Ditadura argentina: filhos não querem os pais fora da prisão

Há muito tempo, argentinos, chilenos e uruguaios dão lições de como as feridas do passado devem ser encaradas. Com coragem e transparência, acima de tudo. Puniram severamente ditadores e cúmplices, indenizaram vítimas, reconheceram os traumas de sua história e não se esconderam atrás de leis de anistia. Julgaram, condenaram e prenderam generais, seguidores e seus assassinos, quase todos com penas perpétuas.

Quem for a Buenos Aires, Montevidéu ou Santiago encontra museus expondo os crimes dos ditadores.

Aqui, espantosamente, assassinos da ditadura são inclusive louvados e homenageados em discursos de congressistas. E, quando não é assim, lá vem a desculpa de que há uma lei de anistia. Portanto, se você perdeu pai, irmão, namorada, mulher ou amigo, esqueça e considere tudo apenas um problema do passado.

Agora, vem uma nova lição dos argentinos.

Reportagem publicada pelo El País (clique aqui para ler) revela um grupo de ativos filhos de homens da ditadura que luta para que seus próprios pais não sejam perdoados – e sigam com suas penas perpétuas. O grupo surgiu como iniciativa isolada de alguns filhos, ganhou destaque e hoje já tem mais de 50 associados. Fazem parte do movimento Histórias Desobedientes, uma ação que tem comovido os argentinos.

– No começo foi uma catarse. Acabamos chorando quase todos. Arrastamos uma cultura muito arraigada que nos diz ‘Honrarás o teu pai’. É muito difícil romper com isso – contou para El País María Laura Delgadillo, uma das fundadoras.

É um grande exemplo.

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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3 respostas para Ditadura argentina: filhos não querem os pais fora da prisão

  1. Ricardo disse:

    Aqui na Banânia, tudo foi varrido para baixo do tapete com a tal lei da anistia, que agradou à gregos e troianos. Muito dos atingidos se calaram depois de serem indenizados pelo Estado.
    Com esse povo e essa mentalidade nunca mudará nada aqui, infelizmente.

  2. almiro disse:

    MM, atingiu todos nós, BR, Ar, Uruguai, Chile e teve até filme com Jack Lemmon, incluindo nossas passeatas na Cinelândia, tem – a

    • almiro disse:

      MM, desculpe a interrupção do comment, é q essa bagaça minha tem uma bateria q descarrega mas continue mandando obras sobre esta época, agradecemos, abs

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