Quer visitar a obra de Siza Vieira? Só dois dias por semana

Arquivo PessoalPorto Alegre é assim: tem um belo museu (Iberê Camargo), situado em uma das áreas especiais da cidade, de frente para o Guaíba, construído por um dos cinco maiores arquitetos do mundo, mas só funciona dois dias por semana.

Quem passa por lá, inevitavelmente, tem uma sensação de angústia e de incompreensão: como a cidade pode descuidar tanto de seu patrimônio cultural?

Em qualquer lugar do mundo, o museu estaria aberto todos os dias. Se a fundação não tivesse condições, algum mecenas assumiria os custos ou os governos estadual e municipal se encarregariam de evitar o quadro atual. Aqui, não.

Só o prédio já é uma atração para turistas que privilegiam circuitos culturais: ele é criação do arquiteto Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira – ou apenas Siza Vieira -, o mais premiado do mundo e um dos cinco mais respeitados de Portugal.

Ele fez uma obra especial, com aberturas que privilegiam a luz e a visão das águas do Guaíba. Pois bem, quem chegar à cidade interessado em visitar o local terá de esperar pelos dois dias (sexta-feira e sábado, desde que não seja o de Carnaval) em que ele fica aberto.

Se Siza Vieira pudesse, certamente levaria o prédio embora.

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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13 respostas para Quer visitar a obra de Siza Vieira? Só dois dias por semana

  1. alessandro machado disse:

    isso sem falar que já está preto, como na foto..
    complicado
    poa é uma cidade triste, quantas vezes já passei por algumas ruas.. como a santo antonio, a praça do dmae, algumas alamedas do centro e pensei “nossa, essa cidade já foi bela”…
    hoje é um arremedo, uma demonstração de decadência, de descuido…
    soma-se isso à falta de educação das pessoas e temos o que presenciamos hoje..

  2. Arthur Vanderlei disse:

    ok Mário Marcos, muito apropriado o registro.
    Só acho estranho que o texto em nenhum momento diga de que museu se trata.

  3. Gaudêncio disse:

    Tempos atrás, fez-se um estardalhaço com a aprovação de uma menina negra em um vestibular de Medicina – sem dar a devida ênfase de que se trata de uma conquista amparada por um bônus de 25%. Mesmo assim, é importante saudar a vitória da garota, ainda que na época não tenha dito que ela fora aprovada NUMA das USP que funcionam no Estado de SP.
    Eis que ontem, saiu na mesma folha a história de um cara pobre, branco e que também passou em 1ª lugar em Medicina na Usp e na Unicamp. E ainda estou esperando o post do Mario Marcos.
    Ou porque é homem, branco e pobre não pode ser saudado, Mário?
    Veja a história dele:
    – No ano passado, diariamente, ele acordava às 5h30, tomava café e entrava no trabalho às 6h30 onde ficava até as 13h30. Só então, ele começava sua rotina de estudos.
    – Guiherme Murari, que cresceu em Morungaba, interior de São Paulo, e vive em Campinas, não pode abrir mão de seu emprego. A vida em uma cidade grande é cara e ele precisava bancar sua moradia e os estudos em um cursinho da cidade. Depois que saía do trabalho, o jovem ia direto para o curso preparatório. Chegava no começo da tarde, ficava estudando sozinho e, então, às 19h30 entrava na aula. Saía às 23h e ia direto para casa tomar um banho e dormir para encarar a mesma rotina no dia seguinte.
    – Aos sábados, assistia às aulas de manhã no cursinho e, à tarde, fazia simulados. No começo da noite voltava para Morungaba, cidade que fica a 42 km de Campinas. No domingo, estudava das 7h até as 21h30. Para “descansar”, a cada oito domingos tirava um de folga. E aí dedicava seu tempo para a família.

    • mariomarcos disse:

      Não entendeste ainda, meu caro, porque eu destaco casos como o daquela menina (aliás, se não me engano, foi este mesmo jovem que também detonou a meritocracia). Te recomendo assistir ao documentário Eu Não Sou Seu Negro, que está em exibição nos cinemas. É sobre os EUA, mas alguns casos servem para nós. Eu fui pobre, muito pobre, tive de lutar feito louco para estudar enquanto minha família fazia um sacrifício espantoso, mas por ser branco sempre tive vantagens em relação a amigos negros, pobres como eu, que ficaram pelo caminho. Tinha consciência disso. Não preciso explicar por que, certo?

      • Gaudêncio disse:

        Também nasci pobre.
        Também nasci na roça.
        Estudei em escola pública.
        Fui engraxate, vendedor de picolé.
        Para ajudar a bancar a faculdade, lavava carros num estacionamento ao lado da pensão onde eu morava.
        O conceito de meritocracia é deturpado… para mim, meritocracia é o cara ralar e por seus méritos pessoas (sacrifício, privação e obstinação) conseguir atingir aos objetivos.
        E há, ainda, contra este rapaz o fato dele ser heterossexual – que é uma blasfêmia nos dias de hoje.
        Sobre filmes… esta cruzada do politicamente correto me lembra o apego que muitos ainda tem, pelo saudosismo, aos tempos do engajamento político. Dos filmes pró-regime – e todos os regimes ditatoriais fazem o mesmo.
        Como hoje existe a ditadura do politicamente correto, naquilo que a cientista alemã Elisabeth Noelle-Neumann tipificou como sendo a espiral do silêncio. Tai um trabalho que seria muito legal você ler… Quem sabe “A rebelião das massas” de Ortega y Gasset. OU, mas daí seria radicalizar, “A montanha mágica” do Thomas Mann.
        Claro que ficaria estranho para você reconhecer os méritos de alguém como este paulista – que, por sinal, não foi beneficiado por nenhum sistema de “fermento” na sua nota de desempenho – quando na sua visão carregas uma culpa cultural.
        Sabe o que falta em casos assim? Coragem. Simples.
        Tempos atrás, um morador de rua branco foi espancado em Porto Alegre por três vigias – e não vi nas reportagens a citação de qual a cor dos vigias.
        Não houve discursos de parlamentares.
        Não houve comoção nas redes sociais.
        Afinal de contas, Mário, era apenas e tão somente um branco morador de rua.
        Fosse um negro e certamente as comissões de direitos humanos fariam sessões de protesto.
        Fosse um negro e diriam que ele apanhou por uma questão racial.
        Vivemos tempos de mimimi, Mário Marcos.
        Apenas mimimi…

      • mariomarcos disse:

        Mimimi? Destacar vitórias de pessoas historicamente sacrificadas é mimimi? Tem outro nome para mim. O que me espanta é como elogio a qualquer vitória de um negro incomoda tanta gente. Eu vou sempre destacar. Não foi o primeiro caso, não será o último. E espero que eles sigam vencendo porque têm muito a recuperar.

  4. Fred O Calmo disse:

    Não seria melhor entregar a administração às mãos da iniciativa privada?
    Abriria todos os dias e os recursos adquiridos seriam reinvestidos no museu?
    É claro que, como não existe almoço grátis, as pessoas pagariam para apreciar o acervo, assim como no Louvre (por exemplo).
    O que te parece?

  5. 66 disse:

    A construção que para mim mais identifica Porto Alegre, o viaduto Otávio Rocha, há anos está completamente abandonado e tomado por indigentes que fazem absolutamente de tudo ali, mostra perfeitamente como capital cuida do que é seu.
    Esse museu é só mais um exemplo.
    Porto Alegre está um lixo.
    Agora temos filiais da Ceasa e do Camelódromo por todo o centro. Ninguém faz nada.

  6. Ricardo disse:

    Não acho que o Gaudêncio esteja incomodado pelo fato da pessoa em foco ser negra.

    • mariomarcos disse:

      Não falei especificamente dele. Apenas incluí a questão na conversa com ele.Escrevi ‘incomoda muita gente’, porque é isso que percebo, não apenas aqui, mas em vários sites e blogs.

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