Das leituras

“(…) É certo que, simbolicamente, todo o mal que fizemos aos negros escravizados fizemos a nós mesmos, enquanto país. É certo que, metaforicamente, toda a privação que impomos aos herdeiros de escravos deste país impusemos a nós mesmos, enquanto povo… Um projeto sério de país passa, inevitavelmente, por um acerto de contas com as verdades óbvias de nossa própria história. Dizer isso não é render-se aos discursos panfletários, é o exercício do discernimento… Faltam aos negros oportunidades iguais. Faltam aos negros escolas iguais. Faltam aos negros julgamentos iguais. Nunca seremos um país capitalista enquanto não pagarmos nossas dívidas. E a maior delas é com os descendentes dos seres que escravizamos. Enquanto isso não acontecer, o dia da Consciência Negra continuará sendo, também, o dia do constrangimento branco”.

(De Luiz Maurício Azevedo, doutor em Teoria e História Literária, em artigo publicado no Doc de domingo, sobre o racismo que segue presente na sociedade brasileira)

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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16 respostas para Das leituras

  1. INTERminável COLORADO disse:

    Racismo no Brasil? Não, isso é mentira!

    • Campeão FIFA disse:

      Cotas pra quê? Com esforço todos conseguem!

      • Maurício disse:

        Pergunto porque realmente não sei: como faço pra ser reconhecido como negro, hoje, nas seleções brasileiras com sistema de cotas?

      • Campeão FIFA disse:

        Se a pergunta é para mim, digo que não tenho certeza, mas acho que a pessoa se auto declara negra.

      • Kiko Marques disse:

        Sim. Com esforço todos conseguem. A questão é que o esforço um negro tem de ser dez vezes maior que o de um branco. Eu também não gosto do sistema de cotas, mas é por um motivo diferente do teu.

      • Campeão FIFA disse:

        Kiko

        Para não haver mal entendido: eu estava sendo irônico sobre as cotas

  2. INTERminável COLORADO disse:

    Quando alguém fala em meritocracia, fico pensando o que realmente isso quer dizer.
    O que dizer daquele filho herdeiro da empresa do pai. Ele herdou a empresa por “meritocracia”. Mas o que dizer de um negro que reside em uma favela, que estuda em escola pública? Será que ele terá as mesmas oportunidades que o filho herdeiro do empresário? Enquanto o filho e o neto do empresário estudarão nas melhores escolas privadas e frequentarão as melhores universidades públicas – leia-se universidades públicas gratuitas, pois o empresário NÃO pode pagar por uma universidade privada -, o filho do negro pobre favelado – sim, 95% dos favelados desse imenso Brasil são negros – terá que fazer das tripas coração para conseguir uma vaguinha numa universidade privada – leia-se privada paga, pois a maioria das vagas das universidades públicas já foram preenchidas pelos filhos e netos do empresário rico merecedor de mérito -. Algo está errado, não acham? Sim, trabalhar, estudar, fazer das tripas coração para crescer na vida, é para todos. A questão são as oportunidades oferecidas: a quem e para quem. Quem aqui conhece um juiz de direito negro (não vale o Joaquim Barbosa), um médico, um advogado, um empresário rico, um arquiteto de renome, um engenheiro de renome? Mas todos aqui sabem que a grande maioria dos condenados e presos em penitenciárias são negros. Todos aqui sabem que um cidadão como ALBERTO YOUSSEF, após ser condenado em sentença pelo juiz Moro, a 121 anos de prisão, foi solto (pelo mesmo juiz Moro) semana passada, após cumprir 3 anos. Agora irá para casa usando uma tornozeleira e usufruir de toda a grana ganha por MÉRITOS (leia-se lavagem de dólares), claro. Quem não viu que GAROTINHO, ex-governador do RJ, preso por Corrupção semana passada, foi liberado por uma juíza do STE para que fosse tratado num dos melhores hospitais do RJ e, após recuperação, ir para casa ficando em PRISÃO DOMICILIAR. Fosse um NEGRO e este APODRECERIA em Bangu.

    É por isso e por todas essas coisas e outras tantas mais, que as cotas existem. Isso vale para os índios também. Para pagarmos nossas dívidas para com os descendentes dos seres humanos que escravizamos e matamos.

    • Glaucio disse:

      Eu até iria comentar sobre a questão das escolas, que o autor do texto diz que faltam iguais para os negros.
      Nesse ponto, e apenas neste, eu faço um adendo, a mesma escola em que o negro pobre estuda, o branco pobre também estuda.
      Tem muito branco que nasce pobre em condições iguais ou piores aos negros. Seria injusto que existissem cotas pra esses também?

      Mas diante do comentário acima, dá até vergonha de tão insignificante que isto é, diante de todo o resto.

  3. Kiko Marques disse:

    O branco pobre não é descente de escravo. A cota é uma espécie de “indenização” pela escravidão e pela discriminação aos descendentes de escravos. Vou contar uma historinha. 1974, Clube Tiradantes, em Charqueadas,. M grupo de dez meninos jofsvam futebol na quadra deste clube. Sem autorização. Apareceu um vigia e mandou is meninos saírem. Os meninos pedir e ele deu uma chance. O jogo poderia continuar, desde que um dos meninos saíssem. Este menino que teria de sair para o jogo continuar era EU. A justificativa do bigia foi de que eu não era sócio. Ocorre que nenhum daqueles meninos era sócio. Mas eu era o único negro. E era fácil para o vigia ou para algum sócio ou diretor do clube que aparecesse por ali, identificar que eu não era sócio. Pois o clube não aceitava sócios negros. O vigia foi gentil. Os meninos não sócios, mas brancos poderiam continuar jogando. Felizmente, sempre tive estrutura para enfrentar este tipo de coisa. Mas inahnsm o estrago que isdo poderia fazer na cabeça de um menino de dez anos de idade. E se por conta deste fato eu agrefisse aqueli vigia. E por causa disso fosse levado para a Febem. O rumo da minha vida mudaria totalmente.

    • Glaucio disse:

      É isso que poucos entendem (ou fazem de conta que não enxergam), infelizmente.

    • mariomarcos disse:

      É isso. Cota é uma compensação – pequena, mas compensação – pelo que os negros sofreram. Foi assim também nos EUA, usado como exemplo por muitos. Ainda hoje há Estados americanos com cotas. Outros acabaram com elas porque não é mais preciso. Espero que seja assim também.

      • Rafael disse:

        A política de cotas é mais um exemplo de como algo que parece bom no plano teórico se transforma num verdadeiro desastre quando é operacionalizado, como é demonstrado pela quantidade absurda de fraudes.

      • mariomarcos disse:

        Fraude há em tudo, infelizmente. Mas nāo se pode imviabilizar um programa com todo este mérito porque alguns nāo têm qualquer ética.

  4. CAMPEÃO DE TUDO disse:

    Os maiores cotistas do país são os grandes empresários amigos dos governos que ganham terreno, isenção de impostos, financiamento público a fundo perdido e quando estão falindo ainda são socorridos com dinheiro dos contribuintes.

  5. Kikomarques disse:

    Desculpem os erros de digitação no meu comentário anterior. Usei o Smartphone e aí as dificuldades de digitação aumentam. E eu tenho o péssimo, (péssimo mesmo), hábito de não reler o que escrevo.

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