Onde estão as cores do Haiti?

ReproduçãoLembrei aqui no Blog, certa vez, que a morte de um único ocidental tem muito mais importância para os chamados civilizados do que a tragédia quase diária que vitima moradores do Oriente, da África ou de outros países pobres. Um ocidental morto comove e mobiliza as pessoas, um iraquiano, afegão, africano ou haitiano, para ficarmos no exemplo mais recente, muitas vezes é encarado quase com indiferença.

É o que procura mostrar o cartunista espanhol Miguel Villalba Sánchez, de Tarragona, com seu desenho publicado no site Cartoon Movement, que repercutiu intensamente nos últimos dias.

Ele ataca a hipocrisia, com toda razão.

Quando a tragédia atingiu Paris ou Orlando, muitos substituíram suas fotos na internet por bandeiras da França, charges do Charlie Hebdo ou cores dos EUA. Agora, como aconteceu no terremoto, estamos diante de outra tragédia devastadora para o pobre e desemparado Haiti. Mais de mil mortos na última tempestade, em um país que ainda não se recuperou da destruição de alguns anos atrás – sem contar aí os surtos de doenças, como cólera, por exemplo.

E quem é Haiti?, pergunta Sánchez.

Quase ninguém.

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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11 respostas para Onde estão as cores do Haiti?

  1. 66 disse:

    A hipocrisia é o mal do mundo.

  2. Maurício disse:

    O pessoal deve achar que a bandeira da França fica mais bonita no avatar… (¬¬)

  3. Rafael disse:

    É duro dizer isto, mas as tragédias em países como os citados comovem menos porque boa parte de suas mazelas tem causa na sua própria incapacidade de progredirem como sociedade.

    • Eu diria que grande parte das mazelas destes países “incapazes de progredir” vem da intervenção externa de outros países. O Haiti, por exemplo, é o país da América Latina que mais sofreu intervenções externas em sua história. Vive uma no momento, há 12 anos, que começou com um golpe de Estado desferido pela França e pelos Estados Unidos.

      • Rafael disse:

        O intervencionismo e a exploração ocorrem exatamente onde são oferecidas condições propícias para tal. Democracias frágeis ou inexistentes, governos corruptos, povo inculto etc.

      • Colorado SC disse:

        Interferência externa uma pinóia
        Cultural

      • O Haiti, é bom lembrar, tornou-se independente através de uma revolução de escravos (incultos?), uma derrota que a França nunca aceitou, tanto que intervém no país até hoje, e que impôs ainda, entre outras barreiras, uma dívida absurda de independência! Pode-se ter uma intervenção para desenvolver um país, como ocorreu no Japão e na Coréia do Sul, como para sabotá-lo e evitar o seu desenvolvimento. Henry Kissinger manda lembranças!

      • Rafael disse:

        Citar Japão e Coreia do Sul só reforça minha tese.

      • Qual tese? Você, por acaso, está querendo sugerir que o Japão pós-guerra e a Coréia do Sul, se desenvolveram sozinhos? Mais uma vez Kissinger manda lembranças!

      • Rafael disse:

        É ingenuidade pensar que injetando recursos no Haiti teria o mesmo resultado que teve no Japão e Coreia do Sul. E isso Kissinger sabe muito bem.

      • Jorge Nogueira disse:

        Por que você acha isso? Acha que os haitianos são biologicamente incapazes?

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