Grêmio e Cruzeiro empatam, no melhor jogo do Brasileirão

Não foi desta vez que a liderança chegou, mas o Grêmio mostrou mais uma vez que é um sério candidato ao título do Brasileirão ao empatar com o Cruzeiro em 3 a 3, na noite desta segunda-feira, no Mineirão (20.384 torcedores). Chegou a abrir dois gols, cedeu o empate, voltou a ter vantagem, perdeu uma série de chances de marcar, mas acabou cedendo o resultado – até porque o Cruzeiro também partiu para o ataque.

Foi, acima de tudo, um jogo excepcional, o melhor das oito rodadas do Brasileirão.

Teve 62% de bola rolando, apenas 25 faltas, 30 conclusões (15 para cada time), sete chances reais de gols para o Cruzeiro, 11 para o Grêmio, 601 passes certos, apenas 59 errados. Além das chances claras dos dois times, houve duas bolas na trave e uma no travessão em ataques do Cruzeiro. Ou seja: para quem gosta de bom futebol, foi uma partida como poucas.

Com o empate, o Grêmio permanece no segundo lugar, com 19 pontos ganhos, a um do líder Corinthians. Os dois jogam no próximo domingo, na Arena, no confronto direto que vai definir a liderança. Antes, os gaúchos enfrentam o Coritiba, quinta-feira, em Porto Alegre, e paulistas encaram o Bahia, em São Paulo.

Neste Grêmio de defesa firme e contra-ataque quase sempre fatal, o artífice de tudo mais uma vez foi Luan, um jogador para quem o futebol parece uma atividade fácil demais. Ele dá a impressão de não cansar, de não fazer força, mas como tem acontecido ao longo da temporada, mais uma vez foi fundamental na organização do meio-campo e nas conclusões no ataque – que é o melhor do campeonato, com 21 gols.

O Grêmio surgiu em campo com Éverton no lugar de Maicon, que confessou a Renato não estar ainda em condições de resistir ao ritmo de um jogo disputado. Com esta formação, o time repetiu o modelo de outros jogos, resistiu a alguma pressão no início da partida, mas, aos poucos, passou a atormentar a defesa do Cruzeiro. A cada ataque, um risco de gol.

A primeira chance foi do Cruzeiro, logo aos quatro minutos, quando Alisson bateu firme e acertou a trave direita. Em seguida, o meio-campo do Grêmio passou a se movimentar e a fugir da marcação. O primeiro gol surgiu aos 16 minutos, em uma jogada típica do Grêmio: Luan bateu escanteio curto da esquerda, Kannemann tocou de leve de cabeça na cabeça e Éverton completou do outro lado. Um a zero.

Jogada semelhante à que deu a vitória sobre o Bahia, na Arena. A diferença é que no jogo anterior, o primeiro toque no escanteio foi de Geromel.

O Cruzeiro buscou o ataque, fez tentativas aos 21, 28 e 34, e quase marcou aos 35, quando Sobis bateu firme da entrada da área e forçou Grohe a grande defesa.

Aos 36, o Grêmio perdeu uma oportunidade excepcional de ampliar: Pedro Rocha ganhou a disputa no meio e partiu para o contra-ataque. Junto com ele, Luan, Michel e Ramiro, contra apenas um zagueiro do Cruzeiro. Na hora da conclusão, Luan atrasou-se um pouco, tocou para Ramiro, que bateu de primeira, por cima.

Aos 37, Alisson chutou na trave pela segunda vez. Aos 41, Mano Menezes foi expulso por reclamação. Quando ele entrou no túnel, o Grêmio ampliou: Éverton recebeu pela esquerda, driblou e chutou rasteiro. Fábio desviou, mas não o suficiente para evitar a conclusão de Michel. Dois a zero.

O jogo seguia em um ritmo acima do normal. Nos últimos minutos, um gol e outra chance. O gol: aos 45, o Cruzeiro atacou pela esquerda, Alisson cruzou rasteiro, Kannemann não conseguiu afastar e Tiago Neves aproveitou. Chutou cruzado. Gol do Cruzeiro. Na resposta, aos 47, Éverton só não fez o terceiro porque Fábio fez uma excelente defesa, desviando no canto esquerdo.

Na volta do intervalo, a velocidade seguiu a mesma.

O Cruzeiro, que marcou aos 45, chegou ao empate aos três minutos do segundo tempo: depois de troca de passes na frente da área, Sobis recebeu pela esquerda e bateu rasteiro, cruzado. Dois a dois, a torcida foi à loucura.

O Cruzeiro nem teve muito tempo para pressionar. Aos 15 minutos, Luan deu um toque de mestre, por cima da linha defensiva, para Pedro Rocha, que entrou em velocidade. Ele dominou, chutou cruzado, Fábio desviou e Ramiro, em velocidade, concluiu. Três a dois.

Dois minutos depois, Kannemann precisou ser substituído por sentir dores no púbis. Em seguida, Thyere nem tinha aquecido direito, quando o Cruzeiro empatou. Robinho bateu firme, a bola passou pelos zagueiros e enganou Grohe. Três a três.

Nenhum dos times, nem mesmo o visitante Grêmio, reduziu o ritmo para garantir o resultado. Ramiro, em outro passe de técnica de Luan, cabeceou livre, por cima. Aos 36, Fábio defendeu no canto bola cabeceada por Éverton. Aos 42, desequilibrado, Fernandinho concluiu para fora, com a goleira aberta. E aos 46, Héber chutou da área, a bola deslizou no travessão e saiu.

Como dá para ver pelos lances, a partida começou e terminou no ataque. Foram dois times que buscaram a vitória o tempo todo.

O Grêmio – que fez gols nas últimas 32 partidas – volta, enfrenta o Coritiba na quinta e decide a liderança no domingo.

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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3 respostas para Grêmio e Cruzeiro empatam, no melhor jogo do Brasileirão

  1. Ricardo - DF disse:

    Jogaço. Dá gosto de ver esse time do Grêmio jogando, Luan na sua melhor fase. Joga muito fácil, como o MM comentou.

    Pena que a defesa deu umas boas rateadas hoje, era para ter vencido o jogo. Kannemann falhou nos dois gols do Cruzeiro. No primeiro, a bola cruzada veio em cima dele na pequena área. Se atrapalhou na hora de rebater e deixou a bola passar pelo meio das suas pernas. Sobrou para o Tiago Neves, que chutou colocado, bola passando pelo meio das mãos do Grohe. No segundo gol, um balão lá da defesa do Cruzeiro em direção ao Tiago Neves. Kannemann estava ao lado dele. Em vez de dar combate, saiu correndo atrás de outro jogador, deixando o Tiago livre para dominar e encontrar o Sobis sozinho na área. Muita rateada. Terceiro gol, outra bobeada, deixaram os jogadores do Cruzeiro tocar bola para cá e para lá na entrada da área.

    Enfim, se conseguir manter esse nível de jogo, é sério candidato ao título. Tem que passar pelo Coxa e pelo Curinga agora.

  2. Rodrigo R. disse:

    Na saída de campo vi Ramiro mostrar uma inconformidade que me agradou, em meio à minha frustração com o empate: estava quase deprimido com o empate, como se o Grêmio tivesse empatado em casa contra time pequeno. É assim mesmo que deve ser: PÉSSIMO RESULTADO!

    Logo depois, uma das entrevistas mais lamentáveis que vi: Geromel, ele mesmo (aliás, o que ele faz com a braçadeira de capitão? É uma liderança técnica, mas sem personalidade de capitão, é manso demais) ainda na saída de campo, perguntado sobre os muitos gols sofridos, ainda que em dois jogos com os titulares, o zagueiro desdenhou: “Tudo bem se tomarmos três, se fizermos quatro estará bom” (ou algo assim), e correu para o vestiário. Quer defender a defesa e a zaga que vazou miseravelmente. Grande jogador mas não pode ter vergonha de dar balão quando preciso, quer frescura dentro da área com o adversário desesperado no ataque, com gás, se matando por rebotes, dando pouquíssimo espaço, com a com a “faca nos dentes”? só dar para sair no toque nessas circunstâncias se fosse o Barcelona. A zaga do Grêmio deve esperar o adversário cansar, então ela também terá direito ao “tiki-taka” também; com o adversário empolgado, impetuoso, raçudo, forte fisicamente, se atirando pra cima, a grande área deve ser “zona de exclusão” ao futebol se a bola chegar ali: balão mesmo se precisar, até que o adversário perder o gás, aí tudo bem.

    Ou o Grêmio ajeita essa defesa ou vai perder, tomará uns três e não vai conseguir fazer mais que isso. Quando um adversário sobe com quantidade, velocidade e força, ainda que não consiga chances claras, não pode ter bola macia na área, não pode ter jogo na área! A chape a dias atrás, na rodada anterior à goleada para o Grêmio, guardou o ímpeto do Cruzeiro no bolso, lá dentro do Mineirão, o Cruzeiro não entrou na área. No primeiro gol, de Neves, tive de aguentar o tosco Kannemann se atrapalhando todo e dando de calcanhar para o meio do “fedor” no gol de Neves! Tinha que dar um bago para a linha de fundo, ou para a lateral, faltou cintura. É uma espécie de Rivarola, sem parceria estaria ferrado.

    O Frangueiro fez uma defesa muito boa no primeiro tempo, no mais assistiu aos chutes do Cruzeiro para fora ou na trave e quando foi exigido de novo vazou em todas, como de costume. A ausência de goleiros exige uma zaga e uma defesa mais firme. A cera do Frangueiro e já coloquei aqui antes, vem em grande parte da insegurança dele, sabe de sua limitações. O Grêmio só não toma gols se o ataque do adversário pára na zaga, e a defesa tem tirado o Frangueiro do jogo (quem sabe a zaga ganha outro prêmio para o Frangueiro de “melhor goleiro”?), mas times como Corinthians e Palmeiras vão exigir ele, e espero que o Grêmio esteja preparado para meter uns três ou quatro em cada jogo desse nivel. O Fábio está decadente, mas é 10 vezes melhor.

  3. Rodrigo R. disse:

    Como muitos achei absurda a entrada no carteiraço do Maicon com prejuízo da equipe, e não defendo a volta dele, ainda que seja bom jogador, porque o Grêmio não marcou melhor com quatro volantes (e com Maicon “fora de ritmo”), e a diminuição da criatividade e da agressividade desinibe e encoraja o adversário a avançar, este ganha coragem. Mas o Grêmio precisa ter uma solução defensiva, protetora de resultado, uma forma de congestionar o meio para quando o ímpeto ofensivo cair. A posse de bola e a agressividade (que são defesas fortes do Grêmio) diminuem quando o placar é favorável; aquele absurdo gol perdido com quatro jogadores contra um é lance de time que perdeu um pouco a fome, e o adversário percebe isso, fica com menos medo de tomar gol. Aliás, não é a primeira vez que o Grêmio chega com três ou quatro contra um e fica de brincadeira. Mete aquela bola no gol e o Cruzeiro trata de tirar atacante para não ser goleado, com menos riscos para o Grêmio depois. Quando o jogo agressivo e franco diminui, é preciso que este acabe para o adversário também. Um marcador bom, que não recue o time, nada de retranca, seria interessante nessas circunstâncias de hoje, um meio mais sólido na marcação, que congestione o campo, acabe com as chances de gol de lado a lado, até “enfeiar” o jogo, e deixe o time a ficar esperando o relógio apontar o fim sem riscos. O Grêmio precisa dessa solução de vez em quando, jogar quando preciso como o próprio time limitado do Renato de 2013.

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