Das leituras

“(…) Não era fácil ser jornalista (na Espanha do ditador Franco) com a liberdade sequestrada. Nem ser mulher em um mundo de homens, mas a sensibilidade e a inteligência existem para serem usadas… Ser mulher era, como é hoje, uma militância, não as nossas consciências. Agora, há mais mulheres trabalhando nos meios de comunicação. Mas a mídia, hoje, também no Brasil, quer inviabilizar as mulheres. E fazem isso, por exemplo, não chamando no feminino o que é feminino. Dizem ‘a presidente’ como se a palavra ‘presidenta’ não estivesse nos dicionários. Enfim, são coisas do patriarcado que ainda não foram superadas… Não é uma homenagem às mulheres. É não cometer um erro ortográfico. Olhem o dicionário e verão ‘presidente: homem que preside’. E, na linha abaixo, consta ‘presidenta: mulher que preside’. Não é porque nunca tenha havido, jamais, alguma mulher presidente, que a palavra não exista. Me façam um favor: não humilhem a todas as mulheres (…)”

(Pilar del Río, viúva de José Saramago, em entrevista a Jaqueline Sordi, no caderno Doc.)

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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14 respostas para Das leituras

  1. oi mario gostei do blog

  2. Miguel disse:

    Pois é, e quantos deboches se ouviu porque uma certa senhora preferiu ser chamada presidenta.

  3. marcos gaucho de BSB disse:

    Não sei em espanhol, mas em todos os dicionários que procurei, a palavra presidente é comum de dois gêneros. Serve para masculino e feminino. O próprio sufixo “ente” não caracteriza masculino. Se fosse “presidento” tudo bem, mas não é o caso.

    • mariomarcos disse:

      Tenho dois dicionários. O Houaiss e o Aurélio. Nos dois está o sinônimo presidenta.

      • marcos lima de matos disse:

        Sim, presidenta é uma palavra mais recente, derivada de presidente (não uma flexão) e oriunda de uma demanda específica.
        Mas uma mulher presidente, ao contrário do que diz o texto, não é um erro gramatical.
        Eu, particularmente, acho “presidenta” feio e não usaria se houver alternativa. No caso, há.

  4. alessandro machado disse:

    Vejo nessas questões uma agenda política, que de fato é justa, mas que se apega em detalhes gramaticais que viram quase uma teoria da conspiração.
    De fato, como foi dito acima, o sufixo ente, presidente, aquela pessoa que presente, o ENTE, que preside, não tem gênero.. basta ver outras palavras com o mesmo sufixo, o crente, a crente, ninguém fala a crenta…
    enfim.. o fato de estar ou não no dicionário é risível, pois o dicionário simplesmente adiciona as palavras que estão sendo ditas.. e não o oposto.. tanto é verdade que diversas palavras do passado caíram em desuso, sumiram do dicionário ou mudaram suas formas.
    Outro caso é o do afrodescendente, negro, preto etc etc.. que certos grupos pegam uma agenda política injetam o preconceito que eles enxergam nas palavras…
    sei que é impoliticamente correto dizer isso, mas acho que é infantil essa postura de dotar de significado certas palavras ou sufixos (como o tal do homossexualismo/dade) e fazer umaa caça às bruxas, muitas vezes contra pessoas que nunca tiveram a intenção ou mesmo perceberam estas palavras como carregadas de alguma carga negativa… afinal, a carga não está nos sufixos ou nas palavras em si.. exceto em certas expressões realmente usadas por racistas como “nigger” nos eua.. o que não é o caso de 99% das celeumas

    acho que a demanda é justa, realmente é necessário mais igualdade entre todos, porém,essa paranoia gramatical é bem forçada

    • Ricardo disse:

      Alessandro, com isso encerrastes de forma magnífica esse debate ridiculo, essa “paranóia gramatical muiiiittoooo forçada.

    • Rodrigo R. disse:

      “(…) o fato de estar ou não no dicionário é risível, pois o dicionário simplesmente adiciona as palavras que estão sendo ditas (…)”

      Baziadu niço eu póçu iscrevê du geitu qi eu kizé…E o dicionário que me siga e se dane!

      Não coloque o assunto no campo conveniente da Gramática normativa, que é flexível sim, como você sugere – embora você tenha, ao mesmo tempo, petrificado a suposta falta de gênero do sufixo “ente”. Mas nada disso é o que vale aqui; como coloquei abaixo, a negação do sufixo “a” em presidenta é mera picuinha política. Quem tem um mínimo gosto pela boa escrita gasta bom tempo para conhecer a correta forma das palavras, e a preguiça em admitir que o correto é “presidenta” não esconde viés de ódio político e misoginia que toma esse país.

      • Rafael disse:

        O que você chama de “o correto” é uma variante aceita posteriormente. É uma forma TAMBÉM correta, não A correta.

  5. Rafael disse:

    “Olhem o dicionário e verão ‘presidente: homem que preside.”
    Errado! Consta como “pessoa que preside”, ou seja, serve a ambos os gêneros.
    E chega de requentar polêmica, ainda mais se envolve a incompetenta.

  6. Rodrigo R. disse:

    A realidade é muito simples e vem de rivalidades políticas: é que “presidenta” virou coisa de esquerdistas, do PT. Logo, os golpistas, coxinhas, conservadores sem nada a conservar, etc, se recusam a usar o sufixo “a”. Talvez muitos deles achem melhor “presidente” mesmo, mas não é por essa preferência de pronúncia que se obrigam a jamais usar “presidenta”, mas pela politização do sufixo.

    • Ricardo disse:

      Aliás, saiu primeiro no Houaiss e bem depois no Aurélio.

    • Rafael disse:

      A reação até que foi moderada. Se um homem insistisse em afirmar seu gênero através da imposição de um tratamento pouco usual (ainda que gramaticalmente aceito), não faltariam detratores duvidando de sua masculinidade.

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