Tite trouxe de volta o encanto pela Seleção

Na última segunda-feira, ao participar do Bem, Amigos!, o ex-atacante Edílson, com aquela irreverência típica e um sorriso sempre aberto, lembrou o que mais o incomodava na Seleção Brasileira antes do período Tite:

– A gente via aqueles caras, Philippe Coutinho e outros, jogarem tudo nos campeonatos da Europa e nada quando chegavam à Seleção – disse Edílson. – Não dava para entender.

E por que agora eles jogam com a mesma naturalidade mostrada em seus clubes, a ponto de garantirem a vaga na Copa do Mundo quatro rodadas antes do fim das Eliminatórias?

Resposta simples: agora eles chegam para os treinos e encontram um técnico competente pela frente.

O futebol europeu, dos grandes aos times menos expressivos, habituou os jogadores brasileiros a cumprirem função dentro da estratégia tática escolhida pelos treinadores. Aprenderam a valorizar os esquemas e a cumprir com disciplina o trabalho definido. Quando chegavam ao Brasil, normalmente, entravam em um esquema diferente, dentro daquela velha filosofia de que o talento seria capaz de resolver qualquer dificuldade.

Neste caso, o que o torcedor via em campo era bem diferente do que estava acostumado a ver nas transmissões, como destacou Edílson. Eram jogos que, muitas vezes, davam um sono danado.

O que mudou?

Em primeiro lugar, os jogadores percebem que estão diante de um técnico organizado, estrategista, que estuda sua equipe e os adversários, que vem se preparando há muito tempo para chegar ao nível de excelência atual. Um estrategista, portanto, como aqueles que eles conhecem dos tempos de Europa.

Mas há um segundo ponto.

Tite importou para a Seleção, com pequenas adaptações, a forma de jogar de cada convocado em seus times. Como não há tempo de muitos treinos, em meio aos calendários abarrotados, Tite busca adaptar o jeito de cada um. Ganhou tempo e conseguiu resultados práticos.

Assim, a movimentação de Philippe Coutinho na Seleção é quase a a mesma do Liverpool, Neymar joga como no Barcelona, Marcelo é o mesmo do Real Madrid e assim por diante. Juntando tudo e unindo com a capacidade aglutinadora de Tite e seus conceitos de futebol, a consequência é o futebol mostrado atualmente pela Seleção – a primeira, em todo o mundo, a garantir em campo a vaga pada a Copa da Rússia.

Para dar o fecho ao trabalho, há as conversas de Tite e e imagem que ele construiu de profissional sério e respeitado. Ninguém mais vê Neymar protestando pelas faltas, discutindo com adversários, reclamando do árbitro. E quando ele apenas joga, ganha a Seleção e ganha o Barcelona, como ficou claro no jogo decisivo da Liga contra o Paris SG.

Com isso, o torcedor voltou a confiar e a curtir os jogos da Seleção, como fazia antes.

O encanto está de volta.

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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11 respostas para Tite trouxe de volta o encanto pela Seleção

  1. analista disse:

    Mesmo????? Que coisa…

  2. Ricardo - DF disse:

    Muito boa explicação, MM. Eu mesmo ficava me perguntando como o Tite conseguiu uma mudança tão grande com tão pouco tempo e treino. Aproveitando o que os jogadores já sabem fazer nos seus clubes, genial !! Mas não deve ser nada fácil costurar esse Frankenstein tático. Méritos para o Tite, um cara muito inteligente.

    Não sei se ele conseguiria fazer tudo isso se ficasse pancita arriba na praia, jogando um futi-volei, em vez de ficar pesquisado, estudando e se aprimorando… 😉

  3. Maurício disse:

    O encanto está de volta. [2]

  4. Ricardo disse:

    Daí podemos inferir (até mesmo comprovar) que o arrogante do Dunga nunca foi técnico de m… nenhuma.

  5. analista disse:

    Tite… Neymar… CBF… noooooossa…, nunca mais vou perder meu tempo com o time cebefeiano

  6. INTERminável COLORADO disse:

    Eu não estou encantado. Estou é desconfiado. Falta muito para a Copa. Muita água irá rola por debaixo dessa ponte…

  7. Kiko Marques disse:

    Quando o Tite assumiu o Brasil era sexto colocado, se não me engano a cinco pontos do primeiro, e ainda faltando doze rodadas para jogar. Com magia ou sem magia, com arrogância ou sem arrogância. Com os jogadores felizes ou não, o Brasil iria para copa mesmo com o Dunga. De um jeito diferente, nas iria. Esta história de que com Dunga o Brasil corria risco de não ir a copa já era um exagero. Lá na Rússia, eu não sei como seria. Mas lembrando: no tetra e no penta, a seleção saiu do Brasil desacreditada. Enquanto que em em 1982 e 2006 era favorita e deu no que deu. Aliás, foi em 2006 que me decepcionei de vez com seleção brasileira.

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