A conta da crise fica para os mesmos de sempre

Para enfrentar a crise, o governo espanhol anunciou – sob protestos – um novo pacote, incluindo aumento de impostos, corte de bônus de Natal para os funcionários públicos, redução de salários, achatamento das aposentadorias, entre outras medidas.

Ou seja: a conta pelos descalabros do chamado mercado, aquele ente superior que controla tudo, será paga pelos mesmos de sempre. Foi assim nos EUA, no auge da crise, na Inglaterra e em muitos outros países. Na hora do aperto, todos pedem socorro ao Estado – e a conta vai para os menos favorecidos.

A população espanhola, que não dirigiu bancos nem especulou com ações, tem toda a razão em ocupar as ruas para protestar.

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Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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58 respostas para A conta da crise fica para os mesmos de sempre

  1. João disse:

    Concordo com você mas… Não podemos esquecer de que quem gera empregos são as empresas, não os governos como propalado por esses pagos. O problema é que taxar e criar imposto nunca é visto como algo popular. É óbvio que os grandes empresários são beneficiados, mas também é óbvio que eles mantêm a economia ativa, gerando ou não empregos. O que precisa ser feito é o que foi feito no Brasil dezoito anos atrás: rigidez fiscal e fiscalizatória para que casos como os das subprimes não ocorram novamente.

    • Frederico disse:

      Im Westen nichts Neues….como já disse erich maria remarque

    • Jonas K. disse:

      Eu me recordo, eu estava em início de carreira: todo mundo reclamou, inclusive os que iriam pagar a conta depois. É claro que com o juro que se paga hoje, banco nenhum quebra no Brasil por mais que queira, mas, com certeza, a regulamentação feroz de alguns anos atrás, mais os juros usurais, nos dá a solidez de hoje. Senão a vaca já tinha ido pro brejo já na marolinha do Lula…

      Deixa eu discordar um pouco MM: o governo da Espanha sempre gastou muito mais do que arrecadou e agora está completamente quebrado, não consegue sequer financiar seu funcionamento. Esta história não tem muito a ver com o mercado não. Tem a ver com as reformas que foram feitas em países como a Alemanha e a Inglaterra que mantiveram as contas no lugar (aqui no Brasil também é assim, afinal com este imposto que pagamos…). Grécia, Itália, Espanha, Portugal e França (países que estão agora em dificuldade) seguiram o modelo antigo, pagando benefícios fora da realidade, sustentando toda uma classe de pessoas que se jogavam por algum tempo nas cordas do governo, cobrando impostos de menos e gastando dinheiro demais com coisas que não geravam mais impostos. Agora, esta política está cobrando a conta e o remédio é muito mais amargo do que seriam as reformas.

      • Guilherme Lajeado disse:

        Exato.

        Se não fosse o Proer do “neoliberal” FHC sabe-se lá hoje onde estaríamos… Gênio deve ter sido o Sarney que decretou a moratória no maldito Mercado e nos presenteou com “anos dourados” depois…

      • Jonas K. disse:

        Eu rio até ficar sem ar toda a vez que leio ou ouço que o FHC era/é neoliberal.
        hehehehehe

      • Guilherme Lajeado disse:

        Quem dera fosse mesmo…

      • MARCOS - AM disse:

        Quem dera mesmo, pois o neo liberal mantém uma economia benéfica ao seus trabalhadores na “casa deles” enquanto explorava os trabalhaores de outros países. O que aqui nem de longe aconteceu.

  2. Guilherme Lajeado disse:

    E quem paga a conta pela ineficiência do Estado? Ora, são os mesmos também! A direrença é que no “malvado” mercado, a maioria das vezes as pessoas assumem riscos, e como exposto acima por outros, trazem retorno a economia como um todo. E o custo da ineficiência estatal é muito maior (e paga todos os dias!)…

    E um detalhe, cortar “bonus” de Natal do funcionalismo público é algo que não deveria ser combatido e sim comemorado. Afinal, quem paga isso é o contribuinte. Então que se reduza o custo e o tamanho do Estado, assim será possível a tão desejada redução de impostos.

    • tiago disse:

      É isso aí. Antes cortar “bônus de Natal” de funcionário público do que ficar sustentando CC’s e funcionários fantasmas ou que não cumprem a jornada (como aquela tiazinha que trabalha só de manhã na AL e tem salário de desembargador), e que ainda chiam ante a possibilidade de divulgação de seus vencimentos.

      • mariomarcos disse:

        O que tem a ver o texto com distorções como esta citada por ti?

      • tiago disse:

        O que tem a ver o texto com as distorções citadas por mim? Simples: em ambos os casos, a conta cai no colo dos contribuintes, seja dos mais ou dos menos favorecidos. E, na minha opinião, é mais salutar para a economia como um todo que estes recursos públicos sejam utilizados para evitar um aprofundamento de uma crise financeira do que para bancar algumas dezenas de milhares de reais por mês para uma tiazinha com ensino fundamental passear na praça com seu cachorrinho em horário de expediente (este é apenas um exemplo pontual, certamente temos outros inúmeros casos de gente pouco qualificada ganhando muito no serviço público para fazer pouco ou quase nada).

      • mariomarcos disse:

        Mantenho o que disse: a tal tiazinha, que é uma distorção específica, não tem nada a ver com o debate. Assim como não tem nada a ver esquerda ou direita.

      • tiago disse:

        Bom, também mantenho o que disse: a tal tiazinha certamente eh uma distorção, mas acho pouco provável que seja tão especifica assim. Só deu azar de sair no jornal, muitos outros devem fazer igual ou ate pior. O seu caso eh emblemático do mau uso do dinheiro publico que, mais cedo ou mais tarde, cobra o seu preço. Seja no brasil, na Grécia ou na espanha. Ah, e em momento algum citei direita ou esquerda, não tenho por objetivo puxar este debate para o campo político ou ideológico.

    • eduardob disse:

      pois é, a gm, “gigante”, sempre me pareceu indestrutível. aí “se arriscou”, “na coragem” do mercado e quem salvou a pele dela? na boa, certo que os governos usurpam, os investimentos são mal direcionados, existem funcionários incompetentes, etc. mas achar que o “mercado livre” é bom, que a organização “se dá ao natural” já mostrou aonde leva…

      • Guilherme Lajeado disse:

        Aonde leva? A crise em alguns momentos? Mas pega a evolução da sociedade capitalista como um todo… Ou pega casos específicos (Hong Kong, Cingapura, até a própria China…)

        E a questão de salvar a GM não é só econômica, mas também política e social! E se tu for analisar o “custo” real é extremamente baixo… Muito mais “barato” do que qualquer outra saída. Aliás, quem sustenta o Estado? Com certeza grande parte é a GM…

        E o estranho é que no Brasil a maioria é a favor do dinhero subsidiado do BNDES… Como se isso não fosse um repasse do Estado para determinadas empresas… É algo semelhante a “socorrer” alguém na crise. Está devolvendo as empresas o que já tirou delas. É o que o Estado mais sabe fazer, tira através de impostos, depois devolve eventualmente, fingindo que está fazendo um “favor”. Por isso eu acho que não deveria tirar, daí não precisa devolver!

    • mariomarcos disse:

      Não me importo de contribuir com bônus de Natal. O que me incomoda é salvar banqueiros e afins. No fim das contas, socorridos pelo dinheiro do Estado, eles continuam recebendo seus bônus generosos. Prefiro dar para os funcionários. Mas todos estão livres, claro, para escolher o lado que acharem melhor.

      • Jonas K. disse:

        MM, essa é uma faca de dois gumes: se você não salva o banqueiro, o correntista médio vê suas economias sumirem, somem empregos e a sociedade fica mais pobre. O que deveria ser colocado, são mecanismos de controle: afundou o banco? rua e responde por isso administrativamente. Mas isso não acontece, infelizmente. O que não dá é pra deixar o correntista médio sem um tostão. Isso seria catastrófico.

      • mariomarcos disse:

        Evidente, não quero o fim dos bancos. Até porque o pouco dinheirinho que eu tenho costuma ficar lá. Quero é exatamente isto que defendes: punição e não afagos.

      • Guilherme Lajeado disse:

        Ao invés de dar para o funcionários (que muitas vezes – para não dizar na maioria das vezes! – não merecem bonus nenhum) prefiro que este dinheiro fique com o contribuinte. Nada mais justo!

        E não se salva os banqueiros, e sim o sistema bancário! Quem for um mal administrador deve ser punido, conforme a lei.

      • eduardob disse:

        quanto a salvar o banqueiro, temos a experiência da islândia. tu pode me dizer que é um caso isolado e tal. eu concordo. é um caso isolado porque em outros lugares não tiveram culhões para tentar algo do tipo. eu vejo isso de uma maneira simples (talvez até simplista). o itaú (ou qualquer outro banco) divulga recorde de faturamento a cada ano. quando tu vai pagara uma conta, tu vê melhoria? a fila diminui a cada ano? a taxa que cobram decresce de acordo com o faturamento? pois é. aí tu vê quem paga pelo recorde.

  3. Marcus disse:

    Para entender o que o Mario diz sugiro que vejam o vídeo “Money as debt”. Está no Youtube e tem legendas…

    abs
    Marcus

    • Vítor disse:

      Legal o vídeo, Marcus! Obrigado!
      Muita gente aqui discutindo direita e esquerda, PT’s e PSDB’s e mal sabem de onde vem e para onde vai o nosso dinheiro! Mas no fim das contas a culpa é sempre do Governo, como se o governo fosse composto por alienígenas. Penso que qualquer sistema que seja implantado será bom, ruim são os seres humanos, somos muito egoístas!

      • mariomarcos disse:

        Perfeito. Não é a ideologia, à direita ou à esquerda, o problema, mas os homens. Há pouco vi no You Tube o trecho de uma entrevista do sérvio Petkovic ao programa da Ana Maria Braga. Lá pelas tantas, movida por aquela velha imagem colada na cabeça de certas pessoas pela guerra fria, ela perguntou ao Petkovic sobre a vida na antiga Iugoslávia, do comunista Tito, e o induziu claramente a dizer que era um inferno. O Petkovic, para surpresa dela, disse que não. Antes havia conforto, segurança, vida boa. Ela não soube o que dizer. Na visão de muitos, algo assim dito por qualquer um de nós seria um sacrilégio, mas o Pet viveu lá, sabe mais do que qualquer um. Usei este exemplo só para concordar contigo. É o ser humano que estraga tudo.

  4. Hugo disse:

    Nas duas maiores crises que ameaçaram sua existência – 1929 e 2008, o regime capitalista foi se socorrer no Estado.

    Só mesmo parafraseando o Menotti para definir o quão bom é o capitalismo, quando se referiu à imprensa: “los invictos”…

    • Guilherme Lajeado disse:

      Ok! Então me dê uma alternativa melhor…

      • MARCOS - AM disse:

        Deixa quebrar! Ao contrário do que tu pensas, o Mundo sempre evoluiu quando entrou em crise, ou pela revolução. Assim novas idéias foram postas em prática. Na verdade, se olhares para o povo, aquela maioria, no mundo, que pasme, ainda é miserável, verás que o capitalimo trouxe desenvolvimento, sim, mas ainda não aprendeu a divir seus benefícios. Aliás, ele depende da miséria a ser explorada para manter a riquesa de seus comandos.

      • Guilherme Lajeado disse:

        Muito pelo contrário. O capitalismo depende do CONSUMO, e tu só tem isto dando condições a maioria!

        E esse “deixa quebrar” é muito simplório. O que faz com os correntistas do banco? Que se virem também?

  5. Santiago disse:

    Mais uma vez, os governos esquerdistas fazem uma farra com o dinheiro que não têm e depois querem por a culpa no tal de “mercado”.

    Algém no “mercado” obrigou a Grécia ou os socialistas espanhóis a incorrerem em constantes déficits fiscais, ou esse ‘mercado” obrigou Estados europeus a darem garantias sociais insustentáveis no longo prazo – cujo grande resultado é gerar desemprego, já que o trabahador fica caríssimo graças aos impostos gigantescos? Parece que não..

    Enquanto as esquerdas e o Obama continuam acreditando nas farras de gastos – inclusive flertando com o comunismo – a Alemanha mantém sua política de austeridade e segue com um desempenho brilhante. Não é difícil entender certas coisas, basta que esquerdistas parem de sonhar com a URSS e políticos deixem de fazer populismo com dinheiro que não possuem.

    • eduardob disse:

      caramba, cara. tu já pensou pra que serve um estado? seria para “não interferir” no mercado? alemanha com “desempenho bilhante”? jesusa…

      • Guilherme Lajeado disse:

        O Estado deveria existir para interferir somente no que é realmente necessário, ou seja, onde a iniciativa privada não tem interesse ou não tem como inverstir (um exemplo é a segurança pública). É notório que onde o Estado põe as suas mãos, na maioria das vezes, ou faz mal feito (e cobra dos contribuintes isso!) e/ou a corrupção está presente.

        Eu não prefo o fil do Estado. Mas que este se limite a suas funções fundamentais.

      • Guilherme Lajeado disse:

        * prego o fim

      • eduardob disse:

        pois bem, guilherme. está na nossa constituição, o estado serve para dar garantias aos indivíduos. não aos bancos. o que aconteceu na islândia. não houve nenhuma catástrofe lá. tanto que o mercado se abriu para outros bancos interessados. tá claro que tua opinião diverge da minha. tudo bem. eu fui criança em um “mundo dividido entre capitalismo e socialismo”. depois o “capitalismo triunfou”. depois começou a ser ver que não era bem assim. como o mm falou, enquanto tão faturando, não querem interferência do estado, mas quando fazem as cagadas ( como se percebe naquele documentário “inside job”) querem que os estados os salvem. e conseguem, claro, pois os governos são alicerciados por lobistas.

      • mariomarcos disse:

        Na Islândia, por sinal, os governantes disseram que não pagariam um centavo da dívida, mantiveram a decisão e o país não afundou.

      • Guilherme Lajeado disse:

        Até parece que bancos nunca quebraram no Brasil… Tivemos vários exemplos na década de 90! O governo deve agir não pra salvar o banco em si (e seu administrador!) e sim para garantir os direitos dos correntistas, bem como o sistema bancário como um todo. E quem fizer algo contra a lei, deve ser punido!

        A Islândia é um caso isolado, até pode servir de exemplo em alguns aspectos. Mas é inviável se imaginar a “quebra” de bancos do porte de Itaú e Bradesco sem reflexo no cidadão comum. É neste aspecto que o Estado tem que intervir. E ressalto, sou contra dar dinherio, acho que tudo que for concedido, tem que ser cobrado.

    • mariomarcos disse:

      O que tinha de esquerdista os EUA do Bush quando deu início ao descalabro que resultou na crise de 2008? Tenho visto coisas. Este argumento é semelhante ao que alguns empresários usam em seus artigos: na hora boa, Estado fora; na ruim, culpa do Estado. É o mesmo raciocínio do comentário. Na falta de um argumento lógico, culpa da esquerda, coitada, que nem foi citada no texto. Nem ela nem a direita.

      • Guilherme Lajeado disse:

        A esquerda pode até não ter sido citada diretamente, mas sua posição é claramente contra estas intervenções feitas na Espanha (e na Europa em geral!). Portanto, a bom entendedor, meia palavra basta…

        De qualquer forma, da minha parte não culpo a esquerda (ou acho a direita a salvação!). Como diria Roberto Campos, a burrice não tem fronteiras ideológicas. Acho que cabe o BOM SENSO para ambos os lados. Só que todo mundo que critica o atual modelo, quando assume ou mantém as bases como estão (vide o Lula, maior exemplo disto!) ou faz mudanças que já se provaram infrutíferas em ‘n’ casos.

        Só acho estranho que não se pode “culpar” a esquerda de forma geral, mas o tal do “mercado” (ora, não existe nada mais abstrato que isto!), esse sim, pode ser o vilão…

      • mariomarcos disse:

        Por que criticar o mercado é ser de esquerda? Ou defendê-lo é ser de direita? Esta tendência a encarar tudo do ponto de vista da divisão ideológica é que precisa mudar. Acompanho bem todos estes movimentos e sempre a conta estoura nos menos favorecidos. E ficar revoltado com isso independe de ser esquerda ou direita. É apenas um sinal de bom senso e de humanidade. Acho interessante estes rótulos. Estamos em uma democracia. Em uma democracia, não importa o que este ou aquele pensa porque todos são livres. Por que sempre surge esta tentativa de desviar tudo para o campo ideológico, como se fosse proibido pensar diferente?

      • Guilherme Lajeado disse:

        Veja meus comentários e verás que só usei a palavra ‘esquerda’ respondendo a um comentário teu. E não rotulei nada, nem ninguém, só falei que existem posições ideológicas com seus respectivos pensamentos e ideologias. Mas é óbvio que a generalização é burra.

  6. João Luz disse:

    Meus amigos,
    Vamos lá, entre o Estado e o Mercado eu fico com os dois. Entre Hobbes e Locke, fico com Boa Ventura de Sousas Santos, pois entre o Estado e o Mercado ele pôs a Sociedade Civil.
    Como dizia Max Weber, citando Benjamin Franklin, em seu livro “A Ética protestante e o Espírito do Capitalismo”, tempo é dinheiro. Meu tempo é curto, por conseguinte, meu dinheiro também, por isso nessa rápida passagem , para acalmar o espírito de certos Friedrich´s Hayek´s, vou deixa-los com esse pequeno ensaio do Leandro Salvador.

    Estado Mínimo e a Auto-Destruição do Mercado.

    Este ensaio procurará demonstrar que o culto ao Estado Mínimo e à Auto Regulação do Mercado são premissas nocivas à Sociedade e ao próprio Mercado.
    Nos países pobres o Estado costuma apresentar um alto custo/benefício relativo ao gasto do dinheiro público. Este fato é utilizado como argumento para fundamentar a premissa de que o Estado Mínimo, nestes casos, é a melhor solução para este problema. Existem outras soluções possíveis, mas na ausência de um bom motivo que justifique outras alternativas, a do Estado Mínimo costuma ser bem recebida pela sociedade.
    Epicuro disse que “A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem”.
    Desde as grandes navegações, quando surgiram as primeiras Empresas, surgiu a figura da Pessoa Jurídica. Trata-se de uma versão jurídico-empresarial da Pessoa Física comum, igualmente com direitos e deveres, Leis a cumprir, penalidades…
    A Pessoa Física, por um lado, recebe educação e cultura durante sua formação e, por toda a vida, pode ser acionada pela Justiça caso descumpra as regras estabelecidas pelas Instituições (compostas também por Pessoas Físicas).
    A Pessoa Jurídica, por outro lado, não passa pelo processo educacional, contando única e exclusivamente com os valores das Pessoas Físicas que a constituem. Igualmente, entretanto, está submetida às Leis.
    A teoria do Estado Mínimo parte do pressuposto de que as Pessoas Jurídicas são capazes de, naturalmente, se auto-regularem, num ambiente de Mercado.
    O que desconstrói esta teoria é que o Mercado Livre não é um ambiente regido por regras ou valores morais, mas sim o contrário. Trata-se de uma versão Jurídica da máxima cunhada por Epícuro, ou seja, é o ambiente onde a Pessoa Jurídica está em estado selvagem! (Este parágrafo é a principal premissa deste ensaio.
    A Auto Regulação do Mercado desconsidera o fato de que a vida em sociedade exige a existência de protocolos sociais. Sem regras de convivência, a Pessoa, seja ela Física ou Jurídica, acaba regredindo ao estado selvagem, voltando aos primórdios da Civilização.
    É certo que muitos poderão criar pressupostos do tipo “se a barbárie em que nos encontramos hoje é chamada de Civilização, então talvez seja melhor o estado selvagem”, ou então “os índios vivem em estado selvagem e desfrutam de muito mais paz e harmonia do que nós, civilizados”.
    Verdade seja dita, estamos muito longe de alcançar o nível de Civilização desejado, principalmente nós que vivemos nos países pobres. Nos países ricos, entretanto, o Estado é uma força presente, eficiente, ativa, que regula fortemente a coexistência das Pessoas Físicas e Jurídicas!
    Nos países mais civilizados, não há Auto Regulação do Mercado. Os dirigentes das potências mundiais certamente defenderão o Mercado Livre, não para as suas Pessoas Jurídicas, mas para as dos países comercialmente concorrentes, ou seja, todos os outros!
    O Mercado que se Auto Regula ou, em outras palavras, o ambiente selvagem, interessa apenas a quem detém a força. Na floresta, o Leão beneficia-se das Leis da Natureza. No mar, é a vez do Tubarão. No Mercado, quem será? O Leão e o Tubarão vivem num ambiente natural, já o Mercado foi criado pelos homens, e está longe de atingir o equilíbrio dos ecossistemas naturais.
    A quem interessa defender a lógica seguinte:
    SE o Estado é ineficiente
    E SE o Mercado regula-se melhor sem a interferência do Estado (ineficiente),
    ENTÃO o Estado deve ser Mínimo
    E o Mercado deve se Auto Regular.
    Não seria mais racional defender-se a tese de que o Estado deve ser administrado com mais eficiência, de forma a promover um ambiente civilizado entre as Pessoas Jurídicas, ao invés de defender-se que o Estado dever ser diminuído, de forma a permitir um ambiente selvagem?
    Se o Estado, entretanto, estiver nas mãos de Pessoas Físicas que tenham fortes ligações justamente com as Pessoas Jurídicas mais fortes, num ambiente de Mercado Selvagem, é possível que manter a ineficiência do Estado seja um conveniente argumento para diminuir a interferência do Estado neste Mercado, tornando-o pouco competitivo e privilegiando as Pessoas Jurídicas que, historicamente, tornaram-se mais fortes, mesmo que através de práticas imorais e anti-éticas.
    Afinal, moral e ética são valores possíveis de serem transferidos apenas a Seres Humanos, e não há nada que garanta que as Pessoas Jurídicas mais fortes sejam lideradas por Seres Humanos, com H maiúsculo!
    Daí a necessidade de o Estado estar presente, regular o mercado e criar um ambiente onde a concorrência seja justa, pois a concorrência predatória beneficia apenas o Leão e o Tubarão no ambiente deles. No nosso ambiente não há espaço para Animais Selvagens: eles são abatidos ou ficam enjaulados nos zoológicos.

  7. ELTON disse:

    Primeiro post que vejo sem a grenalização. Isso é uma barbaridade ! Uma vergonha !
    Onde já se viu aproveitar tão mal o post do Mário Marcos e não ressaltar que o Inter
    é o Campeão de Tudo, mas o Grêmio ganhou o mundo primeiro ? Sinceramente eu
    esperava mais do torcedor da dupla…! Como podem falar de economia, finanças,
    governos, ideologias, sem falar nas vantagens de um clube sobre o outro ? Deve
    haver um equívoco nesse 32 comentários.

  8. sandrosaci disse:

    se que o assunto é outro…mas é impressionante o diz-que-diz na mida sobre o Nilmar….chego a seguinte conclusão…a imprensa sabe tanto quanto nós leitores e a informação virou um produto…de camelô.

    • 66colorado66 disse:

      Bah, Saci…eu já não crédito a nada que ouço e leio sobre determinados assuntos.
      Eles misturam informação com especulação e saem dando tiro prá tudo quanto é lado.
      Um tiro vai ter que acertar.
      É um saco.
      Parece que o prazer maior não é por dar a informação correta e sim arrastar a novela prá ter mais assunto prá comentar.
      * Ah sim…quanto ao assunto proposto, o tal mercado adora a liberdade prá faturar. Os que vivem desse mercado e ganham dinheiro não precisam ficar brabos com quem fala isso. Ganhar dinheiro não é crime. Acho que é motivo de orgulho quem consegue enriquecer.
      O chato é que o tal Estado cobrador de impostos e mau prestador de serviços, no final das contas é quem é chamado prá salvar a economia.
      Aí conseguem enxergar utilidade para a cobrança dos impostos.
      É ruím quando sai do meu bolso mas é útil prá me salvar em caso de dificuldade.
      * * O que poderia levar bancos como Itaú e Bradesco a quebrarem se não uma má administração?? Com os lucros exorbitantes que eles conseguem ter, só isso mesmo.
      Hoje esses bancos lucram uma enormidade e seus correntistas não tem vantagem financeira nenhum nisso. Ou seja, a vida deles está garantida daqui até a eternidade.
      Porque já está estabelecido que, em caso de dificuldade, o Estado terá obrigação de salvá-los em nome dos seus correntistas.

    • 66colorado66 disse:

      Tu viu que o que pegou foi a parte do contrato denominada “bônus para o Nilmar custear seus encargos financeiros = percentual do Orlando da Hora.
      Quem empatou o negócio foi o Orlando da Hora, que um verdadeiro chinelo falastrão.

  9. Leandro disse:

    Melhores comentarios que eu ja li nesse blog! Guilherme Lajeado e Santiago com opinioes inteligentes e bem articuladas… E o principal, realistas. Parabens a todos pela discussao em alto nivel.

  10. Vítor disse:

    MM, a “melhor” notícia do dia que li: Demóstenes volta ao MP e poderá ganhar R$ 200 mil!

    Após ser cassado pelo plenário do Senado na última quarta-feira, 11, Demóstenes Torres reassumiu na quinta-feira suas funções de procurador de Justiça no Ministério Público de Goiás. Com a volta ao cargo, ele poderá agora solicitar três licenças-prêmio, num total de R$ 200 mil, mais o salário de R$ 24,2 mil.

    São procedimentos de praxe, segundo promotores e procuradores ouvidos pelo Estado. No caso específico de Demóstenes, quem decidirá se ele receberá ou não as licenças-prêmio será o seu irmão Benedito Torres, que ocupa o cargo de procurador-geral de Justiça do Ministério Público Estadual de Goiás.

    Demóstenes precisou de cerca de 10 minutos, o tempo em que permaneceu na sala 306 do 3.º andar do edifício-sede, para confirmar o retorno ao trabalho no Ministério Público.

    Ele poderá solicitar a ajuda financeira especial por meio da Parcela Autônoma de Equivalência (PAE), um pagamento legal em porções somadas ao salário, que podem variar de R$ 5 mil a R$ 10 mil ao mês.

    A PAE foi aprovada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNPM) com o objetivo de restabelecer o equilíbrio entre os salários dos poderes Legislativo e Judiciário.

    Na rápida passagem pelo órgão, o senador cassado driblou a imprensa que o aguardava na porta do prédio da instituição e não deu entrevistas.

    Demóstenes estava licenciado desde 1999, quando deixou o MP para ocupar o cargo de secretário de Segurança Pública e Justiça de Goiás. Em 2002 ele foi eleito pela primeira vez para uma vaga de senador pelo PFL (ex-DEM). Em 2010, foi reeleito. Sua cassação foi publicada ontem pelo Diário Oficial da União (DOU). Com a cassação, Demóstenes teve seus direitos políticos suspensos por oito anos – a contar do fim do mandato parlamentar, que se encerraria em 2019 -, ficando inelegível até 2027.

    Procedimento. A Corregedoria do MP goiano instaurou procedimento disciplinar para apurar “eventual falta funcional” de Demóstenes. O processo foi instaurado pelo corregedor-geral do órgão, Aylton Flávio Vechi, que já saiu de recesso.

    No Ministério Público, com 300 funcionários, entre promotores e procuradores, há três linhas de avaliação sobre o futuro do senador cassado no órgão. Na primeira, ele será destituído. Na segunda será mantido. Na terceira ganhará uma advertência mas seguirá como procurador de Justiça. Demóstenes já anunciou que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar recuperar o mandato de senador, alengando que as provas foram obtidas ilegalmente.

    A reportagem solicitou ontem à assessoria de imprensa do MP informações oficiais sobre os benefícios a que Demóstenes terá direito, mas não obteve resposta até a conclusão desta edição.

    http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/dem%C3%B3stenes-volta-ao-mp-e-poder%C3%A1-ganhar-rdollar-200-mil

  11. Rodrigo disse:

    Culpar o mercado equivale a culpar a gravidade pelo aviao que caiu…

  12. Guilherme Lajeado disse:

    *Ontem por algum motivo um comentário não entrou aqui (acho que foi culpa do governo!! ou sera do mercado? rs). E como meu comentário não está entrando lá em cima (em resposta ao eduardob) posto aqui.*

    Enfim, no casos dos bancos, quando um Itaú da vida (ou qualquer outro banco privado) tem recorde de lucro, quem paga isso? Paga quem quer, afinal ninguém é obrigado a ser correntista daquele banco. Caso um tem a liberdade de escolha, conforme a qualidade/custo dos serviços.

    Já quem paga um eventual prejuízo de um BB, CEF, ou qualquer empresa pública?? É o Tesouro, ou seja, os contribuintes como um todo, que neste caso NÃO tem opção de fugir… Justo??

    Aliás, foram estes rombos no Tesouro, causados em grande parte pelas estatais até o final de década de 90 que alimentavam, em parte, a inflação, afinal, não tendo dinheiro, o governo fazia o que?? Emitia moeda! E quem pagava a conta?? Os pobres, que não tinham como aplicar em bancos e viam seus salários corroídos ao longo do mês.

    • 66colorado66 disse:

      Quem salvou o Banco Nacional, Banco Econômico, Bamerindus, Mercantil, Banorte, Pontual e Crefisul ???

      • Guilherme Lajeado disse:

        O Proer, que foi uma medida extrema que teve que ser adotada para evitar o colapso financeiro e a perda de parte da “poupança” nacional, o que seria trágico. Em suma, o passivo ficou com o BC e os ativos foram repassados a outros bancos. Ou seja, não se salvou os bancos em si, e sim os correntistas (muitos dos admistradores destes bancos respondem a processos até hoje). Mas parte da conta foi sim paga pelo Tesouro (só não esqueçam que o Tesouro, indiretamente, também é formado por compulsórios, entre outros, destes mesmos bancos!).

        E outra, a Lei de Resposabilidade Fiscal de 2001 proíbe desde então o aporte de recursos públicos afim de ‘sanar’ o Sistema Financeiro. Só que o Proer foi essencial na época, sendo que inclusive foi elogiado pelos opositores de outros tempos (o que no Brasil é raro, raríssimo!!).

    • mariomarcos disse:

      É bom esclarecer: não vetei nenhum comentário teu ou de outro sobre este assunto. Sempre digo e repito aqui: divergência só me incomoda quando as pessoas ultrapassam certos limites e partem para a grosseria. Debate sempre é salutar porque todos aprendem.

      • Guilherme Lajeado disse:

        Eu sei disso. Acho que era problema do sistema mesmo, porque o comentário dava como enviado, mas não era publicado (daí quando ia reenviar dizia que já tinha sido publicado). E na mesma hora publiquei outra resposta e entrou normalmente. Sem stress! Sds.!!

  13. ZAMORA disse:

    Prova maior da crise espanhola é o que o Zini Pires mostra em sua coluna de hoje :
    – Cofres vazios .
    Em julho passado, em 15 dias , as equipes espanholas gastaram quase R$ 900 milhões em reforços na janela de transferências do verão europeu . Neste, em 12 dias, investiram só R$ 80 milhões.

  14. Beto disse:

    Ué, tu deve estar comemorando, pois vive propalando a maravilha do estado forte. Ter um governo gastador e ineficiente custa caro.

  15. João Luz disse:

    AULA DE HISTÓRIA…

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