Uma rápida viagem aos anos da adolescência

Sabem aqueles passeios irresistíveis em busca de lugares marcados pelas lembranças da infância/adolescência?

Fiz isso dias atrás, em meio a uma rápida viagem a Criciúma.

Decidi conferir como estava o Estádio Euvaldo Lodi, local de jogos e vitórias do Metropol, em Rio Maina, a sete quilômetros do centro de Criciúma.

O clube funcionou como empresa  nos tempos em que nem se imaginava isso no futebol do país. Durou tanto quanto o dinheiro e a boa vontade dos donos – pouco mais de 10 anos.

O estádio segue lá, duramente marcado pelo tempo e o semiabandono. Só é utilizado para jogos de ex-atletas ou de amadores. Os alambrados estāo enferrujados, o pavilhāo social – onde ficava um grande distintivo do clube (hoje registrado em um monumento em forma de bola na frente do estádio) – perdeu a cobertura, o morro no fundo está menor  e sem as árvores (era lá que me acomodava para torcer), até o nome foi mudado. Agora é Joāo Estevāo de Souza.

O gramado, o velho vestiário e seu inovador túnel (uma novidade naqueles anos 50/60 do futebol catarinense) ainda resistem bem, cuidados com zelo pelo filho do ex-jogador Sabiá, ele também com passado de jogador de campo e de futsal. O estádio, que parecia imenso nos tempos de criança, agora tem a dimensāo exata. É pequeno, como sempre foi.

Foi lá que vivi meu curto, mas intenso, período de torcedor (quando nāo era ao vivo, era pelas transmissōes da Rádio Eldorado), dos dez aos 20 anos, cinco deles já estudando longe de casa. Pegava um ônibus, vencia os sete quilômetros de um percurso nada fácil, em estrada sem asfalto, e assistia aos jogos do Metropol, o primeiro time verdadeiramente profissional de Santa Catarina.

Muitas das dúvidas daquela fase da vida terminavam ou ficaram suspensas quando entrava por aqueles portōes e me acomodava no lugar preferido.

A visita me fez viajar para um tempo curto e inesquecível.

 

 

 

 

 

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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5 respostas para Uma rápida viagem aos anos da adolescência

  1. 66 disse:

    Olhando a foto do portão, parece o Força e Luz.

  2. Marcon disse:

    Me lembro do Metropol(uniforme todo branco, com nºs verdes), grande time. Poderias nos brindar com a escalação, garanto que muita gente vai lembrar daqueles jogadores. Se não estou enganado Carbone veio do Metropol para o Inter.

  3. Niederauer disse:

    Mario
    Grande saudade; o trio da Taça Brasil, os campeões de cada estado: Grêmio, Metropol (SC) e Água Verde (PR), este que foi se transformando em várias agremiações até se tornar o Paraná Clube.
    Goleiro Rubens, zagueiro Di, centro-médio Carbone, atacante Nilso. Saiu muita gente boa desse Metropol.

  4. Rodolfo de Souza disse:

    O Esporte Clube Metropol foi profissionalizado no início dos anos 1960 para pulverizar o forte movimento sindical dos mineiros do carvão na região sul. Por 10 anos ganhou praticamente quase tudo que disputou. Em 1969, no auge do governo militar, não havia mais movimento sindical, nem sindicatos. Os mineradores do carvão, apoiadores do golpe militar de 1964, resolveram então não investir mais no clube, tornando-o novamente amador. Os mineradores do carvão continuam endinheirados até hoje, explorando os trabalhadores do carvão.

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