Dica de segunda-feira

ReproduçãoSe você não conseguiu assistir, torça para que o documentário Eight Days a Week siga em cartaz nos cinemas. É um reencontro comovente com a história e o dia a dia da banda mais famosa da história. O diretor Ron Howard investiu forte em pesquisa, empregou equipes de produtores e estagiários para buscar documentos e imagens inéditas, entrevistou personagens da época, gente que acompanhou a loucura dos anos 60 quando os garotos de Liverpool foram descobertos e levou tudo à tela.

Tudo foi rápido. Nem eles esperavam que suas vidas mudassem tanto, em uma época sem redes sociais, sem celulares. O som e a fama dos quatro se movia, apesar disso, com uma velocidade espantosa pelo mundo todo.

Ao assistir ao documentário, você percebe claramente por que Paul, John, George e Ringo decidiram parar com as excursões apenas dois anos depois da primeira. O ritmo ficou sufocante. Em uma época sem os rigorosos esquemas de segurança de hoje e, principalmente, sem recursos técnicos suficientes para garantir qualidade de som em grandes espaços, os quatro decidiram que não dava para seguir adiante.

As cenas do She Stadium, de San Francisco, lotado por 56 mil enlouquecidas pessoas, são emblemáticas. Apesar de usarem amplificadores especiais, produzidos para o show, parte do público não recebia o som adequado – e Paul, John, George e Ringo não tinham retorno. Não se ouviam.

Ringo, por sinal, conta com bom humor que em certo momento apenas acompanha o ritmo das bundas e do bater de pés de John e Paulo para saber a quantas andava a música e como deveria seguir sua bateria. Não ouvia nada.

Howard ouviu personalidades que estiveram nos shows, como a historiadora negra que se viu pela primeira vez em meio a um público branco, em Jacksonville, porque a banda avisou que se houvesse segregação cancelaria o show. Ou Whoopi Goldberg que diante da censura das amigas por gostar dos Beatles, rapazes brancos, respondia:

– Eles não são brancos, eles são os Beatles.

Um radialista de Miami, que acompanhou a contragosto a primeira excursão dos rapazes de Liverpool aos EUA, em certo momento conclui em um de seus boletins:

– Eles serão falados por centenas e centenas de anos.

Estava coberto de razão.

Confira o trailer:

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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6 respostas para Dica de segunda-feira

  1. Ricardo disse:

    Puro frenesi de adolescentes.
    Primeira banda produzida e com muito marketing.
    Pararam com shows ao vivo por pura bundamolice.
    Sou 1000% Rolling Stones.

    • almiro disse:

      RS forever, até o Lennon reconheceu q eles acharam o caminho das pedras (shows), s/trocadalho.

    • Maurício disse:

      Discordo. Nos anos 60 o ‘marketing’, que hoje coloca uma Anita entre os grandes da MPB numa apresentação mundial da nossa cultura, não tinha um milionésimo deste poder. Só se criava quem realmente tinha algo a dizer.
      Quanto à comparação(?) com os Stones, são propostas totalmente distintas, uma Cayenne e um R8. De qualquer modo, me parece que a influência e contribuição Beatle à música como um todo é bem maior.
      Pessoalmente, dificilmente ouço algum deles, mas sempre vou preferir Beatles.

      • mariomarcos disse:

        Há um compositor que faz uma relação com Schubert e outros grandes e diz que, em número de músicas de qualidade, só Mozart pode ser comparado em produção e cuidado aos Beatles. Pode haver algum exagero aí, mas é só para mostrar a importância dos caras.

    • CESÃOGREMISTA disse:

      Os Rolling Stones só se criaram porque se propuseram a ser a antítese dos Beatles. Só. Em termos musicais, não existe termos de comparação. Os Rolling Stones produzem um som confuso, com péssimo backing vocal. Enquanto os Beatles, além de excelentes instrumentistas e vocalistas, tinham um carisma invejável. A maior banda de todos os tempos já vendeu mais de l,5 bilhão de discos; a outra, os RS, na ativa até hoje, não atingiu a marca de 200 milhões. Ponto.

  2. Marcelo - Rio de Janeiro disse:

    Documentário imperdível! Excelentes imagens, algumas inéditas.

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