A intolerância chega às cadeiras do estádio

Na semana de pior frio no Estado, Grêmio e Inter se uniram e foram personagens de um grande momento: trabalharam juntos para minorar o sofrimento dos moradores de rua. Lembram? O Inter abriu o Gigantinho, o Grêmio recolheu donativos, mandou dois ônibus (com as cores do clube) e os próprios representantes das organizadas do Inter se encarregaram de descarregar os veículos

Foi bonito e gerou elogios aos clubes em todo o país.

Na última semana, a decisão dos técnicos de escalar reservas no Gre-Nal, depois de conquistarem a classificação para a Copa do Brasil em jogos desgastantes contra Palmeiras e Bahia, amenizou um pouco  ambiente do clássico – e, com o precedente da união no frio, ninguém esperava confusão.

Foi um jogo tranquilo, nenhum torcedor foi hostilizado na chegada ao estádio.

Bom, mas aí alguém estragou tudo.

Ao ver uma torcedora do Grêmio, com seu filho em área ocupada pela torcida do Inter, depois do Gre-Nal, uma senhora colorada perdeu o controle. Agrediu a torcedora, sem respeitar o choro da criança, e só não causou um tumulto maior porque um funcionário do Inter agiu.

Enquanto a mulher descontrolada brigava, alguns marmanjos em volta incentivavam e vibravam, como se a cena fosse absolutamente normal. Ninguém se preocupou com a criança assustada, que certamente terá de lutar para superar seu trauma.

Desde quando pessoas de preferências diferentes não podem conviver no mesmo local? Só falta o futebol ser contaminado pelo ambiente de intolerância vivido hoje pelo Brasil. Nada justifica uma falta de civilidade como a mostrada na cena nas cadeiras do Beira-Rio.

O vídeo da agressão viralizou no domingo. O Inter divulgou nota oficial desculpando-se e prometendo providências. O Grêmio localizou a torcedora, mas ela preferiu nada falar.

Agora, cabe ao Inter punir sua torcedora e os que apoiaram a agressão. A identificação é fácil. Basta tomar a decisão de agir.

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Dica de segunda-feira

Nas entrevistas, Pedro Almondóvar tem dito que Dor e Glória é seu filme mais pessoal, íntimo. Basta ver as primeiras cenas para se entender por quê. Dor e Glória é uma espécie de autobiografia do diretor, da infância à idade adulta, a relação com a mãe e os amigos, o primeiro desejo, a descoberta da sexualidade. É, acima de tudo, um grande filme, um dos melhores de Almondóvar. O personagem principal é Salvador Mallo, diretor de cinema, e seus conflitos. O filme, ainda em exibição em Porto Alegre, tem drama e também comédia em vários momentos. Vale a pena conferir.

Vejam o trailer:

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No jogo de times alternativos, Grêmio e Inter ficam no empate

No clássico de times alternativos, com poucos titulares e muitos reservas de lado a lado, Inter e Grêmio ficaram no empate em 1 a 1, na noite deste sábado, no Beira-Rio (38.201 torcedores), pelo Brasileirão.

Ficou tudo igual.

O Inter foi melhor no primeiro tempo, o Grêmio corrigiu seus problemas e foi superior no segundo. Um gol em cada período e um empate que, para efeito de tabela, deixa tudo no mesmo. Nem o Grêmio sobe, nem o Inter consegue aproveitar o tropeço surpreendente do Palmeiras para o Ceará.

Com o resultado, o Inter fica com 17 pontos, no quinto lugar, mas ainda na dependência dos demais resultados da rodada. O Grêmio tem 15 pontos, no 10º, a dois do velho rival de clássico.

O Grêmio abriu o Gre-Nal buscando impor seu toque de bola. Fez isso no início, mas logo aos cinco minutos viu o Inter contra-atacar em velocidade e ter duas chances na sequência. Sobis lançou Edenílson, que ficou livre e chutou rasteiro. Júlio César defendeu e, no rebote, evitou o gol de Wellington Silva.

Aos poucos, o Inter passou a controlar a partida. Odair Hellmann recuava as linhas, deixava o Grêmi0 sem espaço e buscava os contra-ataques. Só não ampliou porque o chamado último passe saía sempre com dificuldades. Foi tão melhor o Inter que em todo este período o Grêmio só concluiu duas vezes, uma por Pepê, por cima, e outra com o zagueiro David Braz, de longe.

No Grêmio, escalado por Renato com Tardelli no ataque e Luan no meio, a grande dificuldade era a lentidão na passagem do meio para a frente. Com isso, o trabalho da defesa, especialmente de Victor Cuesta, ficava facilitado.

Aos 21 minutos, o Inter, na fase em que foi superior, chegou ao gol: Rafael Sobis bateu falta da direita, Paulo Miranda – que não jogava há seis meses – subiu para afastar, mas acabou marcando contra. Um a zero.

Para o segundo tempo, Renato corrigiu algumas dificuldades do time, adiantou as linhas e passou a trocar passes no campo do Inter. Não conseguia pressionar, é verdade, mas em compensação mantinha o Inter longe dos contra-ataques.

Logo aos 14 minutos, Renato trocou Galhardo, improvisado na linha de meio-campo e pouco produtivo, por Éverton. Abriu Pepê pela direita e passou a contar com dois jogadores de velocidade pelos lados. Odair reagiu substituindo Paredes, também discreto demais, por Patrick.

Mesmo assim, os dois times não conseguiam render o suficiente para ameaçar as defesas. Até que aos 25 minutos, Juninho Capixaba recebeu pela esquerda e cruzou em curva, forte, para o meio da área. Surgiu então o momento de Luan na partida: ele fez um movimento para trás com o corpo e cabeceou firme, alto, no canto direito de Danilo. Um a um, abraços para um jogador que até aquele momento deixava a torcida inquieta, pouco satisfeita pelo rendimento do jogador.

Foi o 74º do jogador no Grêmio, empatando com Renato na relação dos principais goleadores da equipe.

O Gre-Nal, depois de algumas pequenas confusões entre os jogadores, chegou ao fim com a melhor chance do Grêmio: Pepê recebeu pela direita e chutou forte. Danilo fez grande defesa, soltou a bola, mas foi mais rápido para evitar a nova conclusão de Pepê.

No Grêmio, destaque para Luan no segundo tempo, por ter melhorado e pelo gol. No Inter, além de Sobis e Cuesta, a grande surpresa foi o jovem lateral-direito Heitor, de 18 anos. Vem aí, logo, logo, um novo titular.

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Noite de sábado de clássico Gre-Nal. Com muitos mistérios

Se há algo que nunca mudou, em 110 anos de Gre-Nal, é o mistério dos treinadores. Eles nunca antecipam planos, nem escalações. Ainda mais em um jogo como o da noite deste sábado, no Beira-Rio, o 421º clássico da história, apertado no calendário entre decisão da Copa do Brasil e estreia nos mata-matas da Libertadores.

Não dá nem para especular sobre eventuais alterações nos times titulares, até porque todos os sinais apontam para a escalação de reservas – ou de equipes mistas, com peças importantes sendo preservadas do desgaste.

Desde as partidas de quarta, os técnicos nada anteciparam. Treinam com portões fechados e mantém suas ideias bem protegidas pelo sigilo.

No Grêmio, os repórteres observaram que a dupla de zagueiros (Geromel e Kannemann), mais o centroavante André, nem trabalharam. Devem ficar fora da partida.

No Inter, é certo que Odair Hellmann poupará Rodrigo Dourado, que nem enfrentou o Palmeiras, D’Alessandro e Guerrero, importantes para a Libertadores, e mais alguns titulares importantes no esquema.

Mas é clássico e, independentemente dos times, a torcida vai ocupar a arquibancada do Beira-Rio, movida pela rivalidade histórica e acima de tudo pela boa fase dos times.

Na tabela, os dois times estão separados por dois pontos. O Inter é 5º, com 16 pontos. O Grêmio é 10º, com 14.

O jogo começa às 19h.

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O poder do Gre-Nal

Ibsen Pinheiro disse certa vez que o clássico Gre-Nal tem o poder de organizar a casa. Uma vitória acalma o ambiente e deixa todos mais tranquilos. É verdade que a derrota tumultua tudo e força o clube perdedor a buscar soluções com alguma urgência para controlar a turbulência.

Este efeito era bem mais poderoso no passado, com poucos interesses dos times além da disputa de campeonatos regionais e uma ou outra competição nacional. Hoje, mudou um pouco.

O Gre-Nal deste sábado, por exemplo.

Ele chega em um momento situado entre a rodada decisiva pelas quartas de final da Copa do Brasil, que significou a classificação dos times à semifinal, e a estreia nos mata-matas da Libertadores, marcado para a próxima semana.

Bom, vamos às perguntas:

Vale a frase de Ibsen neste momento?

Você entende que o resultado do Gre-Nal será importante apenas para a soma de pontos no Brasileirão ou terá o efeito de tumultuar o ambiente do perdedor?

 

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Frases para sempre

“Não posso parar diante de capitalistas. Não tenho beleza, nem juventude, mas tenho minha voz e o sentimento que sai da minha voz. Não é fácil dobrar uma mulher de esquerda”.

(Mercedes Sosa, que na última terça-feira foi lembrada e homenageada na Argentina pelos 84 anos de seu nascimento)

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As fogueiras estão sendo preparadas

Na última semana, um grupo reduzido, mas barulhento, de manifestantes vestidos de verde-amarelo tentaram impedir palestra do jornalista Glenn Greenwald e do humorista Gregório Duvivier na Feira Literária de Parati.

Além do barulho das caixas de som, eles estouraram foguetes e rojões. Mas atenção: eles não apenas lançaram os rojões, eles os direcionaram para o barco em que estavam os palestrantes e os convidados, colocando em risco a vida de todos.

Há dois dias, organizadores da Feira do Livro de Jaraguá do Sul, Santa Catarina, cancelaram a palestra da jornalista Mirim Leitão por pressão de bolsominions da região. Foram tantas ameaças, lideradas por um advogado adorador de armas, que a organização temeu pela segurança da convidada.

O fascismo (bem ilustrado pelo imbatível Laerte) chegou com toda a força.

Neste ritmo, não demora para vermos livros sendo queimados nas praças do país.

 

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