastador que os editores decidiram ocupar toda a edição da New Yorker com apenas a reportagem de John Hersey. Foi a primeira vez na história que um único texto ocupou todas as páginas da revista. Nada tinha tanta importância que pudesse dividir o espaço com a reportagem de Hersey.

É um livro fundamental para se conhecer o que houve com as explosões e o terror que se seguiu a elas. São trechos assim:

“(…) Era a única pessoa que se dirigia para a cidade e no trajeto encontrou centenas e centenas de fugitivos, todos feridos. Alguns tinham as sobrancelhas queimadas e pedaços de pele soltos, pendendo das faces e das mãos. Outros, zonzos de dor, erguiam os braços, como se carregassem alguma coisa com as duas mãos. Alguns vomitavam, sem parar de andar. Muitos estavam nus ou envoltos em farrapos. Em alguns corpos despidos as queimaduras acompanhavam o contorno das camisetas e suspensórios e, na pele de algumas mulheres, o das flores dos quimonos (o branco repeliu o calor da bomba, enquanto as roupas escuras o absorveram e o conduziram para a pele). Muitos feridos apoiavam parentes que se achavam em condições piores. Quase todos caminhavam de cabeça baixa, olhando para a frente, em silêncio, absolutamente inexpressivos (…)”

Leiam o livro e façam uma viagem pelo inferno que o ser humano é capaz de produzir.

 

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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Uma resposta para Para conhecer o inferno chamado Hiroshima e Nagasaki

  1. Ricardo - DF disse:

    Um genocídio, só que perpetrado pelos vencedores. Aí, fica por isso mesmo. Precisava matar 250 mil pessoas ?! Destruir 2 cidades ? Não poderia lançar em área desabitada para demonstrar o poder destrutivo, antes de massacrar inocentes ?

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