Não estamos tão longe assim

Poucos dias atrás, li sobre o Código de Hamurabi, o conjunto de leis lançado pelo principal rei do Império Babilônico, em 1776 a.C., para estabelecer regras sociais.

O texto, uma espécie de Constituição, resumidamente, dividia a população em três níveis:

– Homens superiores, que ficavam com todas as coisas boas da vida

– Homens comuns, que ficavam com as sobras

– Escravos, que recebiam uma surra se reclamassem

Pensando bem, a sociedade, em todos os lugares, não mudou muito.

Se você substituir escravos pelos trabalhadores comuns, por exemplo, que formam a base da pirâmide do capitalismo dá para concluir que não estamos tão distantes assim de Hamurabi.

Há uma elite que controla tudo e tem todos os privilégios, inclusive o de sonegar sem ser incomodada (confiram Zelotes).

Uma classe média por vezes iludida, em muitos casos servindo de massa de manobra.

E os trabalhadores, impotentes, que começam a perder boa parte de seus direitos, sem condições de evitar os prejuízos. Quando reagem, são chamados de vagabundos, desprezados pelos dois níveis anteriores do código e muitas vezes agredidos pela polícia, como aconteceu com professores no Paraná ou jovens estudantes em Goiás, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Por sinal, recomendo que cliquem no link abaixo e assistam ao vídeo de um exercício da polícia do Paraná, que repercutiu intensamente nas redes sociais. Entre outros absurdos, que lembram os tempos da ditadura (para não ir mais longe), os soldados cantam:

“Eu miro na cabeça, atiro sem errar
Se munição eu já não tiver, pancadaria vai rolar

Bate na cara, espanca até matar
Arranca a cabeça e explode ela no ar

Arranca a pele e esmaga os seus ossos
Joga ele na vala e reza um Pai Nosso”

Prendam a respiração e assistam:

http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/caixa-zero/pms-cantam-violencia/?doing_wp_cron=1494884413.9898259639739990234375

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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22 respostas para Não estamos tão longe assim

  1. Maurício disse:

    O que mais tá me intrigando, em meio a tanta podridão, é que a frase onde o Aero fala claramente em MATAR ANTES DA DELAÇÃO é uma das menos reproduzidas na mídia!

  2. – No topo da pirâmide social aproximadamente 1% concentra o grosso da riqueza e possui privilégios como isenções de impostos.

    – Ainda na parte de cima da pirâmide outro setor social tem relações estreitas com o 1%, possui rendas polpudas, vive no luxo e detém altos cargos de prestígio.

    – Na base da pirâmide social encontram-se os trabalhadores, os desempregados, os camponeses, os pequenos comerciantes e pequenos burgueses que trabalham, pagam altos impostos e sustentam a parte de cima da pirâmide.

    Com a crise que se alastrou foi intensificada a exploração da base da pirâmide para manter os privilégios da parte de cima da pirâmide.

    Parece familiar né? Mas trata-se da França do século XVIII na fase de gestação da revolução popular de 1789. A que ponto chegou a burguesia do século XXI!

  3. Fifaldino disse:

    Já se fala abertamente em renúncia do “mordomo do Drácula”!! Acho que agora vai!!!! \o/

  4. Ricardo - DF disse:

    Muito parecido mesmo, MM. Mudam os sistemas, mas a estrutura permanece a mesma. Na India tem o sistema de castas, onde os párias formam a base da pirâmide. Lá tem um agravante, a posição na pirâmide é justificada pelo Karma. Vc nasce pária por que tem um Karma muito negativo para queimar. Esse ser humano…

  5. Rafael disse:

    O problema dessa narrativa é que ela não descreve fielmente a realidade e sequer aponta algum caminho para seu melhoramento, o que é até compreensível, dada a dificuldade em fazê-lo por quem professa certa ideologia.
    Os melhores índices de desenvolvimento humano, os menores níveis de corrupção, a maior mobilidade social, estão exatamente nas democracias liberais, o que desmonta certas teses coletivistas e totalitárias, que somente encontram guarida em sociedades politicamente imaturas.

    • Meu caro, a única coisa que o liberalismo desenvolve são as contradições sociais pois economicamente a história não deixa dúvidas de que TODOS os países que se desenvolveram o fizeram com protecionismo e intervencionismo. TODOS!

      A questão da corrupção e da mobilidade social é exatamente o oposto do que você afirmou e estudos sérios já comprovaram isso! Não dá para ficar repetindo as falácias do Heritage! E pior ainda é se utilizar de toda essa falácia ideológica para atacar ideologias. Ainda mais quando o próprio economista liberal, Ludwig von Mises, afirmava que o liberalismo é uma ideologia:

      “O liberalismo não é religião, nem uma visão de mundo, nem um partido de interesses especiais. (…) É algo totalmente diferente! É uma ideologia, uma doutrina da relação mútua entre os membros da sociedade e, ao mesmo tempo, aplicação desta doutrina à conduta dos homens numa sociedade real.” (VOM MISES, Ludwig. Liberalismo)

      • Rafael disse:

        De nada adianta vir com teorizações estéreis e ignorar a realidade. Pegue as listas dos países com melhor classificação nos três itens que citei e verás que há um padrão indesmentível, alinhado ao meu comentário anterior.

      • A realidade é que Inglaterra, Estados Unidos, França, Alemanha, etc se desenvolveram com medidas protecionistas e intervencionistas e não com liberalismo econômico.

        Sobre o Heritage deixo dois artigos para você dar uma lida (existe uma infinidade por aí):

        O ÍNDICE DE LIBERDADE ECONÔMICA DA HERITAGE FOUNDATION É CONFIÁVEL? A OLIMPÍADA DO LAISSEZ-FAIRE. Edson Cunha, 18 de jan de 2017.

        A FARSA DOS ÍNDICES DE LIBERDADE ECONÔMICA: EM VEZ DE MEDIREM LIBERALISMO ECONÔMICO, SUA REAL FUNÇÃO É IDEOLÓGICA. Leandro, 15 de mar de 2017.

      • Rafael disse:

        Vamos de novo. Veja a lista dos países onde há mais liberdade econômica. Verás, não por mera coincidência, que são também os países como maior desenvolvimento socioeconômico.

      • Rafael disse:

        Nenhuma metodologia é perfeita. Mesmo considerando que a da Heritage não seja confiável, basta apontar alguma alternativa, apesar de eu achar que os resultados não serão muito diferentes. Aliás, quem a citou foi você, tornando a sua crítica sem sentido. Ou seja, você criou em espantalho para atacar, sobre o qual eu não fiz qualquer referência.

      • Não leste os textos que indiquei, daí fica difícil fazer a discussão. Verias o quanto de intervencionismo e até protecionismo há nos países alegados como campeões do liberalismo econômico. Não criei espantalho algum, primeiro porque após alguns anos de estudos já se conhece de onde partem alguns argumentos e no caso específico mencionado por você todo mundo sabe que quem elabora o tal ranking de liberdade é o Heritage.

      • Rafael disse:

        Você atacou a metodologia dos índices, algo que realmente não levantei nem acho que seja relevante. Quanto a dizer que há intervencionismo e protecionismo em economias ditas liberais, também não vem ao caso, pois é fato evidente, haja vista que nenhum sistema é puro. O grau de liberalismo (ou, de outra parte, de intervencionismo) é sempre relativo, tomando por base uma outra economia como referencial teórico. Dessa forma é possível criar um ranking, com todas ressalvas a que esse tipo de lista possa embutir em função do questionamento às posições dos países, uns em relação aos outros. Mas a ideia geral resta intacta: a de que países com mais liberdade econômica lideram na qualidade de vida de seus habitantes. E isso os migrantes sabem muito melhor do que qualquer teórico da academia.
        Mas, se quer mesmo prolongar a discussão, fica um desafio: cite 20 países com altíssimo grau de intervencionismo e protecionismo e que são campeões em IDH. Boa sorte.

      • Mas que forma mais interessante de se analisar a realidade. Exalta-se um índice que possui uma determinada metodologia que supostamente provaria a validade do meu ponto de vista, daí destrincha-se a referida metodologia e eu simplesmente descarto o resultado da análise para seguir proferindo o meu ponto de vista!

        É exatamente pelo fato de o intervencionismo e o protecionismo nunca poderem ser abandonados completamente que o louvor do livre mercado não passa de simples professão de fé apologética e ideológica, sem base concreta real.

        O artigo que te indiquei – e que pelo visto não leste – faz exatamente o comparativo que sugeristes e chegou a um outro ranking, com outros resultados. Mas se te desagrada a linha ideológica da página tenho um artigo do Instituto Mises americano de um liberal criticando o intervencionismo em Hong Kong.

        O fluxo imigratório ocorre, na maioria dos casos, das regiões atrasadas para as consideradas desenvolvidas, independente se o país desenvolvido é demasiado intervencionista, ou não. Ocorre até mesmo para os chamados países ditos em desenvolvimento, como o Brasil, que recebe haitianos e africanos. Em períodos de crise econômica, como a que estamos vivendo, podemos até ter um deslocamento de regiões mais abastadas para mais atrasadas como o fluxo de europeus (espanhóis, portugueses, etc) para países como Brasil, China e Índia. E nunca podemos nos esquecer da geopolítica em todo esse processo onde muitos dos ditos “países mais livres do mundo” intervém, às vezes militarmente, nas regiões mais atrasadas.

      • Rafael disse:

        Fugiu do desafio, mas isso não surpreende.

      • Jorge Nogueira disse:

        Se você quer se ater apenas a comparações de rankings questionáveis, vamos ao desafio então:

        Ranking IDH (PNUD-ONU/2014): 1. Noruega, 2. Austrália, 3. Suíça, 4. Dinamarca, 5. Países Baixos, 6. Alemanha e Irlanda, 8. EUA, 9. Canadá e Nova Zelândia.

        Ranking Heritage (2014): 1. Hong Kong, 2. Singapura, 3. Austrália, 4. Suiça, 5. Nova Zelândia, 6. Canadá, 7. Chile, 8. Maurícia, 9. Irlanda, 10. Dinamarca.

        Comparei os dados de 2014 porque são os últimos disponibilizados pelo PNUD em relação ao IDH. O que encontramos? Países com carga tributária superior a 40% do PIB na 1ª e 4ª colocação do ranking de IDH, países com carga tributária similar a do Brasil ocupando a 2ª, 3ª, 5ª e 9ª colocação; países com carga tributária maior do que o Brasil mas inferior a 40% na 6ª colocação.

  6. Maurício disse:

    Falar em Zelotes… qual é o status da ex-mega-operação???

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