O modelo de mulher do ‘novo’ Brasil

Estou espantado com o modelo de mulher imaginado pelos homens do poder.

Deve ser bela, recatada e do lar – de onde só deve sair para fazer compras e conferir preços do supermercado.

E agora, segundo o relator do projeto da terceirização, o deputado sergipano Laércio Oliveira, ‘ninguém faz limpeza melhor do que a mulher’.

Anos e anos de luta das mulheres por seus direitos e elas são obrigadas a ouvir estes conceitos anacrônicos.

O que será que vem mais por aí?

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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18 respostas para O modelo de mulher do ‘novo’ Brasil

  1. Papa Charlie disse:

    Claro que é esdrúxulo. Mas não me contenho em achar graça na reação das “feministas”. Certamente teremos um “peitaço” ou um “vomitaço”, ou melhor ainda um “mijaço/cagaço”, contra o patriarcado opressor. Malditos machistas, pianistas e eletricistas!

  2. Maurício disse:

    Da web:
    “Desrespeito com as mulheres, com os trabalhadores, com a CLT, com a constituição… mas pelo menos estamos livres das pedaladas fiscais, ufa!!!”

  3. Kikomarques disse:

    Amigos, aí eu vou ver por outra ótica. Eu não ouvi os referidos discursos, mas li alguns comentários na imprensa. Não li nenhuma referência as palavras “belas” e “recatadas”. Referências a qualidade da mulher como dona de casa, isso sim. Mas agora isso é ofensa? Em nenhum dos artigos que li, foi mencionado que alguém teria dito que as mulheres “só servem para o trabalho doméstico”. Apenas foi enaltecida esta qualidade das mulheres. E se o presidente Temer, por exemplo, tivesse elogiado apenas as grandes empresárias, as grandes artistas, as grandes celebridades femininas deste país, não poderiam as donas de casa sentirem-se menosprezadas? O que eu penso amigos é o seguinte: no passado os homens cometeram um grande erro e induziram as mulheres a cometerem o mesmo erro. Como no passado, na maioria das famílias era homem quem trabalhava, era o homem quem tinha o dinheiro, a mulher era totalmente dependente dele. E o homem achava-se superior por causa disso. Menosprezava o IMPORTANTÍSSIMO trabalho que a mulher desempenhava no lar. Cansada desta situação, a mulher fez o que? Ao invés de lutar para que o homem reconhecesse a importância do seu trabalho no lar, a mulher também passou a menosprezar este trabalho. Já ouvi de muitas mulheres a seguinte frase: “não sou mulher de ficar cuidando de casa”. Falando com desprezo. Como se cuidar da casa fosse uma coisa menor. Sei que hoje muitas mulheres trabalham fora para ajudar o marido nas despesas do lar. Outras trabalham por que não querem ser dependentes do dinheiro do marido. Outras trabalham por que possuem seus objetivos pessoais e/ou profissionais tenham ou não um marido. Seja por qual for o motivo, em uma coisa eu acredito. Muito da degradação da nossa juventude vem da ausência da família em casa. Juventude envolvida em brigas de torcida? Ausência da família. Menina de doze anos quebrando o pescoço de uma colega de catorze dentro da escola? Ausência da família. E a mulher representava esta família. Até porque elas possuem muito mais competência que os homens para fazer isso. Mas os homens não souberam reconhecer isso. Resultado um: fizeram a mulher ir para o mercado de trabalho procurar sua independência. Resultado dois: as empresas agradeceram e até incentivaram. Quanto maior a oferta de mão-de-obra menor o salário. Para mim o desprezo às mulheres está em quem acha que fazer compras, conferir preços do supermercado e limpar a casa sejam trabalhos menores. Graças a Deus, eu e minha esposa tivemos o privilégio de ela poder deixar de trabalhar quando nossos filhos nasceram. Enquanto eu trabalhava minha esposa estava em casa com os olhos em cima de nossos filhos. Minha esposa fazia compras, conferia o preço no mercado, cuidava da casa. E eu fazia jornada dupla. Pois chegava do trabalho a ajudava. Lavei muita fralda com coco. Kkk. Eram dois filhos pequenos e não tinha esta mordomia de fralda descartável não. Fiz e faço muita faxina até hoje. Então, por favor, enaltecer as qualidades de uma mulher como dona de casa não é nenhuma ofensa. Pelo menos para mim não. A mulher dona de casa deveria realmente ser tratada não com o valor menor que as próprias mulheres tratam hoje, mas sim como uma RAINHA do lar. Mas para que não apareça ninguém aqui dizendo que estou idéias machistas, volto a escrever: quem primeiro errou, quem primeiro desprezou o trabalho na mulher no lar, foi o homem. Agora aguenta.

    • Marcon disse:

      Parabéns! faço minhas as suas considerações, se me permite.

    • Carlos disse:

      essa de ” Rainha do Lar” é do tempo que se amarrava cachorro com linguiça, até isso o Mumia Temer ressuscitou…

      • Fifaldino disse:

        Exatamente!! E dizem essas idiotices disfarçadas de elogio.

        E o pior é que tem gente que cai nesse papo. Devem ser do tipo que cai no golpe do bilhete de loteria premiado na rodoviária. É muita ingenuidade…. pra não dizer outra coisa.

    • Papa Charlie disse:

      Acho que a mulher tem q fazer o que ela quiser. Agora, uma coisa o kiko está certo: a atribuição de dona(o) de casa é pouco valorizada, eu diria marginalizada e ainda sofre preconceito. Deveria ser, e muito, saudada.

    • mariomarcos disse:

      Sabes muito bem o que o pessoal quer dizer quando fala em dona de casa. Passa muito longe de um elogio.

    • Rafael disse:

      A expressão “bela, recatada e do lar” surgiu numa matéria da revista Veja sobre a primeira dama. A turma do patrulhamento gostou tanto desse espantalho que não faz outra coisa senão atacá-lo, sem se importar com o fato de que essa descrição supostamente elogiosa partiu da imprensa e não do governo.

      Sugestão de pauta: as delações de Marcelo Odebrecht no TSE. Há muito mais material para se discutir do que gafes verbais de autoridades.

    • 66 disse:

      Conheço várias mulheres que adorariam não precisar sair de casa pra trabalhar, mas que trabalham também porque o movimento feminismo “obriga”.
      O problema é que a expressão “dona de casa” virou sinônimo de “mulher submissa ao marido, empregada doméstica, cozinheira e incompetente para a vida”.
      É muito difícil as pessoas admitirem isso. O machismo e o feminismo dificultam a análise desse fenômeno social.
      Muitos aqui tem a mesma faixa etária. Tenho 51 anos e agradeço muito a presença da minha mãe dentro de casa quando eu era criança. E sinto pena das crianças que hoje não dispõe dessa atenção materna diária.

    • Glaucio Missioneiro disse:

      Concordo com muitos pontos do comentário do Kiko. Mas para um deles, trago um exemplo diferente:

      – quando dizes que:
      “Muito da degradação da nossa juventude vem da ausência da família em casa. Juventude envolvida em brigas de torcida? Ausência da família. Menina de doze anos quebrando o pescoço de uma colega de catorze dentro da escola? Ausência da família. E a mulher representava esta família. Até porque elas possuem muito mais competência que os homens para fazer isso. Mas os homens não souberam reconhecer isso. Resultado um: fizeram a mulher ir para o mercado de trabalho procurar sua independência. ”

      Bueno, minha mãe trabalhou “pra fora” desde meus 5 anos de idade, e mesmo assim criou relativamente bem a mim e meu irmão mais velho. A diferença é que quando ela estava em casa, estava de verdade. Nos cobrava, nos ensinava afazeres domésticos, nos dava responsabilidades desde cedo (deusulivre se a louça não estivesse lavada até as 18h30. que era o horário em que ela descia do ônibus, na esquina de casa), e mesmo assim, tínhamos tempo para brincar e estudar.

      Onde quero chegar, é que o fato da degradação da juventude vai muito além da falta de uma mãe em casa. Muito disso vem dessa frescura de que criança não tem que ajudar em casa, que não pode levar umas cintadas de vez em quando etc. Eu, quando criança, tinha medo do meu pai, mas esse medo me fez criar respeito, que depois eu compreendi a importância, pois me serviu para seguir a maioria dos conselhos que ele me deu na adolescência.

      Enfim, pra mim mulher pode sim trabalhar fora e ser “independente”, sem que isso prejudique a criação dos filhos.

  4. INTERminável COLORADO disse:

    Este deputado sabe muito bem porque disse isso. Ele não está falando da DONA DE CASA, mas sim das empregadas domésticas e de limpeza em prédios e empresas. O deputado LAÉRCIO OLIVEIRA, relator do projeto da Terceirização, também é proprietário da MULTSERV, empresa de serviços terceirizados fundada em 1983 que oferece mão-de-obra para diversos órgãos públicos em Sergipe. Legislando em causa própria…

  5. Campeão FIFA disse:

    Cada vez me convenço mais, que os MILITARES tem de tomar conta deste pais, pra voltar existir RESPEITO entre as pessoas.

  6. Kikomarques disse:

    Esta ideia de que a saída da mulher de dentro de casa ajudou a desestruturar a família eu apresentei em um trabalho escolar em 1982, quando eu tinha 18 anos de idade. Nasceu das minhas obervações e não de nenhum discurso político feito em 2017. Hoje estou com quase 53 e o que vi de lá para cá foi a situação piorar. Apenas acho que para valorizar a mulher operária, a mulher empresária, a mulher jornalista, a presidente de uma nação, não é preciso desvalorizar o trabalho da mulher no lar. Eu sinto nojo da classe política brasileira. Não estou analisando os tais discursos, até por que como já escrevi nem tomei conhecimento deles. Agora, o que realmente me chateia e ver o menosprezo que a sociedade brasileira, que a mídia tem pela mulher do lar. Eu não vou na onda da mídia e do pseudo feminismo. Os ingênuos para mim estão do outro lado. É uma questão de ponto de vista.. E a expressão “amarrar cachorro com linguiça” é do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça.

  7. Kikomarques disse:

    Aliás, bons tempos aqueles em que se amarrava cachorro com linguiça.

  8. Kiko Marques disse:

    Deus te abençoe também Rodolfo.

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