Sabedoria

“(…) Esses dias eu estava conversando com meu filho. Ele não pegou a época da ditadura. A gente assistia a um programa na televisão e um analista político pontuou que muitas pessoas, descrentes com a política, passaram a aventar situações do passado como solução à crise, tipo o regime militar. E aí meu filho me fez uma pergunta: “Pai, como é que era a ditadura?”. Mostrei pra ele o quanto eu fico chateado de ver pessoas na rua cogitando a possibilidade de que uma ditadura possa solucionar algo. O que teve de gente morta, de incapacidade de dar opiniões, de cerceamento à liberdade de imprensa, de corrupção que não era investigada naquele período… Definitivamente, não é esse o caminho. Ditadura não é solução. O caminho passa por uma depuração natural, como também acontece no esporte. É preciso lutar para que o sistema democrático se aprimore e para que os escândalos de corrupção sejam esclarecidos. Tenho certeza que novas lideranças políticas surgirão no Brasil (…)

(Tite, técnico da Seleção Brasileira, em entrevista ao jornal El País, ao mostrar que não é apenas um dos melhores profissionais do futebol, mas também um cidadão consciente e bem informado. E é também um recado precioso aos alienados que, por terem vivido em uma bolha pessoal, sem olhar para o lado, muitas vezes com medo ou com aquela indiferença do poema de Brecht, acham que a ditadura foi um período normal)

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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17 respostas para Sabedoria

  1. analista disse:

    Não aguento essa “mala” falar de futebol, quem dirá do resto… demagogo em seu estado mais puro!!!

  2. Marcon disse:

    Parafraseando o ex-Rei de Espanha: Tite, por quê não te calas?

  3. Fred o Calmo disse:

    Mas que coisa de outro mundo.
    O Tite deveria estudar o sentido das palavras antes de usá-las?
    Ditadura?
    Quem está em uma bolha?

  4. Rafael disse:

    Já ouvi as mais variadas opiniões sobre a ditadura militar, em nenhumas delas se disse que foi um período normal.

    • mariomarcos disse:

      Tem muita gente que diz (ou disse) isso, inclusive aqui. Nunca vi nada, portanto nada houve, esta é a justificativa.

      • Rafael disse:

        Considerar o período normal não se coaduna a nenhuma narrativa. Os opositores ao regime obviamente não consideraram o período normal, dadas as restrições às liberdades individuais. No entanto, essa percepção também está presente nos próprios apoiadores, pois defender que havia normalidade contraria a própria essência das motivações que levaram à instauração e manutenção do arbítrio. O reconhecimento da necessidade de intervenção militar é ato contínuo ao reconhecimento de um estado de anormalidade na sociedade (sem entrar no mérito da legitimidade dessas justificativas).
        Quanto às manifestações que você afirma terem ocorrido, credito-as ou a ignorância histórica ou a puro cinismo, pois uma pessoa minimamente informada e responsável não defenderia tamanha incongruência.

  5. Kiko Marques disse:

    O Brasil vive uma ditadura. Um país em que sabidamente, assumidamente, o presidente da república coloca no ministério da justiça um homem com a missão de barrar investigações em cima de políticos e empresários corruptos e se não se pode fazer absolutamente nada para evitar este absurdo. Se isso não é ditadura, é o que?

    • Marcião disse:

      Verdade. Hoje quem mais quer impor uma ditadura e a esquerda que fala tanto em liberdade.

      • Rafael disse:

        É um discurso vazio, que serve apenas para chegarem ao poder. Depois, a tendência irrefreável é de totalitarismo, como comprovam TODAS as experiência socialistas.

  6. Eu poderia levantar aqui a contradição daqueles que condenam as ditaduras stalinistas mas celebram outras ditaduras, mas essa contradição é tão óbvia que chega a ser incrível que alguns tenham esse tipo de postura seletiva e ainda acreditem ser os donos da razão. Vou me ater a alguns pontos negligenciados no debate sobre a democracia moderna e que produz uma série de mitos.

    O primeiro dele tem a ver com as suas raízes: ela foi um modelo político pensado pela burguesia em seu conflito com a nobreza feudal e que serviu para que ela chegasse ao poder e legitimasse o seu modelo de sociedade. Até aí nada demais a burguesia seria tola se não visasse o poder político. Mas cabe lembrar aos “pacificistas” seletivos de hoje que processos como a Revolução Puritana, a Revolução Americana e até mesmo a Revolução Gloriosa (este acordão de classes com cara de golpe de Estado) estiveram longe de terem se realizado com rosas e confetes. E, já entrando no segundo ponto, tal democracia se constituiu em uma democracia de classe e embora se falasse de liberdade e participação do povo, o “povo” se tratava da própria burguesia.

    Políticos e intelectuais liberais e conservadores como John Locke, Benjamin Constant, James Madison, Alexander Hamilton, John Stuart Mill, Edmund Burke, Alexis de Tocqueville, Ludwig von Mises, entre muitos outros, eram contra a extensão do sufrágio para as classes populares e, quando a luta destas não pode mais evitar a exclusão, tratou-se de criar sistemas eleitorais que buscavam esvaziar o efeito do voto destas. Sim, eles sabiam que as classes populares eram a maioria da sociedade e sabiam que se a democracia que eles criaram não contivesse freios iria representar as classes populares e tal democracia não foi criada para este fim.

    Não é por acaso que o sistema eleitoral dos Estados Unidos faça com que se revezem no poder central apenas dois partidos embora existam 200 no país! Não é por acaso que muitos países pratiquem cláusulas de barreira para fechar o regime em torno de poucos partidos de confiança do regime. Não foi atoa que a abertura política no Brasil foi “lenta, gradual e segura”.

    A crise econômica que vivemos aprofunda a crise política e de representatividade porque as instituições da democracia burguesa não conseguem mais camuflar o papel social para o qual foram criadas historicamente. Sua função é fazer reproduzir-se o modo de produção capitalista e isso passa hoje por resgatar os grandes grupos econômicos e cortar direitos e serviços públicos que atendem a população. O chamado ajuste fiscal, ao contrário do que imaginam alguns, não visa colocar em ordem as contas públicas mas manter em ordem as taxas de lucros do grande capital.

    Por fim, aos que mencionaram aqui que o socialismo inevitavelmente conduz a ditaduras pergunto quem foi o ditador da Comuna de Paris de 1871? E também os convido a conhecer a experiência da cidade espanhola de Marinaleda que, com uma gestão proletária (onde o orçamento, as leis, as políticas públicas e outras decisões políticas são examinadas e aprovadas em assembleias populares) tem mantido um bem estar social e não afundou com a crise econômica mesmo com os limites de ser uma cidade pequena e de estar dentro de um país que sabidamente sofre com a crise.

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