Para se entender melhor o Brasil

É fascinante como certos livros viram obras permanentes, atuais, como se tivessem sido escritos nestas primeiras décadas do século 21. É o caso deste insuperável Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda (Companhia das Letras). Lançado em 1936 (início do século 20, portanto), atualizado em 1947, o livro se mantém por justiça em catálogo, com sucessivas edições.

Segue como um guia indispensável para se conhecer o Brasil, especialmente em épocas como esta, de intolerância crescente, de posições assustadoramente retrógradas, de gente que começa a tirar partido da frustração de muitos, de informação pulverizada.

As 250 páginas deixam claro – para o leitor de hoje – que todos nossos problemas começam na origem, quando a oligarquia de então passa a dividir o poder. As elites agrárias, principalmente, plantam as raízes do que seria o país no futuro. Em certo momento, escreve Sérgio Buarque:

Estereotipada por longos anos de vida rural, a mentalidade de casa-grande invadiu assim as cidades e conquistou todas as profissões, sem exclusão das mais humildes. É bem típico o caso testemunhado por um John Luccock, no Rio de Janeiro, do simples oficial de carpintaria que se vestia à maneira de um fidalgo, com tricórnio e sapatos de fivela, e se recusava a usar das próprias mãos para carregar as ferramentas de seu ofício, preferindo entregá-las a um preto“.

Lembra bem certos personagens dos nossos tempos, certo?

Segue o livro:

Toda a estrutura de nossa sociedade colonial teve sua base fora dos meios urbanos. É preciso considerar esse fato para se compreender exatamente as condições que, por via direta ou indireta, nos governaram até muito depois de proclamada nossa independência política e cujos reflexos não se apagaram ainda hoje“.

Nem a democracia escapou de ser marcada por esta formação de país:

A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou privilégios“.

É um livro valioso.

Ao longo de suas páginas, redigidas nas primeiras décadas do século passado, o leitor vai entendendo melhor as distorções que ele percebe no seu dia a dia, nesta primeira parte do século 21.

 

 

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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