Das leituras

“(…) A maioria dos veículos de imprensa internacionais está fechando as portas ou enxugando drasticamente seu quadro de funcionários no Brasil. A revoada dos repórteres estrangeiros começou em fevereiro, quando foi extinto o escritório do serviço de broadcasting BBC no Rio de Janeiro, que empregava seis pessoas. Metade da equipe foi demitida e os demais foram transferidos para São Paulo. O Wall Street Journal, que dividia com a agência de notícias Dow Jones uma repartição no mesmo corredor de um centro comercial na praia de Botafogo, demitiu um repórter – baseado em São Paulo –, mandou dois de volta para os Estados Unidos e manteve apenas um, Paul Kiernan, que passou a trabalhar de casa. O WSJ, que já chegou a ter dez correspondentes no Brasil, hoje tem metade. Além do jornalista no Rio, há outros três em São Paulo e um em Brasília… O número de baixas importantes deve aumentar. Nas rodas de conversa dos jornalistas remanescentes, comenta-se sobre o provável fechamento do escritório da rede de TV CNN, que em 2015 transferiu sua sucursal de São Paulo para o Rio. A emissora não confirma a notícia (…)”

(Reportagem da Revista Piauí, assinada por Júlia Michaels, publicada no jornal Folha de S.Paulo, revelando que a imprensa internacional perdeu interesse no Brasil. O país perdeu importância. Os maiores veículos estão fechando sucursais ou reduzindo drasticamente suas equipes)

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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9 respostas para Das leituras

  1. Ricardo disse:

    Mas por que isso, onde essa reportagem quer chegar exatamente?

  2. Rodrigo R. disse:

    Eu desprezo esse país, eu! Imagina os gringos ao descobrirem que essa terra é só uma grande “Valverde”? Que tem de interessante aqui? Nem guerra civil, nem potência, apenas uma estabilidade pé na jaca numa baderna institucional sem fim. Programa de índio ficar aqui, há coisas mais interessantes em outros lugares do mundo para noticiar. Achavam que o país tinha deixado de ser um republiqueta das bananas, mas aí veem a urna ser desrespeitada, uma presidenta honesta ser derrubada por bandidos, veem aquela votação patética na câmara pelo impedimento, um circo onde não faltaram palhaços e mamadores de milicos pervertidos, todos representantes da opinião doente de muita gente indigna, vimos uma escória desqualificada e engravatada derrubando hipocritamente em nome da família, deus, jesus não apenas uma presidenta honesta e legítima, mas a confiança nas instituições e o patriotismo de muitos… Judiciário banana e mamador, com cara de paisagem, que se move só para se tratar e tratar os amigos, como aconselhar amigos réus, legislativo podre, tomado de bandidos em posições chave e, como os outros poderes, cagado de medo de perder o controle da baderna institucional que promoveu, executivo golpista aplicando um projeto reprovado na urna, VazaJato rasgando a constituição numa luxuriante embriaguez de poder e barbeiragens jurídicas aprovadas, e promovendo uma caça às bruxas sem caça (investigação) mas apenas com deduragens de presos sem mais nada a perder, alimentando e sendo alimentada pelos veículos de imprensa dominantes que querem que o circo pegue fogo e que seus inimigos queimem nele – e se sentem imunes a esse fogo, no que podem se queimar. Um povo boçal que passa o dia com os olhos esbugalhados na Globo fazendo “sim sim sim” sem parar com a cabeça, hipnotizado, da manhã à noite, lobotomizados por esta empresa sem escrúpulos, mais suja que pau de galinheiro mas intocável, cada vez mais dona do país e de sua cultura, administrando rotineiramente seu poder manipulando o ódio recalcado de conservadores sem nada a conservar, criacionistas, militaristas, coronelistas, obscurantistas, escravagistas, racistas, homofóbicos, xenófobos… um mundo de canalhas que expõem de vez em quando (para não estourarem) frustrações guardadas há anos no fígado, desde a infância, desde suas famílias… Um país quebrado, um estado do Rio quebrado mais ainda, país se desendustrializando, viajando no tempo para o passado, empobrecendo, desmascarando no caminho uma falsa harmonia nacional multiétnica e multicultural que nunca houve, assim como nunca houve compreensão da importância e gosto por democracia, justiça, direitos humanos, constituição, etc. Nesse país só não ocorre guerra civil porque (desde sempre) não há culhões: é um país dito “jovem” com a falta de dinamismo e a velhice no modo de ser tipicamente conservadores entranhados, um povo acostumado a ser espectador curioso do que uns poucos fazem. E só votam porque para isso basta apertar um botão – e é obrigatório…

  3. Rafael disse:

    Não é o país que perde importância, é a imprensa que vive uma fase de enxugamento em adaptação à transformação na forma de transmitir a informação. Nada a lamentar, já que os próprios jornalistas chamam blogueiro militante de colega.

    • almiro disse:

      Comentário bem ‘enxugado’ e realista, issaí.

    • Rodrigo R. disse:

      Discordo, perdeu importância sim, eis um outro trecho do texto postado pelo MM, de Júlia Michaels:
      “(…) A crise político-financeira e econômica fez com que os correspondentes passassem a ter dificuldade em captar a atenção sobre o Brasil. Tornou-se complicado escapar da cantilena do país quebrado, em crise, sem perspectiva de melhora. Se por aqui o leitor comum pouco se interessa pelo assunto, o que dirá os lá de fora, para quem o Brasil derreteu – passando de uma idílica promessa de potência para apenas mais um país disfuncional em desenvolvimento (…)”

  4. Ricardo - DF disse:

    O país voltou a ser uma republiqueta de bananas, simples assim. Uma gangue de corruptos entreguistas volta ao poder, arrochando a população e privilegiando os poderosos. As instituições perdem sua credibilidade. Escândalos muito maiores dos que os que depuseram a presidente passam em branco, a mídia governa e conduz um país sem a menor consciência política. As investigações são pouco a pouco abafadas, resta apenas terminar o ataque ao Lula, foco do trabalho do Moro. Depois, ele vai fazer um pós-doc com seus patrões, nos EUA.

    A engenharia brasileira sendo destruída. Voltamos a ser uma grande hacienda, para deleite do grande capital. Os capatazes de plantão entregam o pré-sal, renunciam ao desenvolvimento tecnológico e chegam ao cúmulo de propor a venda de terras brasileiras para estrangeiros !!! A que ponto chegamos… E os direitistas e iludidos de plantão, que tanto ódio nutrem pelo “Lulopetismo”, ignoram esses absurdos. Gente sem espinha dorsal. Noticiar o quê ?

    • Ricardo - DF disse:

      BTW, leiam a coluna no Veríssimo: “Empate”. Com sua fina ironia, ele satiriza o complexo de viralatas que nos faz afirmar que somos os mais corruptos do mundo. Ele diz que os EUA tem muito mais corrupção, mas não joga o bebê fora junto com a água do banho.

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