Demorou, mas saiu

Sabem aquele velho chavão de que a ‘Justiça tarda, mas não falha?’

Pois é, 16 anos depois do início do processo, o Superior Tribunal de Justiça deu razão ao governo do Estado na época e condenou a Ford por descumprimento de contrato, ao levar a fábrica daqui para a Bahia.

A empresa vai pagar indenização de R$ 216 milhões.

O valor seria bem maior, mas o governo fez acordo – até porque precisa do dinheiro, que será utilizado no pagamento das folhas do fim do ano.

E pensar que muitos gaúchos, na disputar entre Ford e Estado, ficaram ao lado da multinacional na época só para desgastar o governo que tinha vencido a eleição.

 

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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21 respostas para Demorou, mas saiu

  1. Kikomarques disse:

    A importância de se manter informado. Confesso que eu sempre achei que o governo do RS é que havia descumprido o acordo feito com a Ford. Lembro-me até do jornalista Rogério Mendelsky comentando no programa Gaúcha Hoje sobre um “chá de cadeira” que o então governador Olívio Dutra teria dado no presidente da Ford quando este foi ao Piratini tentar uma audiência com o governador. História confusa esta. Uma coisa é certa: os baianos de Camaçari agradeceram. Conheci o distrito industrial de Camaçari. Uma potência na época. Não sei como está hoje.

    • Rafael disse:

      São coisas diferentes. O ressarcimento era devido por descumprimento de contrato e pelo adiantamento acordado ainda pelo governo Britto e pago por Olívio à Ford. Mas também é verdade que o governo Olívio não tinha interesse na instalação da montadora, o que ficou patente nas atitudes e declarações do governo e seus apoiadores.

      • mariomarcos disse:

        O governo não aceitou as exigências da empresa, além do que estava determinado. Fica claro que ela já fazia chantagem porque tinha a Bahia como alternativa para mais lucros.

    • Miguel disse:

      Hehehe… eu escutava o Mendelski também, o programa era bom (não sei se ainda existe e, se sim, quem apresenta), o único porém era o antipetísmo doentio e raivoso do apresentador.
      Algo que muitos não sabem é que, quando Olívio chamou a Ford para negociar valores, ACM e FHC deram quase o dobro que o RS daria, pata levar a Ford para a Bahia.
      Quanto aos empregos, há quem diga que foram criados mais com apoio a pequenos e micro empresários e pequenos agricultores.

      • mariomarcos disse:

        Sem contar os gaúchos que saíram daqui e foram a Brasília para reforçar a posição baiana, tudo para tentar enfraquecer o governo que assumia. Eram os ressentidos pela derrota eleitoral.

      • Miguel disse:

        Desde então até hoje, os que não aceitam perder nas urnas acusam os outros de fazer aquilo que praticam.
        Ainda sobre o Mendelski, só por curiosidade, o relato a seguir. Lembro que, certa feita, ele denunciava que certo colégio (não lembro qual), através de seu diretor, estava incentivando o comunísmo, que tinha até fotos de Che e Fidel e que um aluno fora expulso porque seu pai havia votado em Antônio Britto. Bateu nessa tecla por mais de uma semana.
        Alguns dias após, Lauro Quadros, no polêmica, entrevistou o diretor que, questionado, confirmou que, realmente, havia fotos de Che, Fidel, Peron, assim como havia fotos de Geisel, Figueiredo, Pinochet e outros. Quanto ao aluno expulso, ou suspenso, era por questões disciplinares , não políticas. Pais de alunos ligaram confirmando. Achei muito hilários a maneira como Mendelski foi desmentido.

  2. Papa Charlie disse:

    Apesar de não concordar com a ideologia do Olívio, acho ele um homem honrado e honesto.
    Se hoje a Ford paga indenização, certamente o Governador da época tinha suas razões para “defenestra-los” e “mandá-los embora” como foi propagandeado na época.

  3. Colorado de fé disse:

    Mas essa indenização era evidente: a Ford recebeu vantagens e ao descumprir o contrato devia ressarcir o RS.
    O que me causa espécie(ou não, mais) é ter quem ache bom negócio trocar os milhares de empregos diretos e dezenas de milhares indiretos, além de toda receita gerada neste período por míseros R$ 216 mi.

    • Papa Charlie disse:

      Tem esse viés, realmente. Acho que os executivos da Ford riram litros qdo o valor foi acordado. 216 milhoes de reais sai na urina duma montadora desta, é troco.

      • mariomarcos disse:

        É que o Estado atual não tem qualquer condição de exigir. E aí aceitou uma pequena parte do total. Mas a importância do fato não está no valor.

      • Rafael disse:

        O gaúcho vive de falsos orgulhos. Perderam-se os empregos e a arrecadação de impostos, mas a justiça deu ganho de causa. Deprimente.

      • mariomarcos disse:

        Orgulho? Vocês é que só enxergam assim. Eu apenas relatei um fato.

      • Rafael disse:

        Sobre o falso orgulho, refiro-me ao comportamento de líderes petistas ao praticamente expulsar a Ford do estado, quando exaltavam à época a soberania do povo gaúcho em não se curvar às exigências de uma multinacional bilionária e de um setor em franca degeneração. Um visão tacanha e anacrônica já naquela época, mas que ainda hoje encontra eco em nossos pagos.
        O maior prejudicado foi o povo gaúcho, mas de certa forma mereceu.

    • Maurício disse:

      Não li uma manifestação sequer considerando isso um ‘bom negócio’.

      O mote da postagem é bem claro: a recuperação de $$$ devido ao estado. Por mais que fosse prevista, deve ser sim comemorada, não pelo acordo miserável pra receber à vista, mas pelo delicadíssimo momento financeiro do governo gaúcho. Mas só depois que o pila estiver no caixa.

      Sobre o valor, pelo que entendi o total real corrigido superaria R$ 1,5 bi. Óbvio que, nesse caso, a Ford precisaria ‘urinar’ um pouco mais, e certamente o faria em prestações a perder de vista.

  4. Gaudêncio disse:

    Levantamento do site Torcedômetro às 17h do dia 25/11:
    Grêmio 106.585 – Inter com 112.756
    Diferença pró-Inter: 6.171
    ===
    O Grêmio continua em 5º lugar, sendo que o São Paulo figura na 4ª posição e o Inter AINDA se mantém em 3º.
    ===
    Vamos ver se depois de domingo os números rubros continuam…

  5. Ricardo - DF disse:

    O Olívio foi um cara 100%, abriu caminho para uns 20 anos de PT em POA. As posições dele contra a cúpula petista que, pelo pragmatismo, aceitou participar da bandalheira, sempre foram claras.

    Agora, FHC e ACM, que dupla… o coronelzinho que rouba, mata mas defende e é admirado pelos seus (uma senhora da alta classe: ele matava os bandidos – com orgulho) e o lorde da privataria tucana, fazendo de tudo (até hoje) para ferrar o PT.

  6. Ricardo - DF disse:

    Chama a atenção uma foto na ZH de hoje: Temer blindado pelo PSDB….

    Calero, Ministro da Cultura do PSDB, arma uma arapuca para o Temer. Grava as conversas, denuncia, para no final posar de incorruptível… Cria um terremoto no frágil governo Temer…

    Quem aparece para prestar apoio e tomar conta do poder ? A cúpula do PSDB…

    huahuahuahuahua….. isso mostra a mão que mexe as peças no tabuleiro.

  7. telmog disse:

    A Ford definitivamente eh mais esperta que todos os governadores envolvidos. Recebeu do Gov. Britto ‘X’ de vantagens, pediu X+5 por insegurança ao Gov. Olívio, que deveria ter imediatamente aceitado. O atraso do RS é claramente visível, porque as lideranças também sao atrasadas em que pese a boa vontade e retidão. Faltou capacidade e visão empresarial, SIM. Esta ninharia que foi paga, em perspectiva, nao seria nada em retorno de impostos locais e RIQUEZAS de salários e ME fornecedoras. Dinheiro que ficaria no RS. Eu me surpreendo na tentativa de defender o erro crasso de perder uma montadora/refinaria ou seja la o que produza riquezas e empregos.

  8. Jorge Nogueira disse:

    Este acordo do governo Sartori com a Ford foi lesivo ao Estado, uma vez que muito provavelmente a empresa teria que desembolsar quase cinco vezes o valor acordado. Sobre a política de benesses para as multinacionais é preciso observar o seguinte:

    “Em primeiro lugar é preciso esclarecer que a simples instalação de empresas estrangeiras não significa desenvolvimento de um país ou região. Para que isto ocorra, mesmo nos marcos do capitalismo, é preciso que o país ou região possuam suas próprias empresas, que estas sejam fortes, grandes e produtoras de tecnologia. Para que uma política de atração de empresas estrangeiras resulte em algum desenvolvimento local deve haver, no mínimo, transferência de tecnologia por parte das empresas que estão se instalando, como ocorre em muitos acordos feitos na China. Não é o caso do que ocorre no Rio Grande do Sul e no Brasil.

    O que temos tido, na prática, é a ampliação da desnacionalização da economia (que em sua maior parte já é dominada pelos conglomerados estrangeiros) e o aumento da dependência externa, e não o desenvolvimento do Estado – que se limita a oferecer mão-de-obra barata para extração de mais-valia e posterior remessa de lucros para as matrizes no estrangeiro.

    Em segundo lugar, se essa política não gera desenvolvimento, também é bastante questionável a questão dos empregos. Muitos dos benefícios concedidos pelos governos não exigem a contrapartida em empregos, por vezes os empregos prometidos ficam abaixo dos gerados (como o caso da GM em Gravataí) e apesar de todos os benefícios concedidos às grandes empresas, estas não vacilam em abandonar o Estado quando vislumbram possibilidades mais lucrativas em outras regiões ou países (como o caso da Azaléia em 2011).

    Em terceiro lugar o conjunto desses benefícios distribuídos às transnacionais aprofundam a crise estrutural do Estado uma vez que sugam recursos que poderiam ser investidos nos serviços públicos, incentivar os pequenos produtores e comerciantes e desenvolver a pesquisa e a produção tecnológica local. Para se ter uma ideia as isenções fiscais já somam aproximadamente 15 bilhões por ano e a dívida pública estadual, que é utilizada em larga escala para financiar as transnacionais, chegou na casa dos 54 bilhões. Uma dívida que quanto mais se paga mais aumenta: era de aproximadamente 11 bilhões em 1997 e pagou-se mais de 22 bilhões até 2010.” (A crise do Rio Grande do Sul e os seus responsáveis. MonBlog, 17/082015)

    • Miguel disse:

      Pois é, repetindo o que já falei/escrevi acima: “há quem diga que o dinheiro que seria destinado à Ford, gerou mais empregos e renda do que a Ford geraria, ao ser direcionado em incentivo à pequenos e micro empresários e pequenos e médios produtores agrícolas.

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