Bruna: 1º lugar em Medicina, 1º lugar em Sabedoria

ReproduçãoA meritocracia é uma falácia. Eu consegui porque tive ajuda. Não dá para igualar as pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades. Eu me esforcei muito, sim, mas não consegui só por causa disso, eu tive muito apoio. E é isso que a gente tem que dar para quem não tem oportunidade. A gente perde muitos gênios por aí, inclusive nas favelas, porque não podem estudar. E eu fiquei com muito medo de que minha postagem (em sua rede social) servisse de argumento para a meritocracia. E eu vi comentários que se baseavam nisso. Mas eu sabia que ia acontecer. Eu quero frisar bem que a questão importante é a oportunidade. Eu consegui porque tive oportunidade. Eu tenho visto minha história como apoio à meritocracia e fico muito triste com isso”.

(Bruna Sena, 17 anos, pobre, estudante de escola pública, filha de caixa de supermercado,  aprovada em primeiro lugar no curso de Medicina da USP de Ribeirão Preto, um dos mais concorridos do país. Ela só se preparou no último ano porque conseguiu vaga em um curso pré-vestibular gratuito dirigido pelos próprios estudantes da universidade)

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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38 respostas para Bruna: 1º lugar em Medicina, 1º lugar em Sabedoria

  1. Gaudêncio disse:

    Sim…
    Mas há alguns aspectos que não têm sido omitidos nesta “conquista”.
    Por exemplo…
    Ela contou com uma série de bônus – que ajudaram a catapultar a nota dela.
    Inclusive um bônus que estudantes pobres e brancos, igualmente de escola pública, não têm direito.
    Apenas em nível de curiosidade, ficaria muito melhor se mencionassem qual seria a nota final dela sem estas “bengalas”.
    Tenho para mim que sem estas bengalas, ela nem aprovada seria no curso de Medicina – onde as vagas são disputadas em pontuações acirradas…

  2. Gaudêncio disse:

    Complementando: ela não conseguiu APENAS porque teve oportunidade.
    Ela conseguiu porque além do esforço pessoal, da oportunidade, contou com as muletas.
    E volto a dizer: muletas que não estão acessíveis, por exemplo, a estudantes pobres. Que sejam brancos.

    • Andreas Boos disse:

      É, quem esta em escola publica realmente tem um bonus no processo geral. Sendo negro tem um pouco mais de bonus tambem. Mas nada se compara ao esforco pessoal. Parabens a menina. Exemplo a ser seguido. Tem muito filhinho de papai por ai que paga pra passar. Nada melhor que esse tipo de exemplo pra mostrar que nem tudo gira em torno do “voce sabe quem eh o meu pai?” e quanto de $$$ tem na conta do banco. Ainda bem que as universidades publicas ainda sao as melhores. Assim fica mais justo.

      • Roberto disse:

        Em matéria publicada no site G1, ela disse o seguinte:

        “Tive pontuação acrescida tanto na primeira quanto na segunda fase. Na verdade eu não me lembro como fiquei sabendo, mas acho que foi porque fui pesquisando mesmo porque eu sempre quis a USP, tanto que fiz a Fuvest no segundo ano e no terceiro [do ensino médio] e por isso tive um acréscimo”, explica Bruna.

    • mariomarcos disse:

      Com todo respeito, estás equivocado. Há cotas sociais também, sim, para estudantes pobres e de escolas públicas. E, no caso da Bruna, nem sei se ela usou o direito à cota.

      • Fred O Calmo disse:

        Ah, não, Rafael, site ideológico eu discordo.
        O blog é sobre futebol, fundamentalmente.
        Raramente o comunista de Criciuma(hehehe) vem à tona.
        Para constar, discordo diametralmente de diversas posições do Mario e gostaria que o comunista de Criciuma se manifestasse mais vezes.
        Quanto ao post em si, nenhuma novidade, só mais uma guriazinha filhote do Paulo Freire.

      • mariomarcos disse:

        Guriazinha filhote de Paulo Freire, assim, com ar pejorativo, como se ele não fosse um dos maiores gênios da educação mundial?. Vou levar como uma brincadeira.

      • Rafael disse:

        Não acho que este seja um site ideológico, apesar dos arroubos do MM. Construí mal a frase. Perdão por não me fazer entender.

      • Fred O Calmo disse:

        É claro que foi uma brincadeira contigo (comunista de Criciúma).
        E na minha terra uma mulher de 17 anos é uma guriazinha.
        Quanto ao Freire, não o considero como o descreves e sim mais um ideólogo a serviço da causa.
        E “filhote” é uma referência ao título que o Brizola deu ao Collor: filhote da ditadura.

      • mariomarcos disse:

        É um dos autores mais consultados nas bibliotecas das universidades americanas.

      • Fred O Calmo disse:

        Me permito discordar, amparado em grandes pensadores que tiveram contato mais direto com sua obra.
        Posso recomendar: David M. Fetterman, “Review of The Politics of Education”, American Anthropologist, Março 1986.
        Diz ele a certa altura: ” Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária?”
        Ou: John Egerton, “Searching for Freire”, Saturday Review of Education, Abril de 1973.
        “Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideológico, não um educador.”

      • Rafael disse:

        Chamar um farsante de gênio é demais para mim. Tchau, pessoal!

    • Rafael disse:

      Afinal, fazem parte da “elite branca opressora”.

      • Roberto disse:

        Com +25% na nota é fácil desdenhar da meritocracia…

      • mariomarcos disse:

        Ah, sim, com 25% na nota é uma barbada ser primeiro (ou décimo, vá lá) no curso mais disputado, claro.

      • Rafael disse:

        O curioso é que omitiram esse fato em vários sites ideológicos (inclusive aqui), na indisfarçável intenção de fazer valer sua narrativa sobre a verdade factual. A garota não ficou realmente em primeiro lugar pois não tirou a maior nota. E ainda desdenha da meritocracia (inclusive da sua) enfatizando os benefícios que recebeu. Mas essas são as regras (discutíveis) do jogo. Que seja feliz.

      • mariomarcos disse:

        Meritocracia é legal quando todos têm as mesmas condições. Em um ambiente de trabalho, por exemplo. Quando as pessoas vivem em situação desigual, não existe meritocracia – e ninguém melhor do que a Bruna, que sofre na carne a situação, para dar um testemunho. O que ela disse é bem claro. Recebeu ajuda e tratou de aproveitar.

      • Roberto disse:

        Bingo.

    • Gaudêncio disse:

      As cotas existem até nos EUA, mas elas funcionam como uma alternativa temporária.
      O que eu discordo é a luovação que se faz para alguém que é aprovado com amparo de uma muleta – sem deixar claro que esta muleta é distinta para brancos pobres ou negros pobres.
      Contar com um bônus final de 25% numa prova disputada como é a do vestibular de medicina é como alguém sair com 25 metros de vantagem em uma prova de 100 metros.
      Pegue o replay da última olimpíada e veja se há entre o primeiro e o último classificado na prova final uma diferença FINAL de 25 metros…
      respeito e elogio a conquista da menina, mas vamos colocar a questão no devido contexto: Na USP, a diferença entre o primeiro aprovado no sistema universal e o último, a diferença de nota foi em torno de 16%.
      Volto a dizer: parabéns para ela, mas as muletas específicas a catapultaram para uma vaga para a qual ela não teve nota suficiente.

  3. juliocolbeich disse:

    Nunca vi os defensores da meritocracia abrir mão de herança. Nunca vi abrir mão de estudar em colégio particular pago pelos pais (que teriam o mérito de possuir dinheiro).
    O rapaz que falou dos 25% a mais se esquece de uma vida estudando nas melhores escolas, com material didático melhor, com professores melhores dão muito mais vantagens que isso.

    • Roberto disse:

      Já eu vejo comuna e esquerdista abrindo mão de herança quase todos os dias. Dinheiro dos pais? Passam longe.

      • mariomarcos disse:

        Alguém pode me dizer o que isso tem a ver com o tema do debate? Que coisa. Há dias, revelei aqui meu espanto ao ver que pessoas comuns, os chamados cidadãos de bem, aproveitaram-se da confusão em Vitória, romperam seus limites éticos e entraram na onda de saques e roubos. Pois não é que alguns desviaram para a discussão política, ideológica, esquerda/direita?

      • Rafael disse:

        A razão é simples: a expressão “cidadão de bem” está sendo utilizada de forma pejorativa pela ala esquerdista para se referir a pessoas de discurso conservador mas de moral duvidosa nas atitudes. Procuram a todo momento justificativas pelos malfeitos de seus ídolos, e uma dessas tentativas é desconstruir a figura do cidadão honesto.

  4. Filipe Borin disse:

    A menina está justamente dizendo que benefícios, sejam acréscimos de nota por ser pobre ou negra (que ela teve), ou ser rico e estudar nas melhores escolas (que nem ela nem milhões de outros tem) ajudam muito em um vestibular. Apenas disse isso para não usarem seu caso em nome do “é só se esforçar que passa” e “pobre é preguiçoso, por isso não melhora de vida, vejam o caso da fulana”. SIm, ela teve vantagens, e sim, quem tem dinheiro tem vantagens, não digam que saem todos do mesmo patamar pois não saem. Essas cotas e etc servem para dar uma certa igualada na balança, mas ainda assim se pegar o total de aprovados, maioria será quem estudou nas melhores escolas. 10 anos de estudo de qualidade contra um acréscimo na nota ainda é muita vantagem, eu duvido que alguém trocasse estudar nas melhores escolas a vida toda por um bônus na nota.

  5. Fernando Martini disse:

    O que importa é que daqui uns cinquenta anos, essa menina negra vai, se Deus quiser, ser uma médica com uma carreira construída, e sua família terá condições de seguir seus passos em uma condição de vida mais favorável. Se foi por cota, se foi por nota, se foi por escola particular, tanto faz. O importante é seguir em frente.

    O mesmo escândalo que vejo com cotas, não vejo com a aprovação de alunos medíocres e que tem dinheiro para cursar cursos em universidades particulares caras. Meritocracia não é uma falácia. Isso é discurso plantado pela nossa esquerda, e todo mundo sabe. E todo mundo sabe que mesmo a meritocracia sendo um sistema de valorização de méritos, que é a forma mais justa de premiar quem mais se prepara, não é um sistema justo com todos, pois nem todos tem as mesmas condições. Mas quem quiser da vida carinho, afago e justiça, acorde logo de seu sonho cor-de-rosa.

    • Fernando Martini disse:

      Eu, quando era adolescente, lembro que nem pensava em fazer medicina, pois isso era curso para gente rica. Meu pai falava que era um curso caríssimo, que os livros custavam uma fortuna… Enfim, havia desde criança um estigma que “isso não era para o bico de pobre”. Lembro que quando estava no ensino médio, apesar de me interessar por uma ou outra matéria, fiz minha escolha pensando mais “no futuro”, dada a situação do trabalho de meu pai devido as privatizações do FHC, do que qualquer outra coisa.

      Acho que essas compensações são legais. Talvez quem não tenha as tido tenha algum mecanismo de rejeição por inveja. Como se a pessoa que fosse usar de uma cota fosse menos merecedora de sucesso que ele. Se esquecendo que ele nunca foi tratado como ladrão só pela cor da pele. Como se andasse permanentemente em atitude suspeita. Como se os mesmos estigmas que pensava sobre medicina, e olhe que eu não posso me queixar de modo algum, classe média baixa, andando de ônibus, mas sem furo no tênis, vida de criança feliz…

      Imagine então os estigmas de um negro no Brasil? Não concordo com tudo que esse pessoal progressista pensa, mas essa bateção de panela que incomoda, acho muito boa. Quero mais é que quem não goste ache ruim. Quero mais é que quem acredita em racismo inverso (que fala, ah não posso chamar o cara de negão e o cara pode me chamar de alemão…) escute esse coro até esse eco entrar nessas cabeças pequenas e ensinar que a dor do outro as vezes é maior que a nossa.

    • mariomarcos disse:

      Lá nos anos 60, Martini, na época dos movimentos sociais, os EUA implantaram cotas em várias universidades porque viram que era a única maneira de estabelecer igualdade na corrida, compensar todas as perdas dos negros e chegar a um futuro com uma classe média negra forte. Aos poucos, com os objetivos atingidos, foram fechando as cotas (em algumas instituições, elas ainda existem). Nós temos uma dívida muito maior, que talvez nunca seja paga, porque sempre fomos um país desigual, desde os primeiros tempos. E sempre que algum mecanismo é usado para compensar, pronto, lá vem aquela conversinha de ideologia, esquerda, comunismo etc.

      • Rafael disse:

        Esse tipo de política funciona em nível individual, mas tem pouco impacto no conjunto da população. A situação que temos hoje é de uma educação básica sofrível e com altos índices de evasão. O percentual de alunos de classe baixa que chega a tentar uma vaga na universidade é ínfimo frente à grande massa que fica pelo caminho e não sabe interpretar um texto nem domina as quatro operações básicas. O resultado é mais desigualdade, apesar de os objetivos terem sido (pelo menos no discurso) exatamente o contrário. E nós aqui festejando exceções.

      • Fernando Martini disse:

        É que realmente existe uma guerra ideológica no Brasil, e a esquerda é quem apoia essas políticas de valorização dos negros. Não da para dizer de minorias porque os negros não são, nem de longe minoria. O que penso que acontece, é que aqui tudo é avacalhado. Ninguém consegue ver o outro ter um benefício, já faz um discurso inflamado sobre o filho da faxineira que é branca… e que estudou na mesma escola que o negro. Mas se esquece que o negro, seja qual for o status, vai passar por constrangimentos que só acontecem por sua fisionomia.

        O negro vira general, mas o confundem com motorista. Tem uma história curiosa, de um general que estava fazendo uma corrida, e parou para ajudar um carro. Na Praia Vermelha, zona nobre do RJ. Dar aquela empurradinha básica. O dono do carro não teve dúvida, sacou cincão para o camarada tomar uma gelada… Fora essa aí, que é engraçada, é só lembrar da embaixatriz, não me lembro de que país, que é negra, que contou os casos que vivenciou.

        Talvez as cotas não sejam a melhor solução, mas são uma atitude. Sei que o jovem imediatista, pensa na sua vaga na faculdade, e não está errado. Mas como nação, isso é um mínimo que podemos fazer.

      • Fernando Martini disse:

        Mas a conversa política está, realmente, beirando o insuportável. Já era difícil uns anos atrás, hoje está beirando as raias da imbecilidade.

      • Fred O Calmo disse:

        Dívida?
        Te sentes devedor de alguém?
        A que dívida te referes?
        A escravidão, essa abominação?
        E sempre fomos um país desigual, pois afinal somos desiguais, nõs os humanos.
        “Lá nos anos 60, Martini, na época dos movimentos sociais…”
        Creio que te referes ao movimento pelos direitos civis na Amárica.
        Então tenho uma pergunta: com quem Martin Luther King contou para fazer o que fez?
        Certamente não foi com o Estado.

      • mariomarcos disse:

        Martin Luther King lutou pelo que acreditava, foi para as ruas e foi seguido por milhões de pessoas. Ele e outros líderes, alguns com posições diferentes. E a vida do negro norte-americano só começou a mudar com eles. O governo foi forçado a ceder. Eu gostaria de ter um Luther King por aqui, que tomasse as ruas em defesa de seus direitos. Claro, estou preparado: ele logo seria chamado de comunista, inclusive por leitores aqui do blog.

      • Fernando Martini disse:

        Não me sinto devedor. Mas penso que as pessoas poderiam viver de uma forma mais decente. E para isso alguém tem que ceder um pouco.

        Que a menina está sendo usada para dar voz a um discurso de esquerda, isso é verdade. Que as idéias que os educadores do Brasil abraçaram não deram muito certo, também penso ser verdade. Mas, tem quem discorde. Tem quem ache tudo isso o máximo, e que até pense em votar no PT de novo na próxima eleição, afinal, acha que essa menina ter passado em medicina, é mérito de um programa político que deu certo. Há louco para tudo.

      • Fred O Calmo disse:

        Fernando, não deixei claro: não me referi a ti na questão da dívida e sim ao Mario.

    • Gaudêncio disse:

      Aqui no Brasil, nos tempos da Ditadura, havia a Lei do Boi – que era a cota nos curso de agronomia, zootecnia e veterinária (salvo engano) para os filhos de fazendeiros.

  6. Gaudêncio disse:

    Olha que interessante:
    Morador de rua passa em 2º lugar em curso de universidade federal no RN
    – Mas, não ganhou a mesma repercussão.
    Será por ser branco?

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