Dica de segunda-feira

São sete horas e 47 minutos de documentário, o filme mais longo a conquistar o Oscar, mas vale a pena cada minuto dele. Em O.J.: Made in America, o diretor Ezra Edelman, que também fez o texto, não se limita apenas a contar a vida de um dos maiores ídolos do futebol americano, que virou estrela de comerciais, ator e milionário, e acabou julgado por suspeita de matar a ex-mulher Nicole Brown Simpson e seu conhecido Ronald Goldman.

O documentário faz na verdade um exame dos conflitos raciais dos últimos 50 anos nos Estados Unidos, o comportamento condenável da polícia racista de Los Angeles, a ilusão do próprio O.J. Simpson de que tinha sido definitivamente aceito pela sociedade dominante, seus erros antes e depois do crime pelo qual foi julgado. O documentário está à disposição na ESPN Watch (basta fazer um rápido cadastro no computador para ter acesso aos capítulos), dividido em cinco episódios.

Além de mostrar a situação da sociedade, ainda deixa claro que o ídolo do futebol foi personagem central de duas viradas: na primeira, o julgamento celebrado pelos negros, que consideraram a absolvição como uma espécie de vingança; na segunda, a revanche dos brancos. O.J. Simpson foi destruído aos poucos, perdeu a fortuna, foi roubado por uma rede de conhecidos e exploradores, até cometer o erro fatal que voltou a levá-lo para a prisão (de onde deve sair ao longo deste ano). É um belo documentário.

 

Vejam o trailer:

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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4 respostas para Dica de segunda-feira

  1. Rafael disse:

    OJ foi beneficiado por uma absolvição absurda, motivada por um clamor popular insano, que buscava uma compensação pela condenação de Mike Tyson, essa sim injusta. Olhar a vida de OJ pela ótica da vitimização não ajuda no debate.

    • mariomarcos disse:

      Mas quem falou em vitimização? Falei nas duas partes da história. Na absolvição, comemorada pela comunidade negra, e na reação que pareceu claramente uma revanche – ajudada pelos erros cometidos pelo próprio OJ.

      • Rafael disse:

        Comentei o caso. Não me dirigi especificamente a você ou a seu comentário. Quando o faço, deixo bem claro.

  2. Felipe disse:

    Vou olhar o documentário….recentemente, assisti à série O Povo x OJ, na Netflix. Me pareceu que a questão étnica foi usada pelos seus advogados de forma a parecer mais uma perseguição a um negro, o que, sabemos, era – e ainda é – praxe nos EUA. Mas, neste caso, a absolvição pareceu absurda.

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