A dura vida dos jovens brasileiros

A última pesquisa do IBGE trouxe um dado inquietante e assustador sobre o país.

O número de jovens de 16 a 29 anos que não estudam nem trabalham chegou a 25,8% do total de 11,6 milhões de pessoas incluídas na etária, um acréscimo de 3% em relação a 2012.

De cada dois jovens com mais de 16 anos, dois estão desempregados – e fora da escola.

É grave porque é exatamente esta faixa da população que se desenvolve para assumir o controle do país. Sem eles, o futuro fica comprometido.

O pior é que nada indica que vá melhorar. Por alguns sinais:

– As fundações de pesquisa estão sendo fechadas ou ficando com verbas reduzidas

– Sem perspectivas, pesquisadores jovens deixam o país para trabalhar em lugares com mais apoio. É a fuga de cérebros.

– Universidades federais, apesar de toda a competência, são castigadas por redução de financiamentos. Muitas têm de administrar carências. Outras, vivem sob risco de fechar.

– Entidades privadas, já de olho nas mudanças da legislação trabalhista, andam demitindo como nunca nas últimas semanas, o que abala a qualidade do ensino e reduz ainda mais as opções dos jovens.

– As particulares que se mantêm são geralmente muito caras. Como o governo alterou o financiamento estudantil e o processo ficou mais difícil, estudantes desistem e a crise se amplia.

– Para completar, já há gente defendendo o fim do ensino gratuito, o que transformaria a crise em catástrofe.

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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35 respostas para A dura vida dos jovens brasileiros

  1. Henrique disse:

    Ahhh que bom seria se as causas dos problemas fossem apenas as apontadas…

    • Rafael disse:

      É a reclamação do adolescente que teve a mesada reduzida. Não tem ideia nem se preocupa com as reais causas da crise que atinge sua família.

      • Fifaldino disse:

        Pode ser também a indiferença de quem já tá coma a vida ganha de tanta “mesada” que ganhou e agora tá se lixando para os que vieram depois dele. Né?

      • Henrique disse:

        Isso é uma verdade, Fifaldino. Eu sou formado em uma faculdade pública e, no entanto, gostaria que os ricos pagassem pelos estudos lá. Sou de origem pobre e nunca vi tanto rico junto.

      • Fifaldino disse:

        Melhor do que SUCATEAR as universidades públicas seria criarem mecanismos que possibilitem que elas sejam frequentadas (pelo menos majoritariamente) por quem realmente não pode pagar. É ou não é???

      • Rafael disse:

        Outro problema é o custo. Com o que custa um aluno em universidade pública é possível formar de 4 a 5 alunos em universidade privada. É uma diferença brutal e incontornável na atual concepção que preside a gestão das universidades públicas, de descontrole de gastos e desvios de recursos.
        Compensa muito mais ao estado prover bolsas em escolas privadas aos necessitados do que manter estruturas ineficientes e aparelhadas politicamente, caso das universidades públicas.

      • Fifaldino disse:

        Pena que a maioria das universidades privadas sejam instituições picaretas da pior espécie. Tipo “empreiteiras do ensino”. Tem certeza que é isso mesmo que tu queres (pra ti e para os teus)??? GLUP!!

      • Rafael disse:

        Picaretagem é a escola pública custar 5 vezes mais do que a privada sem correspondência em qualidade. Não há justificativa para tal descalabro.

      • Fifaldino disse:

        Até concordo….. mas o que te faz pensar que os nossos governos/administradores vão ficar mais honestos só porque estarão pagando para instituições privadas???? Essa resposta eu gostaria de ter….

      • Henrique disse:

        Bom, aí eu discordo, Fifaldino. Cotas sociais, pra mim, é uma medida paliativa e não deveria ser para maioria das vagas. Acho justo que o rico pague pelo seu ensino na faculdade pública (apesar de já pagá-lo indiretamente através de impostos).

      • Fifaldino disse:

        Bom…. mas imposto é coisa que TODO MUNDO paga. Até mendigo paga imposto. Se bobear, paga (proporcionalmente) até mais do que os ricos.

        Agora…. a ideia de SOCIEDADE é justamente a de quem tem mais “ajudar” quem tem menos e assim termos um mundo melhor para todos. Se o cidadão tem condições de pagar sua faculdade, que pague, pombas!!! Será que não podem não ser mesquinhos só uma vez na vida?? Que mundo de werda mesmo. Tá loco!!

      • Rafael disse:

        Resumidamente, o sistema de voucher, usado com sucesso em vários países, pode ser aplicado em qualquer nível de ensino, do fundamental ao superior. O estado fornece um determinado valor à família, na forma de bolsa de estudos, que escolherá a escola mais adequada às suas necessidades. A concorrência entre escolas fará com que disputem esses alunos, obrigando-as a apresentar altos níveis de qualidade.

      • Fifaldino disse:

        Ou…. como todos sabem que os governos são PÉSSIMOS pagadores. Os valores cobrados dos portadores de vouchers serão quintuplicados, pois nenhum grupo privado vai fornecer ensino de graça. Aliás, foi assim que nasceu a cultura/industria do superfaturamento. Tá cheio de exemplos por aí. É só olhar…..

      • Prezado Rafael:

        Apesar de todo o sucateamento as universidades públicas brasileiras são as que apresentam os melhores resultados em diversos exames aplicados, comprovando que, ao contrário da sua afirmação, são as melhores instituições de ensino superior do país. Por outro lado, as tais “vouchers” que você mencionou tem sido alvo de muitas críticas e e, principalmente, autocríticas. A educação sueca despencou após a privatização e isso é reconhecido até por políticos de direita de lá.

        A sua proposta de subsídio estatal do ensino privado (que já acontece em larga escala no nosso país) seria muito bem recebida por pilantras como Gilmar Mendes. Mas peço que ao menos busque informar-se antes de sair tentando convencer os outros de que a sua ideologia é a melhor, até para não passar vergonha em rede social.

        Obs: sim, o liberalismo é uma ideologia e quem diz isso foi o próprio liberal Ludwig von Mises.

      • Rafael disse:

        Passar vergonha é ser refutado inapelavelmente, coisa que decididamente não aconteceu.
        Falar que algo é criticado por alguns serve apenas como registro.

      • Rafael disse:

        Fifaldino, os governos realmente são péssimos pagadores, mas são gestores ainda piores. Não faz sentido entregar a administração de todo um sistema de ensino — com uma infinidade de demandas e fornecedores — a quem, como você mesmo diz, sequer consegue pagar uma conta.

      • Fifaldino disse:

        Rafael….. todo gestor público é, antes de mais nada, alguém “oriundo da privada” (ehehe…). Ou seja…. não caia nessa de achar que só tem gente ruim no governo. Na privada também tá cheio. Posso te falar por experiência própria.

        Além do mais… governos são maus pagadores por safadeza mesmo. Faz parte da política deles explorarem tudo e todos ao máximo. Tu não faz ideia!! Nojo é pouco para descrever….

      • Rafael disse:

        O sistema estatal é podre, serve de plataforma de sucesso para os canalhas e deprime os honestos, que veem suas carreiras estacionarem exatamente por não compactuarem com os malfeitos.
        Achei contraditórios seus parágrafos.

      • Rafael passar informação falsa envergonha qualquer pessoa honesta (pelo menos deveria envergonhar). Sua afirmação sobre as universidades públicas brasileiras não procedem, assim como sobre os “vouchers” — aliás uma proposta estranha de ser defendida por quem defende o liberalismo e condena o capitalismo corporativo.
        Sobre a panaceia privatista até o Olavo de Carvalho já andou zombando: disse que entre os privatistas há dois grupos: os ingênuos que difundem a ideia de forma inocente e os beneficiários. Segundo o astrólogo os primeiros seriam otários enquanto os segundo seriam espertos. Até o velho já percebeu que o Estado é oriundo da sociedade civil e não paira acima dela.

      • Maurício disse:

        Opa, parece que alguém ficou sem resposta.

    • alessandro machado disse:

      é isso que o maravilhoso liberalês gera, miséria, concentração de renda e desemprego

      • Rafael disse:

        Faltou dizer onde o “liberalês’ gera tudo isso.

      • Henrique disse:

        Não entendi a relação causa x consequencia. Pode explicar, por favor?

      • Vamos fazer o seguinte: eu quero que alguém aqui me diga qual país do mundo se desenvolveu com liberalismo econômico. Citem unzinho só!
        Mas por favor, não sejam moleques de vir aqui citar Heritage Foundation ou apontar localidades que salvam os banqueiros em crise como Hong Kong, ou onde o governo é sócio (não estou falando de imposto é de sociedade mesmo) de várias empresas como Cingapura.

      • Rafael disse:

        De que adianta citar a quem, como você, não quer ouvir e nunca admitirá que está errado? Pura perda de tempo.
        Mas não preocupe, propago ideias a várias pessoas, e não fico restrito a essas pinceladas aqui no blog.

      • Fifaldino disse:

        Essa conversa tá a cara do mundo atual. Todo mundo “sabe tudo” e não quer ouvir o outro. Querem apenas dar um jeito de que sua ideia prevaleça, mesmo que venha a prejudicar OS OUTROS e não a si. Umbiguismo total!!!

      • Rafael disse:

        O cerne da discussão é exatamente o que prejudica ou beneficia os outros. Alguns acham que o simples discurso das boas intenções resolvem todos os problemas, quando na verdade não resolvem os problemas existentes e ainda criam outros adicionais.

      • O Rafael não citou simplesmente porque a história econômica atesta exatamente o contrário da sua afirmação anterior. A única coisa que o liberalismo econômico desenvolve são as contradições sociais. As levam ao extremo. É tão bom que os próprios liberais são obrigados a reconhecer que as ditas reformas liberais são impopulares. Nem os ricos querem.

      • Rafael disse:

        Essa sua obsessão antiliberalista já ultrapassou o debate econômico, está no campo da psicanálise. Tanto é que trata como um liberal fanático qualquer um que faça algum elogio ao livre mercado. Cria artificialmente um espantalho para atacar. E, para tal, serve-se estranhamente de qualquer citação descontextualizada, até mesmo de autores que lhe repugnam, desde que venham ao encontro de suas intenções oportunistas. A descrição da realidade — essa malvada — sempre lhe perturba. Melhor desconsiderá-la e se valer de opiniões de terceiros, que sequer foram emitidas para o caso concreto.
        É compreensível: para quem só tem um martelo, tudo o que vê pela frente é prego.
        Mas não se desespere. Há tratamento, desde que a pessoa queira realmente se curar. Boa sorte.

      • Quer dizer que o camarada surge aqui todo pimpão posando de conhecedor, é então questionado com citação de autores caros a uma certa tradição de pensamento por outro interlocutor, a sua resposta é o velho “ad hominem” e a desconsideração de bibliografia mas quem é caso de “psicanálise” são os outros? E pensar que eu cheguei até a separar aqui notícias e dados. Que decepção hein Rafael?

      • Henrique disse:

        É o mesmo discurso do modelo socialista que também nunca deu certo em país algum.

      • Maurício disse:

        Surpresa nenhuma, esse discursinho pseudo-intelectualóide, engessado até a raiz dos cabelos, nunca se sustenta. Nem perco meu tempo.

  2. Carlos disse:

    a situação do país é caotica e as pessoas ficam discutindo lula e bolsanaro, dilma e temer, direita e esquerda , estamos tdos no mesmo buraco e os politicos citados estão a postos com as pás para começar o enterro da massa de manobra, depois de eleitos não precisam mais das ovelinhas…vai entender pessoas que vivem de salarios escolherem politicos para ficarem ricos só para terem o gostinho de falar: ” eu votei no fulano , ele ta roubanco , ta desviando dinheiro , ta enriquecendo porque EU coloquei ele lá, é o meu candidato, é o meu orgulho…essa é a minha força, produzir lixo…

  3. Ricardo - DF disse:

    Excelente post, Mario. De fato, uma das ações deste governo “neo-liberal à brasileira” é a destruição das universidades públicas. Por quê ? Em primeiro lugar, esse governo contabiliza os recursos alocados às universidades públicas como “despesas”, enquanto qualquer país desenvolvido no mundo os considera como “investimento”. Assim, na tacanha mentalidade “neo-liberal à brasileira”, privatizar as universidades corresponde a “reduzir custos”. Por outro lado, é um excelente negócio, e muitos empresários picaretas estão ávidos por uma privatização destas. Lembrem aos que não sabem, no governo FHC, que acariciava a idéia de privatizar as IFES (Instituições Federais de Ensino Superior), o ministro da Educação, Prof. Paulo Renato, ex-reitor da Unicamp, era proprietário de várias universidade privadas no país, sempre em nome de laranjas.

    Alguns pontos aos que não conhecem o assunto:

    1. Não há comparação entre as IFES e as universidades privadas, com raras exceções (as PUCs). 90% da pesquisa nacional se faz nas IFES.
    2. Universidades se estruturam em 3 eixos: Ensino, Pesquisa e Extensão. Os professores não apenas “dão aulas”. Eles pesquisam, geram conhecimento, e o repassam para os alunos e para a sociedade. Daí a pesquisa, ensino e extensão. Os “privatas” (mescla de privatista com primata) falam do custo do ensino público. Pois saibam, ensino de qualidade é caro !!! Os privatas nos oferecem escolões de 3o grau, onde os professores passam o tempo todo “dando aulas”, o que é evidentemente muito mais barato.
    3. Ensino NÃO É NEGÓCIO !!! A Estácio está demitindo 1200 professores! Quais ? Os que custam mais caro. Doutores. Impacto no ensino ? Tão se lixando. Tem é que fechar a conta no fim do mês. NÃO FUNCIONA ASSIM, em qualquer país desenvolvido. Os que defendem essa privatização ou são ingênuos ou são hipócritas.
    4. O Banco Mundial, ferramenta gringa de intervenção econômica, nos anos 90 acusava a universidade pública de produzir pouco. Nas últimas décadas (governo de quem, mesmo?), a produção científica das IFES aumentou enormemente. Agora, o Banco Mundial ataca as IFES dizendo que elas são muito caras ! E papagaios bazucas repetem esse argumento, por interesse, preconceito ou ignorância. Pura sacanagem, interesses escusos.
    5. A baboseira de que só ricos cursam universidades públicas caiu por terra com o sistema de cotas. Tem cotas raciais e econômicas. 50% dos ingressastes no ensino público vêm dessas cotas.
    O próprio Banco Mundial não usa mais esse argumento falacioso.

    A idéia de privatização aliada ao financiamento estudantil pelo governo, no Brasil, é piada!

    A verdade é que esse governo golpista não tá nem aí para o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. Não liga para isso. Para eles, o pais não precisa se desenvolver. É ótimo contar com pobres que fazem qualquer coisa por um salário de miséria. Vc não consegue contratar uma empregada, uma babá, um motorista, no primeiro mundo. É muito caro. Na Terra Brasilis, os abastados tem todas essas mordomias.

    Enfim, neoliberalismo à brasileira se reduz a velha rapinagem, que estamos acostumados desde que este país foi inaugurado pelos portugueses.

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