Barulhão

(Reprodução)

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Dois mundos

Na segunda-feira – foi o que ouvi em um programa na manhã desta terça -, Joe Biden, o ex-vice de Barack Obama, que será o provável candidato democrata, ligou para Trump, o presidente que tentou prejudicá-lo forçando uma investigação na Ucrânia, e teve uma boa conversa sobre o momento atual.

A troca de ideias foi divulgada nas redes sociais pelo próprio Donald Trump, com elogios ao adversário político.

Corta, como diria o diretor Jorge Furtado, e pensemos no Brasil.

Qual dos ex-presidentes, não importa a orientação política, teria segurança para ligar ao Messias?

Correria o risco de ser ignorado ou teria um diálogo absolutamente improdutivo.

Como conversar com alguém tão desqualificado?

Pior: se fosse atendido, pelo que já sabemos suficientemente sobre a turma do Planalto, teria boa chance de ser humilhado pelo líder e seu gabinete do ódio e virar motivo de pilhéria no dia seguinte.

São mundos bem diferentes.

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Sobre prioridades

(Das redes sociais/Reprodução)

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O alerta

“A maior ameaça ao domínio do homem neste planeta é o vírus”

(Alerta de Joshua Lederberg, Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 1958, mostrado na abertura do filme A Epidemia, e confirmado mais uma vez neste abalo da Covid-19)

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Na crise, a busca da informação

“Este trabalho é precioso porque

contribui para a busca da verdade

e somente a verdade nos torna livres”

(Papa Francisco, em palestra para a Associação da Imprensa Estrangeira da Itália)

Tem sido assim. Nos momentos de guerra, crises, fases de angústia como a que estamos enfrentando, a importância da imprensa cresce.

Foi assim nos Estados Unidos, quando Trump começou seus ataques aos jornalistas, tem sido assim no Brasil da Covid-19.

Lá, Washington Post e New York Times viram seus cadastros de assinantes darem um salto. Os leitores perceberam que era importante preservar os veículos da imprensa para ter uma forma de confrontar o governo e valorizar os contrapontos.

O crescimento segue nos tempos atuais, impulsionado agora pela crise do vírus.

A reação nem é recente.

No filme The Post isso fica bem claro. Quando o governo questionou o direito dos jornais de revelarem os documentos do Pentágono, houve manifestações de apoio à imprensa em frente ao Supremo – e a decisão favorável à imprensa foi comemorada nas escadas do tribunal.

No Brasil, as maiores empresas jornalísticas viram a audiência dos veículos subir como poucas vezes. Os números têm sido divulgados quase todos os dias. Até os veículos impressos, cuja circulação caía ano a ano, perceberam o aumento nos assinantes.

É que em determinados momentos, as pessoas percebem que precisam se orientar pela imprensa profissional, que segue padrões. Há erros, você pode criticar, mas é no trabalho feito por jornalistas que o leitor/ouvinte sente-se seguro.

Mais importante: em tempos de Covid, o leitor sabe que não pode se orientar pelo whatsapp, especialmente aquele originado em grupos que fizeram da mentira um padrão, nem por disparos de robôs ou por quem tenta vender a ideia de que tudo não passa de um resfriadinho.

Na hora do pânico e da insegurança, o bom senso recomenda deixar de lado até os conhecidos que compartilham mentiras sem a mínima preocupação de checagem.

Por isso, a audiência da imprensa cresce. Ainda bem.

 

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Dica (s) de segunda-feira

São dois filmes que recomendei quando passaram nos cinemas – e volto a eles neste período de quarentena. Eles já não estão mais no circuito, mas podem ser vistos agora nos canais especializados. O Relatório, de Scortt Z. Burns, e Segredos Oficiais, de Gavin Hood, ambos de 2019, são baseados em histórias reais, com todo o suspense e as redes de intrigas que costumam marcar os fatos. Os dois estão na Amazon Prime.

O primeiro revela uma minuciosa investigação feita por um assessor de uma senadora americana sobre o período em que a CIA desenvolveu métodos de tortura em busca de seus objetivos. Como ocorre normalmente com os fatos ligados aos EUA, o que mais choca o país não são as torturas, mas a tentativa de esconder o esquema de todo o sistema. É muito bom, com grande atuação de Adam Driver.

O segundo mostra o conflito ético de uma funcionária do governo britânico (atuação excelente de Keira Knightley) diante de ilegalidades que percebe nas ações oficiais. Tradutora de mandarim, ela identifica as mentiras que cercam os preparativos para a invasão do Iraque e o sistema que envolveu governo de vários países, entre os quais a Inglaterra. Ela acaba revelando tudo, expondo a rede de mentiras.

Confiram:

 

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Uma aula sobre a História do trabalho

O período de isolamento me permitiu mergulhar na leitura de Amor & Capital, da jornalista norte-americana Mary Gabriel.

É um livro excepcional, um dos melhores que já li.

Em oito anos de pesquisa, com visitas a arquivos e bibliotecas inúmeros países, de Moscou ao interior da Alemanha, lendo documentos e cartas originais da época, ela reconstruiu o dia a dia da família e das relações de Karl Marx e de seu amigo Engels.

Eu sei que a simples menção do nome Marx provoca erisipela em certas pessoas, mas vale a pena ler. É uma aula esclarecedora de História.

O fio condutor são as personagens femininas, a mulher e as filhas, figuras fortes, criadas com independência e uma cultura superior, que foram fundamentais na vida de Marx.

Ao longo das quase mil páginas, de leitura fácil (como geralmente são os textos de jornalistas que se voltam a episódios da História), Mary Gabriel, ex-repórter e editora da Agência Reuters, ajuda a entender como as principais obras de Marx, especialmente os conceitos e a defesa das relações de trabalho, que resultaram no épico Capital, foram desenvolvidos.

É um dos aspectos fascinantes do livro.

Muita gente ignora, até por preconceitos arraigados, mas toda a organização da vida do trabalho (das jornadas diárias ao 1º de Maio) começou naqueles anos do século 19, quando não havia nada que regulasse salários e horas de dedicação às empresas, nem a exploração das crianças.

Livraço.

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