Das leituras

Sou professor há 34 anos. Tenho consciência dos desafios da interpretação de texto. A dificuldade tem múltiplas origens. Formação deficitária, falta de contato com autores complexos, ideias polarizadas, passionalidade e muitas outras. Suspeito que possa ser, eventualmente, pura má-fé. Mesmo sabendo dos problemas, ainda me surpreendo . Quando surge uma determinada palavra no texto, como Cuba, Moro, Che, Lula, Dilma, Temer etc parece que todo o sistema cerebral de alguns entra em colapso e só existem adjetivos e fúria absoluta contra ou a favor. Quando digo que não tenho esperança num Messias é porque nem o Messias por excelência, Jesus, transformou a todos. Não estou atacando o Salvador, mas as almas que negam qualquer luz de salvação. Volto ao ponto: o debate não está sendo de categorias sociológicas, mas de dores pessoais . Citando Sakamoto: falta amor… e interpretação de texto“.

(Leandro Karnal, historiador, professor na Universidade de Campinas, ao falar em sua rede social sobre a dificuldade de debate e de interpretação de textos. Ele acerta em cheio ao dizer que certas palavras provocam colapso no sistema cerebral de alguns. Em qualquer veículo, de sites a blogs, vocês podem verificar o fenômeno com facilidade)

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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19 respostas para Das leituras

  1. Maurício disse:

    Alguns tricolores sofrem de mal parecido com relação à expressão ‘série B’.
    Faz parecer um misto de negação do passado com alívio.

    • Arthur Vanderlei disse:

      Vou te explicar como funciona, Mauricinco, já que, como bem dizem por aqui, temos a experiência que falta a vocês no assunnto.
      Ter a segundona no passado é bem ruim. Ter a segundona no presente e no futuro é infinitamente pior. Simples assim.

    • Ricardo - DF disse:

      Kkkkk, eu acho que isso acontece um pouco antes, com as palavras “Grêmio” e “Inter”.
      Ou, no blog, com Fifa, Maurício, Diego….

  2. Fernando Martini disse:

    Tudo bem Mario Marcos, ele está correto. Mas também você sabe que Leandro Karnal é raso e superficial como uma poça d’agua. É o historiador, palestrante eleito filósofo, que discursa surfando por entre as raias da opinião pública e do censo comum, impressionando a todos com sua erudição e cultura refinada. Todos sabemos da polarização política. Isso é posto, exposto e já evidenciado faz muito tempo. Realmente essa fixação em Cuba, Che, essas exacerbações por Dilma e Lula, essa reverencia por Sérgio Moro… tudo isso é muito latino. Mas, é o que somos. Uma coisa que me incomoda é que hoje as pessoas leem tão pouco que os youtubers estão se propalando exponencialmente. Quem são os intelectuais que os jovens hoje em dia tem como filósofos ou grandes intelectuais? Se você perguntar para pessoas mais esclarecidas até poderão lhe trazer alguns escritores, doutores universitários ou jornalistas conceituados. Mas no geral, na média, pelo menos nos fóruns de discussão que participo, o que se vê são jovens cultuando figuras como o médio Karnal, como o idiota do Pondé, do charlatão do Olavo de Carvalho, o bom Cortella e o entusiasta Clóvis Barros Filho. Outros também tem sua voz, mas já com um viés politizado, como Paulo Henrique Amorim e tantos mais. Todos com uma coisa em comum, dominaram os vídeos da internet. Nesse ponto MM, talvez possas entrar nessa! Com tua humanidade irias ser uma voz legal para um youtube tão acéfalo e futil. Por que não?

  3. Marcelo - Rio de Janeiro disse:

    Primeiro, sobre o comentário do Arthur Vanderlei: perfeito. Sou colorado, zoei muito meus amigos gremistas, e agora sou, merecidamente, zoado.
    Sobre o post dia MM: acabo de ver o filme do Michael Moore, SOS Saúde. Muito bom! Todos deviam ver! A saúde é pública no Canadá, na Inglaterra, na França e em Cuba. Nos EUA, os que quiseram tornar a saúde pública foram tachados de comunistas… O Brasil segue os passos dos EUA, priorizando o dinheiro. Tudo é “business”. É o pior é que os “inocentes úteis” acreditam na retórica dos “espertalhões”!

  4. Fernando Martini disse:

    Será que não seria colapso mental perceber em Fidel uma figura histórica de relevância positiva?

    • Ricardo - DF disse:

      Tu preferias o ditador Batista? Conheces o conceito de ditadura do proletariado?

      • Fernando Martini disse:

        Preferiria que tratássemos a Cuba assim como tratamos El Salvador, Nicarágua, Honduras, República Dominicana, Haiti… Baby Doc foi um presidente terrivelmente pior que Fulgêncio Batista, ou nosso Ditador Vargas… Entretanto, sucedeu-lhe um comunista Barbudo que vestia uma farda e foi imensamente propagandeado pela União Soviética… E aí temos Fidel, Che e Cuba. Três paixões mundiais. E a má fé, dificuldade de interpretação, falta de contato com autores complexos… isso tudo é lá com os outros.

        A grande verdade é que cada um desenvolve preferências na vida, sabe-se lá porque motivos subjetivos, e vê a vida sob determinado prisma. E por esse mesmo prisma enxerga as preferências dos outros. Alguns tem esse prisma mais translúcido, outros vão o lapidando ou trincando durante o caminhar… Mas, é quase uma questão de gosto, e é até estupidez discutir sobre isso… mas…

      • Ricardo - DF disse:

        Ao contrário, me parece um assunto bem interessante para discussão, mas é uma looonga discussão.

        No caso de Cuba, me parece que ficou menos ruim com o sistema Comunista que lá se implantou do que outros países similares, que são simplesmente parte do quintal norte-americano. Uma ditadura contra as elites, para atender o povo, essa era a idéia. Mas tem o ser humano e suas limitações, vícios, etc. Assim, o sistema é cheio de problemas. Já o pessoal da direita tem um ódio que não entendo (não consigo enxergar pelo prisma deles) contra Fidel, Tchê e Cuba. Tchê largou tudo para lutar contra a opressão. É algo odioso ? Para mim, heróico.

        Mas que é quase impossível mudar a opinião de outro, isso é. É como convencer um colorado a virar gremista, ou seja, sair da perdição e entrar no bom caminho. Como não percebem isso ???? kkkk

      • Fernando Martini disse:

        Como não moro e não morei em Cuba, não tenho condições de dizer se ficou melhor. Muito menos de afirmar que hoje estaria melhor se tivesse tomado um caminho diferente. Economia é um campo de conhecimento que eu já tive interesse, mas cada vez menos me desperta atenção, já que os debates me parecem muito chatos, um bate-rebate eterno sempre do mais do mesmo. Logo, penso que dizer que uma Cuba capitalista seria mais próspera me parece tão aleatório quanto dizer que se o Japão comesse com talheres ao invés de hashis iria ser mais feliz.

        Concordo que existe um componente admirável de sacrifício em se sacrificar em lutar por uma causa. Mas de forma belicosa? Em um mundo que recém estava tratando das feridas da segunda guerra mundial? Nesse aspecto sim imagino haver uma conexão. Um mundo que experienciou uma escalada de militarização, e seguiu sentindo reverberações da guerra na forma da eclosão de revoluções e guerrilhas. É como um terremoto e seus temblores subsequentes. Não posso responder pela direita, mas o que me causa incômodo nesse culto a figuras como Fidel, Che Guevara, Marighela e tantos outros ex-guerrilheiros, é o fato de terem pegado em armas para impor suas idéias a força, além de se julgarem senhor da lei e capazes de executar e julgar.

        Mas cada um que cultue seus heróis. Depois de um tempo, fui percebendo que temos dificuldade até mesmo para definir o significado de palavras. Podemos até fazer um teste qualquer hora. Qualquer pergunta, por mais simples que seja, dificilmente se tem um consenso. Uns vão dizer, mas veja, isso é um bom sinal, é prova de que temos raciocínio crítico e mentalidade reflexiva. Mas quando isso se dá no nível de conceitos, no sentido de palavras e definições, perdemos a capacidade de nos entender através da linguagem. Claro que isso não é um caos, temos uma idéia geral, mas a concordância torna-se muito complexa. Dessa forma, se em simples conceitos temos dificuldade de concordar, o que dirá em idéias que envolvem diferentes visões de mundo? E além, de visões da história, em que nem sequer sabemos o que de fato aconteceu? Muitas vezes, você acha que o que aconteceu em Cuba se passou de uma forma, enquanto eu penso de outra forma. E veja, ainda nem entramos em juízo de valores. Portanto, não é desistir de argumentar ou debater, mas perceber que esses debates são meio infrutíferos. Sei que ainda me traio, como nesse mesmo post, e volto a falar do assunto. Mas sem a mesma intenção que já tive. É o tipo do assunto que mais quero ver como uma página do século passado, do que uma matéria atual.

        Talvez, e sem fazer ares catastróficos, permaneçamos com a Guerra Fria como assunto maior geopolítico até que um novo conflito que envolva a América Latina de forma tão intensa surja no mundo, mas até lá… seguimos vivendo esse maniqueísmo sexagenário.

      • Rafael disse:

        Ditadura do proletariado sempre foi um engodo, seja por sua inexequibilidade, seja por absoluta ineficácia. Primeiro, o proletariado nunca verdadeiramente esteve no poder, que sempre é exercido por uma elite política. Segundo, entregar o poder ao estrato mais desqualificado da sociedade é uma rematada imbecilidade, que serve apenas para enganar os incautos proletários, geralmente utilizados como massa de manobra de demagogos oportunistas.

      • mariomarcos disse:

        Estrato mais desqualificado? As grandes falcatruas, escândalos e genocídios têm a assinatura daquela que consideras, certamente, a parte mais qualificada da sociedade.

      • Rafael disse:

        As falhas de caráter independem da classe social.

  5. Ricardo disse:

    Parabéns Fernando Martini !
    Feliz 2017 !

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