Paulo Sant’Ana (15/6/1939 – 19/7/2017)

Aos 78 anos, morreu na noite desta quarta-feira, o jornalista, torcedor apaixonado do Grêmio, escritor e colunista Francisco Paulo Sant’Ana. Ele sofreu uma parada cardíaca em nova internação no Hospital Moinhos de Vento.

Sant’Ana estava afastado da Rádio Gaúcha e da empresa desde 2014, quando seus problemas de saúde se agravaram. Nunca mais se recuperou inteiramente.

Conheci Sant’Ana nos corredores do velho Estádio Olímpico. Eu era estagiário da Folha da Tarde, fazia o setor do Grêmio e nunca esqueci daquela figura com fones nos ouvidos e cigarro na mão, encostado à parede do corredor que levava aos vestiários.

Depois, fomos companheiros na Zero Hora. Era um parceirão, daqueles que vivia passando de mesa em mesa, ou lendo a coluna que estava escrevendo ou parando apenas para bater um longo papo.

Era daqueles sujeitos por vezes controverso, polêmico, mas sempre talentoso. Inovou na sua forma de participar de programas de rádio e se consolidou como colunista de jornal. Escreveu sua coluna de ZH durante 40 anos e se orgulhava, especialmente, de nunca ter falhado um único dia – nem mesmo em boa parte das férias.

Virou personagem da história da imprensa gaúcha, daqueles que nunca mais será esquecido.

 

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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19 respostas para Paulo Sant’Ana (15/6/1939 – 19/7/2017)

  1. Renan colorado disse:

    R.I.P

  2. Rodrigo R. disse:

    Eu acho que com essa notícia eu largo de vez o radio e os jornais e me entrego à internet. “Paulo Sant’Ana” sempre me traz à mente um rádio a pilhas ou uma zero hora, especialmente aquelas com logo antigo, “zero” sobre “hora” num fundo quadrado escuro. Nunca li nada de biografia do Sant’Ana, o conheço do que ouvia nos programas, do que ele escrevia nas colunas sobre sua infância, sobre eventos curiosos (Papai Noel Azul em 1961, etc), assim, pouco a pouco. Como muitos, o conheço mais pelo Sala de Redação. Sant’Ana sabia flautear sem brigar, e ainda que fizesse isso, não deixava de ser uma máquina de pérolas frenética e esbaforida. Invariavelmente as discussões envolvendo rivalidade com colorados ou sobre conceitos geral de futebol (“retrancafóbico” que era num estado que sempre defendeu retrancas e marcações fortes mais que o gol) com Ostermann, Lauro ou Cabral, ainda que sanguíneas, geravam gargalhadas no público do “falecido” Sala de Redação, não ódio, rancores e demissões como nos últimos anos.

    Depois, com o processo de emburrecimento do programa a partir da saída de Cláudio Cabral, com entradas de peixes fora d’água como Marsiglias e Cacalos, um Kenny se tornando mais e mais raivoso e intolerante, o próprio Sant’Ana ficando mais “light”, perdendo a energia para o cigarro (deixando de ser aquele Sant’Ana “louco” dos anos 80 para trás, sempre com um cigarro entre os dedos, gestos exaltados, que André Damasceno imita bem, cigarro com o qual teve uma relação tragicômica que também rendeu textos hilários e geniais), além da entrada de figuras insípidas inodoras e incolores como Coimbra, WC e outros, o que se passou a ter é mal estar nas discussões, panos quentes assustados, e pedidos de intervalos para separar os caras. Mas nem sei como está o Sala agora, faz mais de 15 anos que não acompanho o programa regularmente, e uns 5 anos que não ouço mais nenhum, nem sei qual é a atual equipe, mas sei que o programa faliu intelectualmente e duvido que se recupere sob a exigência de quem o ouviu nos bons tempos.

    Sant’Ana matou no peito com bom humor até a década de 70 vermelha, com incrível capacidade de respostas, poucos colorados (e gremistas) conseguiram “brigar” de igual para igual no debate, na flauta, na defesa de teses. Porque, como toda pessoa culta, antenada com a realidade, não se quebrava na raiva, mas respondia e trocava flautas não só na boa, mas na ruim. Normal para um cara passou a vida dialogando com compositores, músicos, poetas, ricos e pobres; boêmio que conhecia a nata e a lama, observador e poético em descrever o que via desses mundos, o que o tornou um “gênio idiota”, como se considerava, com uma imensa coleção de colunas impagáveis (e imortais) sobre futebol e a vida, com seu talento ímpar de escrita, quase artístico.

    Infelizmente no youtube só colocam polêmicas sujas, sangrentas, do Sala, como no caso que gerou a saída de Kenny – culpa de Cacalo, não de Sant’Ana que tentou apartar e (Cacalo: um irracional gritão que parece que saiu da Geral, vestiu terno e gravata e recebeu um microfone valioso, onde tantos talentos debateram e “brigaram” sem perder a esportiva, esse cara, que quebrara o Grêmio antes, foi a maior facada no programa.) Os mais jovens não tem no youtube o velho Sala, o antigo Sant’Ana debatendo, um Sala de Redação típico de uma segunda-feira pós futebol lá dos anos 70/80/90 (sim anos 70 inclusive!) não conhecem como era o rádio antes, sem internet, com jornalistas e radialistas de muito melhor nivel, repórteres corajosos que sabiam fazer perguntas, comentaristas elegantes e com conteúdo não tirado da manga, narradores de verdade (e não animadores de torcida gritões). Paulo Sant’Ana era daquele mundo rico anterior à internet – e empobrecido, também, pela própria internet. Os mais jovens não conhecem o valor daqueles caras e de Sant’Ana. Mas os textos dele tem à disposição, em algumas coletâneas ao menos. A qualidade do rádio foi para o espaço, os grandes nomes foram morrendo ou se aposentando e sendo substituídos por moleques engraçadinhos e burros padrão FM’s sem qualquer personalidade.

    Paulo Sant’Ana é inesquecível, e o bom radio e o bom jornal, ambos em extinção rápida, sofrem um golpe mais duro do que o velho Sant’Ana em seu falecimento: porque este viveu plenamente, soube viver, e morre com a admiração tanto de gremistas quanto de colorados que sabem colocar as discórdias em conceitos de futebol e os golpes de flautas no seu devido e pequeno lugar, e que sabem que essas rusgas valem muito pouco em comparação com o debate/embate entre pequenas e grandes ideias, onde a simples discórdia lúcida já fortalece a mente, mesmo na derrota de caras teses pessoais, algo extraordinariamente sensível a orgulhos fracos.

    • Rafael disse:

      Bons tempos quando a dor pela perda de um herói do rádio era consolada pela permanência de outros tantos. Isso acabou.

    • Guasca disse:

      Rodrigo e Rafael,
      Leiam o Blog do Prévidi. Ele é um jornalista independente que constantemente fala sobre as demissões em massa nas empresas de jornalismo que ele denomina como passaralhos.
      Ele denuncia que mandam para o olho da rua profissionais com décadas de casa e contratam novatos que pela necessidade se sujeitam a acumular funções.

  3. Guasca disse:

    Lembro-me de que quando começava o quadro dele no Jornal do Almoço aparecia vários closes do PS inclusive fumando um canceroso com a música de fundo. Certa vez ele apareceu vestido de baiana.

    Faz muito que não moro no RS. Em tempos sem internet, sempre que desembarcava no Galeão ou Congonhas corria para as livrarias, comprava a ZH e começava a leitura pela última página, iniciando pela coluna do Santana.

    Os carismáticos dinossauros estão extinguindo-se. Seja morrendo ou substituídos pelos mais jovens que se contentam em receber menos para trabalhar mais.

  4. Analista disse:

    Figura brilhante. Mesmo sendo colorado, sinto muitíssimo.

  5. Campeão FIFA disse:

    Tudo que foi dito é válido e as impressões são pessoais.
    A minha é que fora o carisma (inegável) tinha um texto muito ruim.
    Como jornalista uma fraude que se auto elogiava e dava ares de genialidade para coisas mais do que banais. Nos últimos tempos fazia uma coletânea de pensamentos e frases na sua coluna chamada “o melhor de mim”. Espremendo aquilo, como diria alguém aqui – “méldelz”.
    Sempre me passou a impressão de ser um vendido aos interesse dos patrões e como tal publicou coisas que nem mesmo ele acreditava verdadeiras. Um precursor do David Coimbra.
    lamentável perda para a família e amigos evidentemente. Opinião minha apenas ao que ele representou profissionalmente.

    • Rafael disse:

      Ele alternava colocações simplesmente brilhantes com outras absolutamente pavorosas. Mas era quase sempre um divertimento ouvi-lo.

      • almiro disse:

        Que tenha um bom lugar na arquibancada superior, mas nunca simpatizei, principalmente depois q se lançou candidato – acho q a vereador – pela arena, partido afinadíssimo com os seus patrões.

    • Gaudêncio disse:

      A bem da verdade – esta senhora escorreita que sempre estás prestes a nos apresentar suas múltiplas facetas – santana é uma figura que retrata a própria pequenez e mediocridade cultural na qual o nosso RS está mergulhado.
      O domínio hegemônico da RBS faz muito mal ao RS, ao seu povo e à sua cultura.
      Como que manipulando a gauchada no cabresto, a RBS aproveita para transformar seus funcionários em políticos para que estejam em Brasília defendendo os seus interesses e sua impunidade.
      Resultado é que até um estúpido, um “cana” na pior dimensão que a palavra pode ter, conseguiu o seu papel de clown dentro do show de bizarrices que a RBS entrega como doses cavalares diariamente.
      Para mim, a imagem deprimente da figura deplorável deste cidadão fica na pérfida defesa que fez da família Sirotsky no episódio lamentável do estupro em Florianópolis.
      Nem mesmo o seu gremismo – que virou ganha-pão e uma espécie de salvo conduto para aparições de sua imagem já decrépita e decadente – serve para que eu tenha a percepção de que agora vai arder no fogo do inferno…

  6. Guasca disse:

    Sou do tempo que se fumava em ônibus, táxis e aviões. Se a memória não me trai, foi de autoria dele a lei que proibiu o tabagismo nos coletivos e táxis em PoA na época que ele era vereador ou deputado.

  7. 66 disse:

    Morreu tentando cercar o Parque da Redenção.
    Kenny Braga manda um abraço.
    No mais….nada a declarar.

  8. 66 disse:

    Acho salutar essa divergência de opiniões sobre os assuntos propostos pelo MM.
    Há os que idolatram e os que detonam.
    Tudo dentro da mais absoluta normalidade. É isso aí.

  9. Maurício disse:

    É cada uma que o cara lê por aqui… kkkkkkkkkkkkkkkkkk

  10. Fernando Martini disse:

    Bah, era uma baita comunicador.

    As vezes ficava dias escrevendo sobre coisas simples, mas do nada vinham sacadas geniais e polêmicas que abraçava sem medo. Eu sou só mais um dos que me criei lendo ZH de trás pra frente… Mas sigo sendo um grande admirador, ele tinha a capacidade de transmitir sentimento de forma muito intensa. Um ser intenso e espontâneo… bah queria ter lhe lido mais…

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