Vantagem em jogos decisivos sempre é importante, mas o Inter confia tanto na força do Beira-Rio que viu sua torcida aplaudir o time apesar da derrota de 1 a 0 para o Athletico-PR, na noite desta quarta-feira, na Arena da Baixada (39.772 pessoas), no primeiro dos dois confrontos pelo título da Copa do Brasil. Para assegurar o título, o Inter terá de vencer por dois gols de diferença, na próxima quarta, em seu estádio.
E por que a torcida não se abalou com a derrota? Porque a decisão fica aberta para o estádio, apesar da vantagem assegurada pelo time paranaense – e, no Beira-Rio, o time tem um aproveitamento superior a 80%, com tradição de viradas.
Foram sete na história da competição, a última contra o Palmeiras – perdeu por 1 a 0 em São Paulo, ganhou diante de sua torcida e venceu nos pênaltis.
Mesmo com toda esta confiança, o Inter terá de mudar bastante o comportamento em campo. Na Arena, onde o Athletico é um time muito forte, o Inter jogou com mais prudência, fechando os espaços e evitando a pressão. Conseguiu fazer isso com sobras no primeiro tempo, apesar dos quase 70% de posse de bola do adversário.
De chances mesmo, apesar de dominar os espaços, o Athletico teve apenas uma. Aos 14 minutos, Rony aproveitou rebote da defesa e chutou forte. A bola passou bem perto da trave direita de Lomba. O Inter também teve a sua: aos 27, livre, Uendel arriscou, com um bom chute, mas o goleiro Santos desviou a escanteio.
No Inter, peças básicas do esquema não funcionaram bem, não apenas na fase inicial. Edenílson não teve a movimentação habitual, até porque teve poucas chances de avançar, e Patrick, principalmente, errou muito.
Apesar de todo o ambiente de decisão, foi um primeiro tempo de apenas oito faltas, cinco dos paranaenses, três dos gaúchos.
No segundo tempo, o Inter adiantou um pouco a marcação e reduziu a pressão do adversário. Teve uma boa conclusão aos cinco minutos (chute desviado de Patrick) e outra excelente, com Edenílson, aos nove. Ele avançou livre pela direita e, na área, chutou com força. A bola desviou na defesa e saiu por pouco.
Mas em decisões, todos sabem, o erro costuma se transformar em punição – e o Inter errou aos 13 minutos, no momento em que controlava bem a partida. Edenílson perdeu a bola no ataque e o Atlhetico avançou. Na entrada a área, Marco Ruben tentou o passe a Bruno Guimarães, a bola tocou em Moledo, voltou e se ofereceu de novo a Bruno depois de um leve toque de Edenílson, na tentativa de afastar. Bruno bateu com categoria, no canto esquerdo, e fez 1 a 0.
Odair Hellmann fez então sua primeira troca, de Nico López por Wellington Silva. A ideia era ter velocidade e drible na esquerda, mas o jogador pouco conseguiu.
Aos 27 minutos, o Athletico só não ampliou sua vantagem, o que poderia ser fatal para o Inter, porque Marcelo Lomba fez outro de seus milagres. Rony entrou em velocidade pelo meio da defesa, driblou, ficou livre e chutou na saída do goleiro. Lomba, no meio do caminho, ergueu o braço direito e conseguiu desviar a escanteio.
O Inter teve boa chance de empatar aos 30 minutos (Lindoso só não marcou porque Wellington deu um toque na bola no momento do chute, como mostra a foto), aos 32, quando D’Alessandro tentou surpreender o goleiro que estava fora da goleira e tocou por cobertura (Santos se recuperou) e outra aos 45, quando Guerrero fez a parede e recuou a Sobis, que bateu firme, de pé esquerdo. A bola passou perto da trave.
Para tornar o Beira-Rio o aliado de sempre (o check in para os sócios começa nesta quinta-feira), o Inter terá de vencer por dois gols de diferença. Se ganhar por um, a decisão do título será na cobrança de pênaltis.