Uma vitoriosa

“Era uma tarde chuvosa, em fase de lua crescente, nasci chorona e inquieta e gosto de pensar que foi “Nhanderú” que soprou essa inquietação no meu peito naquele dia, ela seria importante durante todo o meu caminho.

Fui batizada Myrian Krexu, lua crescente em Guarani Mbyá.

Aos 4 anos de idade toda essa inquietação resultou em um braço quebrado, tudo bem, já não era mais chorona nessa época, e enquanto minha fratura era colocada no lugar, estava muito mais interessada no processo daquele “tal de médico” que meu pai explicou que era quem consertava pessoas.

Ganhei três coisas naquele dia, um gesso, mingau de fubá feito pela minha avó (segundo ela, curava todas as dores) e vontade de consertar pessoas.

Foi um longo, e doloroso processo até aqui e ainda é difícil, não foram só os olhares e discursos de ódio, foram os momentos de exclusão, o descrédito e o lembrete diário de que talvez o lugar “daquela índia” não fosse ali, mas era.

Hoje posso dizer, pessoas podem ser consertadas, ao menos o corpo e com um pouco de paciência e começando cedo, a mente, e os preconceitos ensinados. Hoje eu conserto corações, e vou te dizer, são todos da mesma cor”.

(Depoimento de Myrian Krexu, a primeira representante indígena a se formar médica, em 2013, em depoimento no Facebook)

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Beria-Rio deve ter novo recorde de público na decisão

Mais uma vez, o Inter parte para uma quebra de recorde de público na nova fase do Beira-Rio. Até agora, a marca está nos 49.604 torcedores do confronto com o Flamengo, pelas quartas de final da Libertadores.

Desde sexta-feira, todos os ingressos estão vendidos para a decisão contra o Athletico-PR, na próxima quarta-feira.

O Inter chegou a divulgar em seu site a evolução da venda dos ingressos, que no primeiro dia chegou a dar confusão, de tanta procura no check in.

A chance é que o público supere os 49 mil e chegue ao limite da capacidade do estádio (depois das reformas, pouco mais de 50 mil lugares).

O Inter joga com desvantagem da derrota de 1 a 0 sofrida em Curitiba. Para ser campeão sem necessidade dos pênaltis, terá de vencer por diferença de dois gols.

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Renato: ‘Foi uma aula de futebol’

A atuação superior de Jean Pyerre:

É um grande jogador, que vem se destacando, com um trabalho cuidadoso da base. Saem jogadores, entram novos, o time continua jogando bem e chegando em todas as competições. A cada partida que passa, o Jean vem se destacando, não apenas com gols como o de hoje. Ele e outros vêm sendo lapidados. Eu passei por este processo também. É importante na formação“.

Toda a atenção no momento para o Brasileirão:

Minha preocupação no momento é o Brasileiro. Só depois dos próximos jogos, vou pensar no Flamengo. Falta muito tempo ainda, vou torcer para tudo dar certo e não perder mais nenhum titular. Eu fico triste quando perco alguém por lesão, mas, ao mesmo tempo, satisfeito pela qualidade do grupo. O time continua jogando bem, dando boa resposta. É por isso que a direção tratou de garantir um grupo de jogadores qualificados. Este grupo, por exemplo, fez um primeiro tempo primoroso contra o Goiás, deu uma aula de futebol mais uma vez. Nosso objetivo segue sendo somar pontos e chegar ao G-4“.

(Renato, técnico do Grêmio, ao falar na vitória sobre o Goiás e no futuro confronto com o Flamengo, pela Libertadores)

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Odair, a vitória e a decisão de quarta-feira

Futebol defensivo no Paraná, ofensivo em Minas?

Mudança de postura é uma opinião que não é minha. Primeiro você precisa ver as características. Eram jogadores de mais velocidade e força dos que jogaram quarta (derrota de 1 a 0 em Curitiba). Estes são mais de técnica. Há jogos em que você está compactado, bem estabelecido. A diferença é quando recupera a bola. Se buscar o vídeo, marcamos saída de bola do Athletico, tentamos agredir, mas eles se impuseram. Criou dificuldades para nós, nos empurrou para trás.

A vitória no domingo e a decisão na quarta-feira:

Foi uma vitória importante. Não do grupo ou do time, mas do Inter, independentemente de quem jogou, porque se fosse uma derrota falaria o mesmo. Uso de todo o grupo. Treinamos quem ficou em Porto Alegre para recuperar a situação de quarta (o Inter precisa anular a vantagem aberta pelo Athletico) de início. Trouxemos todo o grupo para cá. Um banco praticamente só de meninos. Isso fortalece o trabalho.

(Odair Hellmann, técnico do Inter, ao destacar a atuação dos reservas, a poucos dias da decisão com o Athletico, no Beira-Rio)

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Dica de segunda-feira

Este ano, vi dois filmes serem aplaudidos no fim, enquanto os créditos corriam. Um foi Bacurau, uma alegoria sobre o país em que vivemos, que acumula prêmios internacionais. O outro foi na tarde do último sábado. E foi algo automático: assim que a última cena de Legalidade surgiu na tela e a música começou, o público aplaudiu. Nos dois casos, homenagens merecidas.

Legalidade, de Zeca Brito, conta um episódio que marcou a história do Estado e do país, como um momento de resistência, em que a população aliou-se a um líder carismático chamado Brizola. Zeca Brito usa com maestria a mistura entre imagens antigas (ver o velho Mataborrão, o edifício que existia ali no encontro da Borges com a Andrade Neves, não tem preço) do movimento com as atuais. E mostra, acima de tudo, que se Jango tivesse a disposição de Brizola para seguir em frente, liderando uma caravana por terra de Porto Alegre a Brasília, talvez a tragédia da ditadura nunca tivesse acontecido.

É um filme que vale como uma aula.

Vejam o trailer:

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Grêmio, no ritmo de Jean Pyerre, faz 3 a 0 no Goiás

No domingo em que chegou aos 116 anos, o Grêmio presenteou a torcida com um primeiro tempo de alta intensidade, imposição e gols de grande qualidade e descansou no segundo, o suficiente para não se desgastar e manter a vitória de 3 a 0 sobre o Goiás.

A torcida pareceu antecipar o que veria na tarde da Arena, uma semana depois da goleada de 4 a 1 sobre o Cruzeiro em Belo Horizonte: 41.733 pessoas foram ao estádio e vibraram com o futebol, os gols e o avanço do time na tabela.

Com o resultado, o Grêmio aos poucos cumpre o objetivo anunciado pelo técnico Renato: aproveitar esta fase apenas de Brasileirão (as semifinais de Libertadores serão em outubro) para somar pontos e chegar ao segundo turno mais perto do grupo da frente. No momento, o time chegou ao oitavo lugar, com 28 pontos.

No primeiro tempo, o desempenho do Grêmio chegou perto da perfeição.

Teve 61% de posse de bola, 18 conclusões contra apenas quatro do Goiás e, das 18, quase todas foram chances de gol. Foi um domínio absoluto, como se o time estivesse em um daqueles treinos táticos sem adversário do outro lado, apenas com trocas de passes. O Goiás, que entrou com a pretensão de atacar, ficou aturdido.

Não conseguia marcar, tinha dificuldades para sair de seu próprio campo e nada fazia no ataque, apesar de o técnico Ney Franco ter escalado três atacantes.

Além do futebol coletivo, o Grêmio se moveu no embalo de outra atuação excelente do meia Jean Pyerre. Deu passes, driblou, concluiu e fez um daqueles gols que serão repetidos como vinheta da competição: aos 28 minutos. ele dominou pela meia~esquerda, na intermediária e chutou em curva, forte. A bola ainda tocou na trave, bem na junção com o travessão, e chegou à rede. Um a zero.

Até fazer este primeiro gol, o Grêmio ameaçou com Tardelli, aos oito minutos, Michel aos 14, Alisson aos 17 (defesa do goleiro) e o próprio Jean Pyerre aos 27. Só o Grêmio atacava.

O segundo gol não demorou muito. Aos 32, o ataque avançou pelo meio, Jean Pyerre tocou a Tardelli, na entrada da área, que não dominou. Éverton foi mais rápido. Entrou na corrida e bateu firme, no canto esquerdo. Dois a zero.

O domínio seguiu amplo.

Aos 32, Michael fez uma das quatro tentativas do Goiás, sem risco para Paulo Victor, aos 41, Tardelli tentou de novo, e aos 44, saiu o terceiro. E, a exemplo dos outros dois, com uma conclusão primorosa: Jean Pyerre lançou rasteiro para Cortez, o lateral foi ao fundo e cruzou para trás. Alisson dominou e tocou em curva, colocado, no canto esquerdo. Três a zero, tudo indicava uma das grandes goleadas do campeonato.

Só não surgiu a goleada porque o Grêmio, compreensivelmente, reduziu seu ritmo na fase final.

O Goiás tentou aproveitar, teve sua melhor chance aos 11 (desvio de Gilberto, defesa precisa de Paulo Victor no canto direito), mas sempre bem controlado pelo Grêmio, que tocava, envolvia a marcação, mas não pressionava como na primeira parte do jogo.

Aos 20, Jean Pyerre, melhor jogador em campo, chutou com força e precisão, mais uma vez, mas o goleiro fez uma grande defesa e evitou o gol. Aos 29, o Goiás voltou a ameaçar, mas o chute de Rafinha bateu na trave esquerda e saiu.

O Grêmio volta a jogar pelo Brasileirão na noite de sábado, contra o Santos, vice do campeonato, em São Paulo. Chance para tentar encurtar ainda mais a distância para o grupo da parte de cima da competição.

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Inter, com reservas, tem grande atuação e vence o Atlético

Foi uma daquelas atuações de luxo. Escalado apenas com reservas, com atacantes cumprindo funções de meias, o Inter venceu o Atlético-MG, com titulares, por 3 a 1, na manhã deste domingo, no Estádio Independência, na última rodada do primeiro turno do Brasileirão.

Com a vitória, a terceira consecutiva (duas delas com reservas), o Inter sobe para 33 pontos ganhos e, antes do complemento da rodada, chega ao quarto lugar. Mesmo se perder posições, consegue o objetivo de ficar no grupo dos melhores, com todo o segundo turno pela frente.

O time teve grande atuação, com alguns destaques acima de todos. Nas vezes em que agiu, o goleiro Danilo Fernandes, por exemplo, foi excepcional.

Ele teve uma defesa incrível logo aos quatro minutos (bola desviada de cabeça por Bruninho no ângulo, que Danilo desviou) e uma segunda já candidata a ser uma das maiores do campeonato: aos 14 minutos do segundo tempo, em troca de passes na área do Inter, Leonardo Silva cabeceou de cima, para baixo, certo de que faria o gol. Danilo jogou-se para o lado e fez a defesa.

Mas não foi só Danilo.

No surpreendente time ofensivo escalado por Odair Hellmann, o Inter contou com atuações superiores do jovem lateral-direito Heitor, de Nonato no meio, do experiente Rafael Sobis cumprindo a função de atacante e meia e de Willian Pottker, autor de dois gols (um deles com direito a um drible de corpo desconcertante em Réver).

No segundo tempo, com o conforto dos 3 a 0, Odair ampliou o número de jovens da base no time, dando chances a Johnny e Zé Aldo, jogadores que aos poucos são integrados ao grupo.

No jogo, o Inter só teve alguma dificuldade no início, quando Bruninho quase marcou, e nos últimos minutos, no momento em que o Atlético buscou a reação para ao menos reduzir um pouco a irritação de sua torcida. No mais, a equipe gaúcha dominou.

Odair escalou apenas dois volantes (Rithely e Nonato) e completou o time com quatro atacantes: Pottker, Sobis, Parede e Neílton. Para dar certo, três deles, pelo menos, teriam de cumprir o plano tático e fechar no meio quando o Atlético estivesse com a bola. E eles fizeram isso desde o início, com disciplina e dedicação.

Antes do primeiro gol, o Inter já tinha quatro conclusões, contra uma do Atlético, uma delas um chute forte de Heitor que obrigou o goleiro a uma defesa difícil. A boa atuação resultou em gol, aos 28 minutos – e foi um lance cheio de incidentes.

Começou com uma disputa de bola com Nonato, que errou a primeira tentativa de passe, foi para o confronto, a bola desviou e chegou a Réver, que procurou simplificar dando um chutão. Pegou mal na bola, que subiu e foi para o lado esquerdo da área, onde Pottker disputou de cabeça com Patrick e desviou. A bola, que parecia se encaminhar para fora, bateu no gramado, certamente em alguma irregularidade, e tomou um rumo diferente, entrando no canto esquerdo. Um a zero.

A partir daí, o jogo mudou completamente. O Atlético perturbou-se e a torcida perdeu a perdeu a paciência.

Na volta para o segundo tempo, a impressão do fim do primeiro confirmou-se. O Inter passou a ter espaços generosos para os contra-ataques e acabou marcando o segundo logo aos sete minutos – exatamente em uma jogada de velocidade. Heitor trocou passes na lateral-direita e fez passe longo a Sobis. Na direita, no fundo, ele cruzou rápido, rasteiro, para conclusão de Neílton pelo meio. Dois a zero.

O Inter só não ampliou aos nove porque Zeca concluiu fraco, o Atlético ameaçou aos 14 (desvio de Di Santos, defesa de Danilo), esteve perto de descontar com Leonardo Silva aos 14 (o lance da defesa excepcional do goleiro do Inter), mas aos 19 a superioridade voltou a se impor: em outra jogada pela direita, Parede tocou a Pottker, com Réver as suas costas. O atacante girou, deu um drible de corpo, avançou e tocou rasteiro, na saída do goleiro. Três a zero.

Odair então fez as trocas de Pottker, esgotado, por Sarrafiore, Sobis por Johnny e Neílton por Zé Aldo. O Atlético só descontou aos 43, em descuido da defesa do Inter. Bruninho, jovem destaque do time mineiro, tocou por cima de Danilo.

Agora, o Inter volta a viver os dias da decisão com o Athletico, pela Copa do Brasil, reanimado pela vitória e grande atuação dos reservas, e com um reforço renovado no banco: o de Pottker, autor de dois gols e um dos destaques em Minas.

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