As últimas do Papa

O papa Francisco tem surpreendido desde que assumiu o lugar de Bento XVI no comando da Igreja Católica. Além de resistir às tentações das mordomias, de morar com outros padres e bispos, ele revela preocupações sociais e parece disposto a deixar claro, em cada entrevista e discurso, que está muito longe do padrão conservador de dois antecessores.

Vejam duas de suas últimas manifestações:

“Eu vejo sofrimento aqui. Isso os enfraquece e rouba a esperança. Perdoem-se se usar palavras fortes, mas onde não há trabalho não há dignidade. Não queremos esse sistema econômico globalizado que nos faz tão mal. Homens e mulheres têm que estar no centro como Deus quer, não o dinheiro. O mundo passou a idolatrar esse deus chamado dinheiro”

(Em um discurso improvisado, depois de deixar seu texto preparado de lado, diante de 20 mil pessoas, muitas delas desempregadas, na Sardenha, no domingo)

“Minha forma autoritária e rápida de tomar decisões me fizeram ter problemas sérios e a ser acusado de ultraconservador. Tive um momento de grande crise interior nos tempos de Córdoba. Nunca fui certamente como a beata Imelda (jovem religiosa italiana morta aos 13 anos, em êxtase durante a Primeira Comunhão), mas jamais fui de direita”

(Em longa entrevista ao jornal Civiltá Cattolica, dos jesuítas, ao falar de sua carreira e contestar algumas acusações feitas por seus críticos na Argentina)

Neste ritmo, vou acabar virando fã de Francisco.

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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26 respostas para As últimas do Papa

  1. Edynho disse:

    Creio que o papel de um líder religioso tão importante como o Papa deva ser esse mesmo,de ser uma pessoa mais aberta ao diálogo e aos problemas da humanidade,ao invés daquela imagem autoritária de seus antecessores:”Não pode isso,não pode aquilo”.

    • marianomonkey disse:

      É natural nos fiéis católicos a ânsia de interpretar no sentido mais bonito possível as palavras dos papas, cardeais e teólogos, as discussões dos Concílios, etc. etc., mesmo quando seu conteúdo sugere ao menos um fundo de escândalo. É natural até forçar um pouco o sentido das palavras para afastar suspeitas atemorizantes, por medo de dividir os fiéis. Mas foi só a partir de 1962 (Concílio Vaticano II) que os católicos foram induzidos a entregar-se a esse exercício com dedicação cada vez maior, em vez de exigir das autoridades eclesiásticas que falem claro e pratiquem o “Sim, Sim, Não, Não”. Meio século dessa auto-anestesia piedosa já é o bastante. Já em fins da década de 60 Gustavo Corção arrependia-se amargamente de ter forçado até o último limite sua capacidade de adoçar o veneno eclesiástico. Leiam “O Século do Nada”e verão a dor, o sofrimento horrível do crente sincero que, de repente, percebe ter ajudado os outros a enganá-lo por muito tempo. Chega de tolerância para com a ambigüidade. Temos o dever e o direito de exigir isso não só do Papa, mas de todo o clero.
      Se o Papa quer que o compreendamos no sentido da doutrina tradicional, ele que se explique em termos claramente compatíveis com ela; que pare de se arriscar com figuras de linguagem temerárias, que lançam a dúvida no coração dos fiéis. Não faltam jornalistas e escritores católicos habilitados para ajudá-lo nisso.
      Qualquer que seja o caso, a Igreja não tem a obrigação se seguir o espírito dos tempos, mas de criá-lo. Ela é Mãe e Mestra, não filhinha e discípula. Ela tem de ser mais veloz que o mundo, ir adiante dele e conduzi-lo, e não deixar-se arrastar por ele. O que estou falando é o contrário de qualquer imobilismo tradicionalista. É a auto-renovação autônoma de uma Igreja que não recebe ensinamentos do mundo, mas o sobrepuja, transcende, abarca e domina espiritualmente. Ela tem de ser superior ao mundo, em conhecimento, iniciativa e criatividade. Non ducor duco.

      • Fernando Martini disse:

        Concordo contigo Mariano. Em tempos de dúvidas, a Igreja seria um grande amparo se muito clara ao falar. Maldade para interpretar é o que não falta. Claro que todos o amor de Deus é para todos, mas não é preciso que se aceite o casamento homossexual para se amar os homossexuais, para dar um exemplo. O relativismo é um grande problema.
        Jesus amou Maria Madalena como filha de Deus que se arrependia e buscava ao Pai, mas não amou o pecado dela. Não é preciso divagar. Prostituição, pornografia, homossexualismo, aborto, violência, roubo, mesquinhez, vaidade… Tudo isso é pecado, e todos nós pecadores. A Igreja tem de acolher ao pecador, mas não o pecado. Todavia, não é possível que desejar que a Igreja tolere o homossexualismo, sob a alegação que é uma forma de amor. Nem que a Igreja aceite a morte de fetos. Nem que a Igreja aceite o sexo sem a finalidade última da reprodução. E veja como soa anacrônico, sexo para reprodução… parece loucura não? Isso não quer dizer que a pessoa necessite ser perfeita para afirmar que o pecado é mau.

        Quando o Papa diz que ele também peca, porém, não faltam meia dúzia de milhares de mal intencionados para dizer que ele não é infalível, ou que temos que ter mais tolerância ao pecado. Não vou nem estender a questão porque seria extenso demais, mas enfim, o mal de tudo isso é relativizar a virtude e o que é aceitável, como se todos caminhos levassem a Deus, quando Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai senão por Mim.”

        Se o Papa parar de falar que devemos acolher os pecadores, estaremos nos tornando uma Igreja dura no coração. Mas se o Papa disser que devemos ser tolerantes aos pecados, aí a vaca vai pro brejo!!! Enquanto isso, a Carta Capital publica artigo exaltando as reformas progressistas do Presidente do Uruguai, casamento gay, aborto e legalização de drogas.
        http://www.cartanaescola.com.br/single/show/183/por-que-o-uruguai-nos-surpreende-
        E, absurdo dos absurdos, um tema que choca adultos, é proposto para ser trabalhado em sala de aula!!! Coloca o Uruguai como modelo da virtude e ainda defende que essa sim é a postura de um governo laico. Pode até ser, mas levar isso para sala de aula? Ser laico não pode afetar a liberdade de crença, e como pode ser considerado respeito a todos credos debater aborto, drogas e homossexualismo em sala de aula? Que o estado trate a todos como iguais, eu não acho errado, mas deixe as crianças serem educadas pelos pais nessas matérias de foro íntimo. Mas já estou divagando…

  2. Mogar disse:

    Eu simplesmente estou encantado principalmente pelas atitudes do Papa Francisco. De catolico aposentado agora passo a prestar atencao na redencao que ele esta promovendo no que tange a simplificacao e na proposta pratica das acoes da multinacional e globalizada igreja.
    Vida longa ao papa.

    • marianomonkey disse:

      Não me toca essa conversa adocicada de que o Papa quer converter todo mundo por meio do “amor”. As palavras dele não ajudam nenhum homossexual ou abortista a converter-se, mas fortalecem DIRETAMENTE o movimento gayzista e abortista. É IMPOSSÍVEL que alguém em seu juízo perfeito não perceba esse efeito imediato e incontornável.

      • marianomonkey disse:

        Sonhos contra fatos. Ele pode conquistar muitos fiéis… para a Igreja da Nova Ordem Mundial.

      • Edynho disse:

        Tenho lido bastante sobre essa Nova Ordem Mundial,e devo admitir que muitas coisas se encaixam e estão realmente acontecendo.
        Abraço.

      • mariomarcos disse:

        Curioso: nenhuma das declarações do Papa destacadas por mim fala em aborto, homossexuais e outras questões dos últimos tempos. Alguns de vocês é que estão obcecados pelos temas e trazem para discussão até quando eles não estão no post. Nova ordem mundial, dissolução da família…Exageraram na viagem.

    • Milton disse:

      Ah desculpa, pensei que a pecha de ultraconservador se referia ao tempo que o santo padre trabalhava numa fabrica de carne em conserva e sardinhas em Buenos Aires.

  3. Fernando Martini disse:

    Por ser católico, sou naturalmente a favor do Papa.
    Acredito que ele se expresse com espontaneidade, sem a necessidade de seguir uma agenda específica. Infelizmente a parcialidade dos meios de informação é tanta que, hoje em dia, é difícil as notícias não chegarem com opiniões venenosas e proselitas. Seja de direita ou esquerda.

    Se o Papa não fala com veemência contra a agenda gay, abortista e das drogas, é porque ele é progressista/comunista. Se o Papa diz que o mundo é materialista, é comunista! Se ajudou alguém durante o governo militar argentino é porque ele é ditador.

    Com um pouco de boa vontade é possível entender que as declarações do Papa são simples. Que é mais importante amar ao próximo, seja ele o que for. Jesus não condenou a Maria Madalena por ser prostituta, mas isso não quer dizer que isso era uma licença para se prostituir. É capez de aparecer gente “interpretando” isso como uma justificativa para a marcha das vadias. Dizer que a primeira vadia foi Maria Madalena… e coisas do tipo. Mais ou menos como tentam fazer alguns teóricos da libertação. Para mim é misturar idéias distintas desde o início.

    Entretanto, não é possível querer condenar os Papas antecessores por sua conduta mais conservadora, afinal, o Papa tem que conservar os princípios da Igreja. Cada um a seu modo. Olhando de forma pragmática, para que não está tão interessado nas questões teológicas e quer ver a Igreja atuando contra as misérias, pode parecer que foram Papas menos humanos, só que não é possível negar o carisma de João Paulo II ou a perfeição teológica de Bento XVI.

    Dizer que ele é mais humilde do que os antecessores é muito controverso (e não digo que alguém o tenha dito no blog), afinal, qual Papa foi mais humilde do que Bento XVI ao abdicar do papado? Por mais que ele tenha feito por pressões desconhecidas, como afirmam algumas fontes eivadas de segundas intenções, não é possível deixar de reconhecer que ele abriu mão da tais mordomias, passando a morar em um mosteiro, como sabemos. O outro, suportou as dores da sua doença, que lhe exauriu as forças no fim da vida.

    Sinceramente, os três últimos Papas, que são os que pude observar em minha vida, são exemplos de virtude, cada um ao seu modo. É inegável o carisma com que o Papa Francisco tratou o povo brasileiro, e quantas pessoas afastadas da Igreja Católica tiveram a chama da fé reacendida durante a JMJ? Infelizmente há quem distorça os discursos do Papa para suas causas, e há aqueles que se apressam em condenar suas idéias, simplesmente por que as achou “modernas”, como foi o caso do Reinaldo de Azevedo, apesar de que teve a sensatez de publicar uma nota de um outro jornalista que apresentou um ponto de vista diferente do anteriormente exposto pelo Papa.

    • Ernesto disse:

      Parabens. Escreveste ate pouco para explicar o muito que muitos, por razoes obvias, nao querem ver.
      Mas isto e um problema intimo das pessoas, que em muitos casos querem negar-se a si mesmos. Quando procuramos as formas “alternativas”, nos perdemos. Os Papas, de um modo geral, com mais intensidade ou nao, com mais oportunidade ou nao, tem cumprido seus papeis diante desta sociedade mundial, hoje, globalizada, em serem um norte, serem os pastores daqueles que se perdem no caminho “longo da vida” (visto que nao vieram para os que fazem parte do rebanho e se mantem no rebanho, mas sim, como Cristo, vieram para aqueles que se desgarraram).
      Ha erros? Sim. Como tudo que e humano, ha imperfeicoes. Mas com um pouco, so um pouco de tolerancia, de compreencao, admitiremos que fazem um belo trabalho a nivel mundial. Nao ha como se exigir que olhem particularidades, pois o sao, para serem de TODOS.
      MM, se tens muitos idolos, podes incluir mais um, porque idolos vao e voltam. Nesta vida ha as coisas perenes e as efemeras. De quais voce prefere?

      • marianomonkey disse:

        Não tenho dúvidas do que está acontecendo. Os poderes deste mundo estão implantando à força um projeto completo e abrangente de civilização, onde o Estado, associado a meia dúzia de grandes grupos econômicos, terá o controle total da sociedade. O maior número possível de famílias será dissolvido (nos EUA já são 50 por cento), reduzindo as massas um aglomerado de indivíduos atomizados, sem ligações orgânicas, só associados por justaposição mecânica regulamentada, isto é, pela mediação do Estado, vivendo num estado de permanente excitação sexual e alucinógena sem descanso possível, enquanto apenas 10 por cento da população trabalham para sustentá-los. Esse é o projeto. Gayzismo, abortismo, ecologismo e todos os movimentos de esquerda não são senão instrumentos para realizar o projeto. O livro do Malachi Martin, “Windswept House”, descreve o esforço da elite globalista para integrar e usar a Igreja como instrumento desse projeto; esforço que, no tempo de João Paulo II, já estava quase vitorioso. Amoldar a Igreja aos “valores da nova civilização” é parte integrante desse projeto, e é IMPOSSÍVEL que o Papa não saiba disso.

  4. INTERminável COLORADO disse:

    O que deve ter de Bispo e Cardeal torcendo o nariz Mundo afora com as idéias do Papa, não deve ser mole. Para o bem dele, que abra os olhos e veja onde pisa, pois vai criar muitos inimigos no Vaticano…

    • Sem querer criar polêmica com o amigo, mas tomara que ele não olhe por onde pisa, tomara que siga o que acredita sem temer retaliações. Até pq, se o Papa não puder falar e seguir o caminho em que acredita, quem poderá fazê-lo?
      PS: isso não quer dizer que acredito em tudo em que ele acredita.

      • marianomonkey disse:

        A primeira obrigação, já não digo só dos filósofos, mas a de todo intelectual público, é julgar as coisas com implacável apego aos fatos e aos critérios de inteligibilidade, sem concessões à moda, à opinião chique, a algum fundamentalismo ou ao que quer que seja. Se Jesus diz que quem não crer n’Ele morrerá em pecado, e o Papa Francisco diz que não é preciso crer em Jesus para alcançar a salvação, recusar-se a enxergar aí uma contradição flagrante é o que poderíamos chamar fundamentalismo papista, que sobrepõe a opinião do Papa à letra expressa dos Evangelhos. Por outro lado, enxergar essa contradição não implica necessariamente uma acusação formal de heresia, como poderiam pretender os tradicionalistas (o Brother Dimond, por exemplo), mas implica, sim e incontornavelmente, a admissão de um escândalo.

      • Alguém por favor pode acender a luz?

  5. Carlos disse:

    Mário Marcos pode virar fã porque ele merece.

  6. Marcião disse:

    Eu acredito que esse modo do Francisco ser, é por ele ser um Papa Sul americano
    Os outros Papas viviam na Europa. Pelo que sei a Europa é um continente diferente do nosso.

    Francisco está agradando a nós brasileiros? sim muito!

    Mas ele conhece e sabe muito bem como se sente um latino americano, suas dificuldades, o que um trabalhador passa por dia para cuidar da sua família.
    Até porque, é na América, e na Africa que a Igreja mais convive com a desigualdade social.

  7. Claudio disse:

    Concordo com a opiniao de Fernando Martini, Sou fã deste papa.

  8. Luiz Martini disse:

    A rigor me importo pouco, quase nada com religião, qualquer uma.
    Na maioria são crenças bastante limitantes. Mas respeito quem pertence a qualquer uma.
    Só acho que a “religiosidade” de cada um deve estar mais dentro de si mesmo e transparecer através de seus atos.

    Porém, reconheço a importância do Papa no sentido de dar diretrizes, já que muita gente o segue.
    E neste sentido fico feliz com as colocações [sinalizações] dele. Estava mais do que na hora de a Igreja Católica modernizar-se um pouco que fosse.
    A passagem do antecessor nazista para mim foi nefasta!

    E ele que se cuide, a CIA já deve ter grampeado tudo no Vaticano.

    Também eu, MM, acabo virando fã.

    • frederico disse:

      acusação infundada, não estamos gravando nada no vaticano…até porque o alvo não seria um comunista empedernido…é mais provável que quem faça isso seja a concorrência, a gru

    • Fernando Martini disse:

      O mais importante, na minha opinião, é que o Papa seja o pastor. Mais que pastor, pescador. Concordo com o Marcião que estamos observando mais a parte cultural do Papa, que, por ser latino, é muito mais parecido conosco.

      Sobre essa tua opinião da religião estar dentro de si, é um dos pontos que o Papa Bento XVI discorreu. “Atualmente no mundo de hoje em dia”, é normal que procuremos entender as coisas através de nossa percepção e questionemos as informações que recebemos, até por conterem muitas contrariedades. É aquela velha história, qual o sentido da vida? Deus existe? Qual a religião verdadeira? Daí temos as reflexões filosóficas e tal e coisa. Desde sempre houve quem não acreditasse em Deus, mas de uns séculos para cá, a visão imanentista de que a realidade é o que o homem percebe, na medida em que percebe e com o relativismo em que tudo depende do ponto de vista, Quem já não se questionou sobre Deus? Quem já não sentiu que a vida é uma jornada que parece não ter sentido? Lembro de dois filmes que vi, “Zeitgeist” e “Um pálido ponto Azul”, este último de Carl Sagan. Ambos me deixaram um tanto quanto desamparados, num sentido de questionar a fé de uma forma contundente. Passei a “torcer” para que Deus existisse. São tantas dificuldades para que tenhamos fé… Há tanto depondo a favor e contra cada ponto de vista… Só que a vida segue, e graças a alguns religiosos, entre eles o Papa Bento XVI e o Papa Francisco, senti que a Igreja Católica seguia sendo a morada na qual minha fé encontra amparo e refúgio.

      Mas penso que todos os últimos três Papas tentaram, e o Papa Francisco ainda tenta, levar o amor e a palavra de Jesus ao mundo, cada um a sua maneira. O que pensamos é indiferente, afinal, quem somos nós para julgar, não é mesmo?

      Agradeço ao Mario Marcos pelo post, graças a ele tive alguns momentos pensando em Deus, pensando nas palavras do Papa e me despertando a curiosidade de ler mais sobre o Papa. Não sou dos maiores leitores de documentos do Vaticano, mas perdi (ou ganhei) cinco minutinhos para acessar o site da Santa Sé e li a Encíclica Papal “Lumen Fidei”, que penso ser a única publicada pelo Papa Francisco. Peço antecipadamente desculpas ao nosso amigo blogueiro, mas peço a permissão de transcrever um pequeno trecho da parte introdutória. Escreve o Papa:
      – O jovem Nietzsche convidava a irmã Elisabeth a arriscar, percorrendo vias novas (…), na incerteza de proceder de forma autónoma. E acrescentava: Neste ponto, separam-se os caminhos da humanidade: se queres alcançar a paz da alma e a felicidade, contenta-te com a fé; mas, se queres ser uma discípula da verdade, então investiga . O crer opor-se-ia ao indagar. Partindo daqui, Nietzsche desenvolverá a sua crítica ao cristianismo por ter diminuído o alcance da existência humana, espoliando a vida de novidade e aventura. Neste caso, a fé seria uma espécie de ilusão de luz, que impede o nosso caminho de homens livres rumo ao amanhã.

      Como disse é parte da parte introdutória, mas penso que é suficiente para aguçar a curiosidade dos “filos da filosofia”. Nietzsche é a seu modo corajoso e extremamente sagaz, mas terá ele, de fato capacidade para nos dar sentido a vida? Como tu mesmo disseste Luiz, é uma questão interna, antes de mais nada, mas a visão transcendental de que Deus é vivo me dá esperança.

      Sobre o Papa Bento XVI, penso que se houvesse provas comprometedoras de sua imagem e conduta, elas já teriam sido expostas. Não quero com isso insinuar que ele é perfeito, ou mesmo que a Igreja seja, isso é fato de que não é verdade, mas antes de te apegar nas notícias difamatórias, tente ler o que o mesmo escreveu, antes de fazer uma crítica preconceituosa, chegando a chamar de nefasta a passagem do “Papa nazista”. Como diz o outro, maneira no LSD…

      • marianomonkey disse:

        Esse é o papel da Igreja: proclamar profeticamente a palavra de Deus. Ainda quando o mundo a rejeite. Ainda quando grupos de pressão a ataquem. Ainda quando os cristãos sejam perseguidos. Se a Igreja for pop, por certo estará traindo o Cristo Jesus. Ele que não foi pop, não veio para fazer sucesso e ser compreendido. Ele não quis se fazer compreender; quis antes de tudo converter.

    • Milton disse:

      Essa acusacao vil e covarde contra Bento XVI mostra um pouco da indole desse cidadao. No dia que virares completamente fa do santo padre, comecarei a olhar o Papa com desconfianca. O mesmo vale para o Mario, dadas muitas opinioes suas (Teologia da Libertacao, por exemplo). No mais, eh impressionante essas inquisicoes contra o papa sobre gayzismo, aborto, celibato. Por que sera que todo assunto da igreja se resume a isso? Uma instituicao do tamanho da igreja catolica, com os desafios que ela tem pela frente, sera que esses assuntos tem tanta relevancia assim pra serem abordados tao seguidamente? Isso eh um assunto de relevancia da igreja ou da imprensa? Se nao eh nem dos fieis catolicos, como pode ser da cupula da igreja? Lembro quando da escolha, era so esses assuntos que falavam, como se a igreja se resumisse a isso. Uma instituicao com o numero de instituicoes de caridade, com o numero de instituicoes de ensino no mundo todo, com os desafios que tem pela frente, sera que esses assuntos estao sequer na pauta da igreja, ou eh apenas a imprensa que teima em traze-los a baila? Embora, a entrevista nao tenha sido dada pra imprensa comum, ve-se claramente uma resposta a todos os veiculos. E mais impressionante ainda, como a imprensa tenta envereda-lo, obriga-lo, ate mesmo, pelas perguntas, a dizer que ele nao eh conservador, de direita (seja la o sentido que aplique a esse termo). Eh claro que ele eh conservador, ainda bem, mesmo porque o sentido de liberal que muitos querem jamais verao a frente da igreja, para o bem de todos. Por fim, a esse cidadao acima, posso garantir, que nefasta eh sempre a tua passagem por esse espaco.

  9. José Martins Do Carmo disse:

    Mário,por ocasião da jornada mundial da juventude no Rio,tive a oportunidade de assistir à entrevista dele para a Globo.Ele foi tão espontâneo,de uma maneira que eu jamais vira em outro papa,que me tornei fã instantaneamente dele.Tenho sérias restrições à ígreja católica.Mas estou quase me reconciliando com ela.

  10. Bagual, o original disse:

    uma coisa ele tem de bom, é carismático. o que faltava no seu antecessor.

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