Hélio Dourado (20/3/1930 – 1/8/2017)

Aos 87 anos, morreu nesta terça-feira um dos grandes dirigentes do futebol gaúcho. Médico, torcedor fanático do Grêmio desde os 11 anos de idade, ex-vice de futebol e presidente, Hélio Dourado sofreu um infarto fulminante em sua casa. Ele serâ cremado nesta quarta.

Dourado foi um daqueles visionários no ambiente do futebol.

Combateu o conservadorismo ao respeitar a diversidade e dar apoio à primeira torcida declaradamente homossexual do futebol. Nāo apenas respeitou, como deu apoio. Além de valorizar a presença da torcida, deu à Coligay uma sala especial no Olímpico para que ela guardasse seus materiais.

Isso nos anos 70 do século passado.

Foi naquelas anos também que ele passou a dar mais liberdade aos jogadores, a respeitar suas individualidades.

– Qual o problema de um jogador, na hora de folga, tomar uma cervejinha? – me disse durante entrevista junto ao velho gramado suplementar, quando era vice de futebol do clube, combatendo um dos tabus do período.

Esteve na conquista do título gaúcho de 1977, que impediu um espantoso novo título consecutivo do rival, e no primeiro Brasileiro, de 1981. Quando todos achavam impossível, fez uma campanha dedicada no Interior, muitas vezes levando jogadores na delegaçāo, e com apoio da torcida, com doaçōes de tijolos e cimento, completou o Estádio Olímpico, construindo a arquibancada superior e a cobertura.

O Olímpico, por sinal, era uma de suas paixōes. Por isso, custou a aceitar a Arena. A reconciliaçāo só surgiu em 2014. Em 3 de setembro de daquele ano, ele recebeu uma homenagem especial e virou Patrono do clube.

Dourado, que passou por todos os cargos diretivos do clube, foi um dos homens que valorizaram a rivalidade Gre-Nal e ajudaram a formar a força do futebol gaúcho.

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Sobre mariomarcos

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4 respostas para Hélio Dourado (20/3/1930 – 1/8/2017)

  1. almiro disse:

    Um grande dirigente.

  2. Niederauer disse:

    Junto com Fábio Koff, os dois maiores dirigentes gaúchos.

  3. Rodrigo R. disse:

    Penso muito no Grêmio politicamente também, e me preocupa muitas vezes, na maioria das vezes. Espero que o Grêmio saiba se renovar, com gremistas no conselho, hoje apelidado de “decorativo” sem injustiça, que apareçam lá gente não só porque o pai ou o avô estavam lá e por isso ele “deve” estar, por tradição hereditária, ainda que mal ligue para o clube ainda mais em se esforçar por ele, se aproveitando apenas para acessar vestiário com filhos para tirar selfies com ídolos. Ou tenha “fome” ou cedam lugar, que entrem no clube para já arregaçar as mangas, ou cedam o lugar. Que fiquem lá porque estão a fim de realmente empreender, que fiquem o tempo todo verificando o clube de alto a baixo e bolando ideias para apresentar em reuniões, para colocar aos presidentes, isso não os tira da situação ou oposição, mas infelizmente o política no futebol está de tal maneira que uma boa ideia pode ser escondida para não dar armas ao rival político…

    Dourado, é certo, não tinha mais como contribuir com o Grêmio exceto por sua história, e a verdadeira dor está em sua família e amigos próximos. Mas este era um gremista dos bons, que tem faltado no Grêmio: ambicioso, empreendedor, nunca acomodado. E não pipocava: foi o único contra a aclamação de Obino, um zero executivo, mas foi ajudá-lo, dentro de suas possibilidades, já debilitado, quando chamado, não sumiu. Ele gostava do Grêmio que ele vivia, mas queria mais, dentro e fora de campo, time e estrutura, títulos e clube. Espero que o exemplo que ele deu não seja “cremado”. O Grêmio, por mais que estejamos satisfeitos ou menos satisfeitos, precisa sempre ser mais, sempre precisa ser mais, como um tubarão que sempre precisa nadar para não afundar, como um caça que precisa de alta velocidade para não cair como uma pedra por não planar: sempre crescer, sempre inovar, dentro e fora de campo. Não vejo essa ânsia, essa coisa de mergulhar de cabeça, hoje em dia; e os que tinham vão envelhecendo e morrendo.

    Hoje em dia, a maioria dos conselheiros e dirigentes são figuras passivas, e todo trabalho se concentra em quem está no poder no momento, o resto fica como a nobreza francesa pré revolução. É difícil a ambição surgir numa instituição essencialmente amadora e não lucrativa, mesmo porque o mundo do futebol ficou imenso, e contra essa dificuldade se deve lutar. A inconformidade e a ambição (mesmo na boa situação, porque na ruim é fácil se inconformar ainda que não se faça nada) são condições não suficientes, mas necessárias ao sucesso. Repito: espero que o exemplo de Hélio Dourado não seja “cremado”, porque nenhum clube se impõe por tradição, folclore e carteiraço, mas pelo trabalho duro de gente de carne e osso com talento, competência e conhecimento do que os mestres fizeram. O Grêmio volta a ganhar gauchão mas não basta, precisa mais; o Grêmio tem bom estádio mas não basta e o aumenta. Não gostava da Arena por bom tempo, mas reconhecia que o nosso inesquecível Olímpico, se fosse mantido, deveria passar por uma profunda reforma. Essa filosofia deve sempre se manter, porque o cerne disso, a ambição por ser mais do que já é, não pode virar cinzas.

  4. Ricardo - DF disse:

    Grande Dourado, Deus o tenha.

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