Verissimo na veia

“Depois da provável cassação da Dilma pelo Senado, ainda falta um ato para que se possa dizer que la commedia è finita: a absolvição do Eduardo Cunha. Nossa situação é como a ópera “Pagliacci”, uma tragicomédia, burlesca e triste ao mesmo tempo. E acaba mal. Há dias li numa pagina interna de um grande jornal de São Paulo que o Temer está recorrendo às mesmas ginásticas fiscais que podem condenar a Dilma. O fato mereceria um destaque maior, nem que fosse só pela ironia, mas não mereceu nem uma chamada na primeira página do próprio jornal e não foi mais mencionado em lugar algum (…)

(…) Contam que um pai levou um filho para ver uma ópera. O garoto não estava entendendo nada, se chateou e perguntou ao pai quando a ópera acabaria. E ouviu do pai uma lição que lhe serviria por toda a vida:

– Só termina quando a gorda cantar.

Nas óperas sempre há uma cantora gorda que só canta uma ária. Enquanto ela não cantar, a ópera não termina.

Não há nenhuma cantora gorda no nosso futuro, leitor. Enquanto ela não chegar, evite olhar-se no espelho e descobrir que, nesta ópera, o palhaço somos nós”.

(Luis Fernando Verissimo, na coluna Ri, Palhaço, na edição dominical de O Globo)

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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9 respostas para Verissimo na veia

  1. Otavio disse:

    Caro Mario Marcos,
    Sei que não está diretamente associado ao tema do post, mas é uma dúvida que tenho ao ver suas opiniões recentes sobre o impeachment:
    Qual era seu posicionamento na época do impeachment do Collor?
    Você acha que ali foi cometido um golpe contra a democracia?
    Lembro que ele veio a ser inocentado pelo STF, configurando uma condenação meramente política.

  2. Miguel disse:

    Tenho pra mim que Cunha não será absolvido para dar mais veracidade aos ares de imparcialidade e justiça que tentam dar ao ato. Se for absolvido, bem, daí então, estarão tirando a máscara e nem se importando mais em camuflar.

  3. Sempre admirei Luis Fernando Veríssimo pelos seus artigos, mas ao se posicionar politicamente vejo que o que temos em comum é apenas o mesmo time que torcemos.

  4. Kiko Marques disse:

    “O Brasil não é um país sério.” Um país que não deu certo.

  5. Volnei disse:

    Palhaços, são os que votaram nessa corja que ali está. E viva o militarismo.

  6. Rafael disse:

    Até que a gorda cantou bem ontem, mas isso não está em questão.

  7. Maurício disse:

    Dfícil é ver [entre outros] o Jucá ali na ‘banca’, depois do ‘diálogo’ divulgado.
    Fico pensando que tipo de brasileiro consegue fazer vista grossa pra essa barbaridade.

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