Ah, como seria bom se fôssemos estrangeiros! – Parte 2

Há alguns dias, publiquei a primeira desta nova série. Mostrei duas competições de esportes no Litoral cujos nomes não tinham nada a ver com o português – a não ser o Atlântida da praia. Agora, vamos à segunda parte.

A vitrina acima não é de uma loja de Nova York, em tempos de liquidação de fim de temporada, que costumam ser lotadas por turistas em busca de boas ofertas.

Nem de um dos tantos centros de compras de Orlando ou Miami, na Flórida, cheia principalmente de brasileiros beneficiados pelos novos tempos da economia do país e os preços convenientes do dólar.

A loja fica bem mais próxima.

Está em um dos corredores do BarraShoppingSul, bem pertinho do Centro.

Para quem serão dirigidas as mensagens da loja?

Ainda bem que aparece, quase sumida, no canto inferior do cartaz, em meio ao inglês tão adorado pelos lojistas de Porto Alegre, um pequeno recado em português. Ufa!

Sobre mariomarcos

Jornalista, natural de criciúma, fã incondicional de filmes, bons livros e esportes
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32 respostas para Ah, como seria bom se fôssemos estrangeiros! – Parte 2

  1. Luiz M. disse:

    As mensagens da loja são dirigidas aos bobos sem personalidade e neo-colonizados que acham um luuuuuxo falar meia dúzia de palavras em inglês [mesmo que sequer saibam seu significado].

  2. Andressa disse:

    Essa mania de americanizar para parecer chique, é tão brega!

    Abraço e um ótimo feriado!

    • Concordo 100%!
      Isso é pura falta de identidade…querer parecer differente…Americano (Brega!), Inglês, Australiano…
      Agora temos Halloween, Valentines…o Ruy Carlos Ostermann (Lá de são Léo!) outro dia escreveu errado (como quase todo mundo no Brasil) que colocara um “button” na lapela (outros ainda erram pior escrevendo “botton” que não existe nem em inglês!). Eu escrevi pro cara e o corrigi.
      Não é button, Ruy é “Badge” quando você se refere ao crachá (palavra tão bonitinha!).
      Além disso, como um professor você deveria incentivar o uso da nossa língua, não adotar anglicismos ainda por cima errados…Não me respondeu.
      Mas essa mani está por toda a parte. É só olhar os nomes de jogadores…uma dor…(Maiconsuel!!!)
      Copiamos os nomes e palavras em inglês porque aquilo nos parece mais forte, maior do que o qye temos por aqui.
      Puro recalque terceiro mundista.
      Quando o povo faz isso não podemos corrigir mas quando um profissional incentiva e ainda por cima erra e mesmo depois de corrigido não corrige publicamente, aí beira o insuportável.
      O próprio futebol é cheio de anglicismos mas isso é aceitável pois importamos o produto e ele foi primeiramente introduzido por aqui por Escoceses…então vá lá que se cobre um “corner” mas agora já temos o tiro de canto; um pênalti (penalt), um centre forward que virou um centre fovo, um beck que virou um beque e assim por diante. Mas prá quem já teve até presidente com nome ingles completamente atravessado Sarney vem de Sir Ney que rodava lá pelo Maranhão (que conhece um pouco de inglês sabe que a pronúncia de Sir fica meio “sar”mesmo) ná época que o infame nasceu.
      Mas tudo tem limite né, Andressa?

      • Andressa disse:

        É, Jorge. E na preocupação em utilizar o inglês, o pessoal esquece cada vez mais, o português.
        Eu não sei sobre vocês, mas tenho visto cada erro grotesco… Pessoas formadas, não sabendo quando empregar G ou J em uma palavra, por exemplo..

        Como dizia uma conhecida: Esse português bem dizido me deixa de boca abrida.

      • ricardo disse:

        Isso não é recalque. Recalque é algo que fica oprimido, preso e é extravasado de forma irracional. Isso aí é consequência da “aculturação” do nosso simplório povo baseada nas práticas estadunidenses. O Brasil é um retrato mal feito da cultura americana. Aqui tudo reporta aos Estado Unidos. As pessoas sabem mais respeito da América do Norte do que da nossa cultura latina ou mesmo da européia. E a porta de entrada disso tudo se deu e vem se dando por obra da midia privada, dos conglomerados de comunicações, das oligarquias familiares que dominam o setor. Movidos básicamente pelo seus egoístas interesses mercadológicos.

      • mariomarcos disse:

        O futebol, é um dos meus orgulhos, praticamente extirpou expressões em inglês do vocabulário. Eram abundantes antes dos anos 70. Depois, a gente transformou tudo em português. Nem corner se usa mais.

      • Correção: Back ao invés de Beck

      • Rafael disse:

        A onda de anglicismos não é recente. Se pegarmos um jornal do início do século passado veremos uma quantidade absurda de anglicismos, talvez maior do que agora.

  3. Eu disse:

    Pra te sacanear, Mário:

    E, pra quem foi dirigida uma categoria no teu blog intitulada “Uncategorized”…. ?

    hahahaha

    Abs!

    • mariomarcos disse:

      Às vezes escapa, mas eu sempre mudo. Esta categoria já veio pronta no blog (que é em inglês, wordpress) e automaticamente é registrada quando eu esqueço de clicar no assunto.

  4. Samuel Ritter disse:

    Engraçado é que o “cinco peças” está bom português, para que os clientes entendam como funciona a promoção. Colonizadores 1 x 0 Colonizados.

  5. Airi disse:

    Até o nome dessa loja é em inglês…

  6. Guto Bender disse:

    A respeito do post do Jorge Brown, MM, essa seria uma excelente nova série: a origem de certas expressões brasileiras. Essa do “Sir Ney” é ótima, gostaria de saber a fonte…

    Há outras, ótimas, também: forró. Dizem as más línguas (e as boas, também) que forró vem da época das grandes companhias inglesas no Nordeste brasileiro. De tempos em tempos, os ingleses faziam uma festa para todos os funcionários e familiares, com muita bebida, comida, música e dança. Eram as festas “for all”.

    Daí que para nossos nordestinos passarem a também querer organizar festas “for ól”, foi um passo para virar “forró”…

    • Tá certo, Guto.
      Essa do Forró é excelente.
      Eu como engenheiro de minas vi umas bastante engraçadas.
      Tem um transporte de subsolo em minas de carvão que se chama “shuttle car” e o motora era o Shuttlecarista!
      Aquelas tábuas que se usavam para forrar as paredes laterais da galerias de carvão se chamavam “slipers”, aí am Charqueadas viraram “chilipas”
      Esse blogueiros daqui (e blogueiras) são de um ótimo nível!
      Com exceçãp, é claro, do Saci que tá louquinho prá ir prá Geral do Imortal!…:)
      Saudações!

    • mariomarcos disse:

      Maravilha. Mas isso faz parte da riqueza do idioma, da evolução. Sem problema. O duro é o exagero, como se usar expressões como esta da vitrina melhorassem o nível da loja.

  7. Marco disse:

    Se continuares fazendo essa vigilância “idiomática”, logo serás persona-non-grata no comércio de Porto Alegre, além de ter tua foto usada para tiro ao alvo nas faculdades de publicidade e propaganda. 😉

  8. bruxo disse:

    MM algumas considerações:
    – Às vezes é inevitável o uso do estrangeirismo pela óbvia universalidade, exigência de padronizar a linguagem (vide a internet com a inspirada na escola marítima)
    -O grave é exagero e o esnobismo gerando o desnecessário que configura a breguice
    – Se eu imaginasse este teu post MM, eu teria fotografado a placa aqui no interiorzão do Brasil, minha cidade Santa Maria, um cara pôs a casa a venda e colocou: “For Sale”. Dá para acreditar? Como diz a minha filha de 8 anos: – Que micão!!!!
    – Jorge! Sobre o prof. Ostermann, tremendo conhecedor de futebol, mas passa uma empáfia do c*r*lho. Anos atrás uma professora de português escreveu para ele, dizendo que seus alunos pronunciavam questão da seguinte forma: kuestão porque ele assim pronunciava e ela disse que seria legal ele pronunciar o correto: kestão. Que nada!! Fez uma vez e seguiu repetindo o erro
    – O português é complicado; sou casado como uma professora dessa área (port-ing -liter.) , imaginem se ele ler estes meus textos com as vírgulas quase todas fora do lugar; como diria o filósofo Roth: “É difícil, é complicado”.

  9. bruxo disse:

    Guto!! “Sir Ney” veio da verve irônica do grande Millôr Fernandes sobre a abjeta figura que herdamos do Maranhão.

  10. bruxo disse:

    Última forma: é o que dá escrever correndo (vou para o outro trabalho daqui há poucos minutos). O correto é:”… vide a internet inspirada na escola marítima”. Tchau!!!

  11. Juliano disse:

    Devia ter um cartaz a mais na vitrine. Feel
    Young, feel hot, feel pretty, be stupid. Quanto lixo junto.

  12. Juliano disse:

    Assim, ó. Faz parte da evolução linguística o emprego de estrangeirismos que mais bem se adaptam em determinados contextos. By-pass, por exemplo, é intraduzível. Assim como termos da informática, engenharia, e até o nosso abajur (até porque convenhamos, lâmpada de cabeceira não dá).

    Lembro de certa feita um amigo ter invocado com “drive thru”. Complicado, mesmo. Mas… peraí. Como é que eu “aportugueso” essa expressão? Confesso que fiquei tentando um tempinho, mas só veio “entrega rápida”, “pegue aqui”, que não é bem o contexto do drive thru.

    A língua portuguesa é a maravilha que é (e, por isso mesmo, das mais difíceis) por causa desta mescla. Eu, particularmente, acho fantástico.

    Agora, indo no teu assunto, estes exageros são difíceis de serem explicados, realmente. “Delivery” e “For sale” nunca consegui engolir. Mas faz parte, o exagero vem da falta de regras. E a grande jogada, eu acho, é que nós não temos regras. Acho isso fundamental. Garante a liberdade que nos permite, sim, crescermos e, veja só, discutir este assunto, falar mal mesmo.

    Ou vamos criar regras, como queriam o Aldo Rebelo e o Requião, extirpando completamente os estrangeirismos? A regra tem de vir é do mercado consumidor, que pelo menos hoje não dá bola para isso (e até valoriza o tal do “shop best”, infelizmente). Cabe ao MM e a outros formadores de opinião denunciarem o abuso e, bem, formarem opinião.

    Também não acho que seja coisa da breguice do inglês. É que o inglês é uma língua que diz muito, expressa-se muito facilmente, com palavras “genéricas”. O português tem muito mais especificidades. Por exemplo, a palavra “especificidade”.

    Abração.

  13. ZÉ FERNANDO disse:

    Isso aí de usar termos estrangeiros onde não é necessário (porque há expressões que não têm tradução ou são universalmente consagradas, como o ‘deadline’ no Jornalismo, por exemplo) é exatamente o que disse a Andressa aí em cima: pega muito mal pra quem faz, acha que tá abafando mas demonstra toda a sua vulgaridade, é de um provincianismo atroz. Deveria ter uma lei que proibisse isso. A França tem, pra proteger a identidade local, mas isso é coisa de país que tem orgulho de sua história e cultura, que tem amor-próprio, nada a ver com o nosso.

  14. Juliano disse:

    Mário, tu que és da velha guarda, me tira uma dúvida.

    Sabe a origem deste “aportuguesamento” das expressões do futebol que tu dizes? É uma dúvida que tenho.

    Sempre imaginei que tivesse a ver com a história de que, lá pelos 70, Brasil tricampeão, corrente-pra-frente, substituição de importações, milagre econômico, etc. o próprio futebol brasileiro foi criando meio que uma identidade própria, separada do anglicismo que até então imperava (com seus beques e corners e talicosa).

    Tem a ver essa minha hipótese ou é balela?

    Estes aportuguesamentos surgiram da crônica esportiva, dos dirigentes (duvido muito!), do próprio governo? De onde veio isso?

    Abraço. Faz um post (ops!, um texto publicado em blog – ops! – textos sobrepostos na internet – ops! – rede mundial de computadores) sobre isso.

    • mariomarcos disse:

      Exclusivamente da imprensa. No fim dos anos 60 e início dos 70, a imprensa decidiu isso. Com a renovação e contratação de jovens das faculdades, a gente começou a mudar tudo. Quanto ao final do teu texto, coincide com o que penso: não há nenhum problema em incorporar termos estrangeiros, faz parte da riqueza do idioma. O insuportável é exagerar.

  15. Vinicius Bianchi disse:

    Mário, os portugueses usam “sítio” para “site.”
    Em princípio parece feio, mas é questão de costume.
    Noto que eles são mais protetores com a estrutura original da língua.
    Talvez o brasileiro historiamente tenha se mostrado mais flexível pelo fato da língua ser “emprestada”. E isto também vale para as expressões que nós criamos aqui no Brasil.

    Pra finalizar: Concordo com tudo que foi dito sobre o tema. O exagero é sempre inimigo do bom senso.

    • mariomarcos disse:

      Só aqui falamos Aids, por exemplo. Nos países islâmicos e em Portugal é Sida (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida).

      • Leonardo Oliveira disse:

        MM, mas não é sempre assim.

        Por exemplo, no Brasil nos referimos à OTAN enquanto os portugueses usam a sigla em inglês NATO. Usam carjacking para o roubo de carros com pessoas dentro.

        Por outro lado eles às vezes exageram: mudam o nome das pessoas o que eu acho um absurdo. O príncipe Charles é Carlos e a rainha Elizabeth é Isabel! …aí é dose!

  16. João Luz disse:

    Distraídos venceremos.
    Outra mania americanizada que virou moda por aqui, são os preços das mercadorias R$ 1.99 R$4.99 R$9.99 e assim por diante. Outro dia quando estava comprando uma sandália, pergentei a balconista quanto custava e ela falou – R$ 49,99!
    Numa irônica brincadeira que sempre faço diante desse tipo de preço, perguntei se ela poderia me fazer por R$ 50,00
    Ao que ela gentilmente me respondeu que – infelizmente ja estavam trabalhando no limite do lucro, mas se eu realmente quisesse levar a sandália ela poderia consultar o gerente.
    Claro que falei que queria.

  17. Priya disse:

    Uma gíria usada hoje pelos adolescentes é “gringo”. Serve para dizer que um produto é bom. Tive uma conversa com meu sobrinho de 15 anos sobre isso, mas saí meio frustrada. Trabalho com projetos educativos para desenvolvimento de redes locais e desenvolvimento de economias locais e isso é um grande desafio em um país que ainda hoje, após 500 anos, ainda é uma colônia. Como nos tiraram o direito de brigar pela liberdade e nos deram a independência de presente em um quadro onde éramos apenas fornecedores de materia prima, fica difícil desenvolver uma nova cultura. Trabalho com alimentos locais, mas é difícil competir com grifes estrangeiras, simplesmente pelo fato de não serem daqui… Mesmo que não tenha externalidades negativas, que fomente a economia local… Mas, vamos lá, a auto estima brasileira ainda há de melhorar! Abraços

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