A educação gaúcha é reprovada. Alguém se surpreende?

Certas questões fazem lembrar aqueles velhos carros que só pegavam no tranco. Era o momento em que o dono percebia que a oficina mecânica era o destino mais sensato. A exemplo do carro, de tempos em tempos um assunto ressurge no Estado, provocado por algum episódio, e a sociedade leva uma espécie de tranco – e todos se dão conta de que deixaram de lado as soluções. O último, mais uma vez, está ligado à educação. Nesta semana, pesquisa mostrou que o ensino fundamental e médio do Rio Grande do Sul é um dos piores do país, lanterninha na Região Sul – e todos parecem ter levado um susto.

Mas aqui entre nós: alguém se surpreendeu?

A nova pesquisa em busca do Índice de Desenvolvimento da Educação mostrou que nas séries iniciais do Ensino Fundamental o Rio Grande do Sul atingiu 5,1 – o que o deixa em 10º lugar, bem atrás do segundo de Santa Catarina e do quarto do Paraná. Nos anos finais, o Estado chegou a 4,1 e baixou para o 12º. Santa Catarina ficou na liderança. No Ensino Médio, o desastre é pior: chegou a 3,7 de nota, em oitavo lugar. De novo os catarinenses apareceram em primeiro lugar. Nada estranho para um Estado que investe cada vez menos, desmoraliza os professores e, em vez de investir forte na educação, tenta muitas vezes – por pura birra – apenas partir para o confronto em uma tentativa de desmoralizar as lideranças do magistério. E não é culpa de um governo – é uma sucessão de equívocos no tratamento do ensino, que vem de muito longe. Só que um dia a bolha estoura.

No dia seguinte à pesquisa, o jornal Zero Hora foi atrás da melhor escola no Estado. Sabem qual o segredo da Escola Municipal Giuseppe Tonus? A prefeitura de Vista Alegre do Prata investe 25% do orçamento em educação. A escola tem biblioteca, quatro laboratórios, quadra de esportes e os professores, além de bons salários, ainda têm quatro horas remuneradas fora do ambiente escolar para fazer o planejamento das aulas. Não só. Há envolvimento da comunidade com a vida escolar. Pais não ficam ausentes, como em muitos lugares. Alguém certamente vai lembrar que em municípios menores é mais fácil, mas por que os outros não fazem? Além disso, guardadas as proporções, a regra do investimento vale para qualquer cidade, independentemente do tamanho.

Alguns outros detalhes reforçam esta ideia. O principal colégio particular de Porto Alegre, de acordo com outra pesquisa divulgada há pouco, é o que paga os melhores salários aos professores. Entre as escolas públicas líderes estão as militares e os colégios de Aplicação, todos federais – melhores salários e estruturas mais adequadas ao ensino, dentro da característica de cada um (mais rigor na disciplina em um, mais liberalidade no outro). Ou seja: se você for examinar com cuidado os melhores, aqui ou em outros Estados, verá que o padrão de qualidade está sempre vinculado a estrutura e melhores salários. Pior é ouvir e ler os chamados ‘especialistas’ insistirem na tese de que os salários dos professores não têm nada a ver com melhora do ensino. Mas como ter os principais mestres se eles não forem atraídos por bons rendimentos e carreiras bem organizadas?

Há pelo menos 20 anos ouvi uma entrevista inquietante do ex-reitor da Pontifícia Universidade Católica Noberto Rauch, falecido em 2011, homem com larga experiência no ensino. Ao examinar a lista de inscritos para os vestibulares da PUC e por viver o ambiente do magistério, Rauch fez a previsão de que em poucas décadas os cursos de licenciatura começariam a ser fechados – ou desvalorizados – por falta de interessados. Se não há uma perspectiva sólida de carreira por que o jovem mais talentoso vai se interessar?

É evidente que ainda há aqueles que movidos apenas por ideais encaram as dificuldades e seguem em frente, apesar de todo o abandono, e dão dignidade à profissão, mas uma boa educação não pode ficar na dependência apenas desta parcela de mestres dedicados. Ela precisa de uma reconstrução geral, dos mestres aos prédios, das salas aos programas pedagógicos. É algo óbvio – mas é surpreendente como muitas vezes o óbvio não é percebido. Os governos pouco fazem, a população e a própria imprensa só se lembram do magistério em dias de incômodos provocados pelas greves (ou de pesquisas como a atual) e os prefeitos trocam investimento em educação por qualquer trecho com 10 metros de asfalto.

Enquanto as soluções não surgirem, continuaremos vivendo aos trancos – com reações falsamente escandalizadas a cada pesquisa como a desta semana.

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Sobre mariomarcos

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39 respostas para A educação gaúcha é reprovada. Alguém se surpreende?

  1. Zeca Nivete disse:

    MM, moro em Santa Catarina e realmente por aqui o ensino médio é exemplo. Tenho duas filhas que estudam no mesmo colégio estadual que eu estudei. Cada vez as melhorias em infra estrurtura e na capacitação dos profissionais é visível. Seria bom se todos fossem como aqui.

    • ELTON disse:

      Zeca, no Rio Grande do Sul as coisas têm que piorar
      ainda mais. O fundo do poço – se ainda não chegou lá -
      é o destino para a incompetência governamental. Depois,
      humildemente, quando perceberem a vergonha nacional,
      alguém irá na contra-mão dos atuais governos e conseguirá
      reerguer o Rio Grande, considerado, antigamente, o Estado
      da federação mais culto e da educação mais evoluída.

      • fernando vieira disse:

        pois caro elton , creio que já chegamos ao fundo do poço , há um sério problema também , não há dignidade , os professores muitas vezes são vulgares e agressivos , os alunos se humilham e humilham os professores , a escola deixou (se é que algum dia foi) de ser um ambiente em que se poderia ter conforto , aprendizado , enfim , um ambiente salutar e tornou-se um lugar repugnante de agressões , funks e desencanto.
        Eu mesmo vivi isso em algumas escolas , ainda que particulares , foi a melhor coisa do mundo poder ir para um ambiente de cursinho , em que todos queriam aprender, os professores tinham capacidade para ensinar e deixar tudo interessante.
        o buraco é bem mais embaixo , não vai ser só investimento monetário suficiente para mudar um quadro tão grave como esse
        assim como não adianta você construir um prédio novinho e dar para favelados (vide conjunto princesa isabel , na azenha) em pouco tempo ele esterá imundo , cheio de lixo e degradado , pois não há dignidade naquelas pessoas

  2. ELTON disse:

    O Estado do Rio Grande do Sul foi dizimado ao longo dos governos
    de todos os partidos políticos. E não falo apenas da educação. O
    setor primário está em queixas constantes, onde o produtor paga
    para produzir. Neste momento escrevo do estado do Ceará, onde o
    inverno foi seco, inviabilizando a agricultura. Mas essa situação
    independende do governo, a menos que resolvam furar poços em
    todas as propriedades rurais. Aqui o turismo é a mola-mestra da
    economia. Já o Rio Grande do Sul não tem o turismo entre suas
    principais fontes de renda, mas pouco incentivo tem sido deferido
    aos demais setores da economia.
    Quanto a educação tenho que apenas os municípios cumprem com
    a obrigatória aplicação de 25% do orçamento nesse setor. Assim
    também acontece com a saúde. O Estado e a União não aplicam
    sequer metade do que, constitucionalmente deveriam fazer. Nesse
    sentido, portanto, não há surpresa nesses índices na educação.

  3. BAGUAL ,O ORIGINAL disse:

    Prezado Zeca, também moro em SC, mas não é bem assim, pelo menos aqui onde moro (Blumenau) também tenho 2 filhas em escola estadual, e não raras vezes voltam mais cedo por falta de professores.
    Um fato que eu noto hoje em dia, comparando com a época qu eu estudei, parece que os alunos vão ao colégio para namorar, estudar é outro papo, claro, isso vem lá de cima, a disciplina tem que ser uma regra.
    Respeito com os professores não existe mais, no início do ano letivo fazem reuniões apresentam novas diretorias, sempre a mesma ladainha, e no geral vemos que não muda nada.
    Exigem uniformes e regras dos alunos, mas não cobram.
    Isso na verdade é uma bola de neve, vem lá do governo Federal, passa pelo estadual, municipal e acaba refletindo nas escolas.
    Mas realmente deve ser desanimador, se tu não tem um incentivo, condições de desenvolver teu trabalho adequadamente acaba relaxando e o que vemos é a realidade atual.
    Alunos mal preparados que não sabem nem escrever direito.
    Vocês já repararam como esse pessoal mais velho, na faixa dos cinquenta pra cima tem uma letra bonita, mesmo não tendo lá muito estudo?
    Isso era regra na escola, aula de caligrafia, hoje o aluno escreve errado ( erros de português)e os professores nem corrigem.
    SEM UMA ESTRUTURA ADEQUADA NÃO TEM JEITO, É COMO CONSTRUIR UMA CASA SEM FAZER O ALICERCE.

    • ELTON disse:

      Bagual, o alicerce está em casa. Na nossa época de guri,
      geralmente as mães ficavam em casa até os filhos terem
      noções básicas de caráter, dignidade e patriotismo.
      Hoje, as mulheres também trabalham remuneradas e os
      filhos ficaram para os outros educarem e criarem. Aí passam
      o dia no computador, escrevendo pq, vc, gnt, qdo, etc, etc.

      • BAGUAL ,O ORIGINAL disse:

        Não deixas de ter razão, lembro da minha mãe nos ensinando a escrever, tinha uma letra muito linda, fora a tabuada que fazia a gente decorar.
        Era o básico do básico, saber a tabuada e ter uma letra bonita.
        QUEM FAZ ISSO HOJE EM DIA COM OS FILHOS?

      • Alberto disse:

        Em Santa Catarina e no Paraná as mães tbm trabalham fora. O problema não é só esse.

      • ELTON disse:

        Alberto, claro que o problema não é só esse.
        Mas eu continuo entendendo que o alicerce
        para a dignidade e o caráter da pessoa estão
        em casa.

  4. BAGUAL ,O ORIGINAL disse:

    Antes de mais nada parabéns pelo post MM, e não é só educação sucateada não, com os impostos que pagamos era para termos educação, saúde e segurança de primeiro mundo, fora as estradas que além de tudo temos que pagar pedágios. ( um absurdo) estamos tão acostumados que nem nos damos conta disso.

    • ELTON disse:

      Ia parabenizar o Mário Marcos e acabei esquecendo.
      Esse post deveria ser retransmitido aos diversos veículos
      de comunicação. Outros também poderiam ler essa
      retrospectiva malfadada de nossa educação. Parabéns!

    • ELISEU MONTEIRO disse:

      onde eu assino bagual,disseste tudo que penso

  5. Zeca Nivete disse:

    BAGUAL, aqui na cidade onde moro, Anchieta, na pontinha do oeste é assim, a nossa escola aqui é exemplo.Talvez seja porque a cidade é pequena, então seja é mais fácil de ter um controle. Vou citar um exemplo que tu falaste sobre namoros ,etc, em horário escolar. Aqui se um aluno não está na sala de aula e não avisa a direção por qual motivo houve a falta, o diretor no mesmo momento é avisado pelo professor e em seguida é ligado para a casa dos pais pedindo se o filho veio ou não para a escola. Se veio e não está os pais já estão sabendo. Claro que em uma cidade grande como Blumenau é diferente. Mas aqui é assim que funciona, talvez isso ajude.

  6. Marcião disse:

    Faz muito tempo que o Rio Grande não têm governantes a altura.
    Lembro-me que o RS era estado modelo tanto como empregador como na saúde e educação.
    E o pio é que com a Copa do Mundo no Brasil, a tendencia é de esquecerem nesses próximos anos na saúde e na educação.

  7. Marcus disse:

    MM,
    elogiar os teus “posts” alternativos já está ficando chato… :)
    Esta questao da qualidade do ensino poderia ser agregada ao péssimo índice olímpico brasileiro. Uma coisa se liga com a outra. Basta olhar para países que investem na educaçãoe no esporte para ver a diferença com o nosso país.
    Tenho dois filhos que moram em SC. Um deles mora na praia do Rosa e os seus dois filhos (meus netos) estudam em escolas públicas municipais. Nestas escolas a participação dos pais no processo educacional é exigida, algo que faz toda a diferença.
    Ontem a noite conversava com amigos sobre alternativas para o esporte. Uma delas ficou como a “top”: o estado investiria na infraestrutura das escolas (que quisessem) na forma de empréstimo. Por exemplo: uma piscina é construida. A escola tem 10 anos de carência para pagar. Aliado a isso o estado tb investiria em campeonatos municipais, estaduais e nacionais. Cada título que a escola obtiver abate parte da dívida. Se o aluno da escola vai para uma Olimpíada a dívida é abatida. Se o aluno ganhar uma medalha, a escola receberia verbas federais. Ou seja: uma estrutura que premia as escolas que melhor qualificassem seus atletas. Isso poderia criar uma espiral de interesses mútuos. Os melhores potenciais atléticos fariam de tudo para estudar na escola com melhor estrutura e as escolas competiriam para ter os melhores atletas. Nos USA há algo parecido com isso…
    Um ponto ficou em suspenso: uma crítica ao modelo pois ele seria muito “capitalista”. Mas…
    Em que sistema vivemos, mesmo? :)
    abs
    Marcus.

  8. Renan colorado disse:

    Isso é um problema nacional.
    Já é visto que o governo quer que o povo seja ignorante.
    A política nacional é o grande problema e um dia a casa cai. Aí quem sofre é o povo.

  9. Zeca Nivete disse:

    A questão do uniforme aqui é rigorosa, somente um dia por semana o uniforme é dispensado, se o aluno chega sem uniforme, ou vai para casa trocar ou não entra na escola e é escrito na agenda do aluno. Essa agenda os recados são todos alí anotados e os alunos no outro dia tem que mostrar a agenda assinada pelos pais. Aqui funciona.

  10. Rodrigo R. disse:

    Quando vejo pessoas esmagadas como galinhas em metrôs e ônibus eu me pergunto porque aceitam isso. Conversando com elas noto que não gostam da situação mas noto também um conformismo. Reclamam como reclamam da chuva ou do frio, como um incômodo inevitável. A educação,especialmente em nível de ensino fundamental e médio, assim como outros serviços caros menos por seus impostos do que pelo retorno pífio, é fraca por já começar num ambiente de pouca exigência. Os responsáveis pelos serviços, público ou privado, confortáveis, vão aproveitar a pouca exigência do beneficiado para aumentar a margem de lucro, de arrecadação. Aumentam tarifas, mensalidades, impostos, taxas etc – “se colar, qual o problema?”

    Os pais, que frequentemente educam displicentemente seus filhos (conheço gente que paga sem serem ricos quase R$1000,00 de mensalidade em ensino médio de primeira para a filha que mata 70% das aulas “por não estar afim de ir”), deveriam primeiro fazer melhor sua parte e depois cobrar mais das instituições, mas não fazem nem uma coisa nem outra e se acostumaram a esperar que o cursinho pré-vestibular solucione magicamente toda a catástrofe educacional dos seus filhos por mais de uma década. Então não se importam muito, mesmo gastando muito.

    Alguns jovens resolvem seus problemas apenas o suficiente para entrar na universidade. Então apenas transferem seus furos educacionais e de caráter para lá, como os “estudantes” vadios brincando de “rebeldes perseguidos pelo sistema” que promoveram a patética greve dos estudantes na USP no ano passado por, na verdade não confessada, serem impedidos de fumar maconha em paz dentro da Cidade Universitária. Não sei se um dia aqueles vadios tomarão bom rumo na vida, mas o estrago que vem de antes da universidade, provavelmente permanecerá por toda a vida, formados ou não, e prejudicarão outros jovens, talvez os próprios filhos, fechando o ciclo, porque a (má) educação é duradura e “hereditária”.

  11. Pacificador disse:

    Quem iria se preparar, estudando, se atualizando e pensando em novas ideias para aulas, num concurso que paga menos de R$ 700,00 e cobra R$ 120,00 para inscrição? Tem algo muito errado aí!

  12. juliocolbeich disse:

    O Cristóvan Buarque falou que para melhorar a educação pública bastava que os filhos de políticos fossem obrigados a frequentar escolas públicas. Ele estava sendo irônico e foi direto no ponto: Não há interesse por parte dos políticos em melhorar a escola. Quanto mais uma pessoa estuda mais difícil ela é de ser enganada…

  13. Jeferson disse:

    Parabéns, Mario. Ao trazer assuntos políticos para o blog, você o tornou um respiradouro crítico no jornalismo esportivo atual. A infantiloide grenalização que vemos ocorrer em diversos blogs de futebol por aí (e, até mesmo nos comentários do teu blog) parece-me sustentada pelo espaço de irracionalidade deixado por um sistema de ensino incapaz de expôr maneiras de pensar baseadas num humanismo secular, no debate científico, nos conceitos mais básicos das humanidades e das exatas. Como nada disso é transmitido, sobram preconceitos, chavões, lugares comuns e violência contra tudo o que não é o “eu” ou o “nós”.

  14. Prezados!
    Com base no texto acima e demais informações que tratam do assunto, marquem a resposta certa:
    1) É correto afirmar que o estágio de degradação do Ensino Público no RS desceu a este patamar devido:
    a) ao desprezo por parte dos governantes que tem um discurso antes das eleições e após eleitos, praticam uma gestão voltada para o interesse de seus pares, que exclui entre outras prioridades de campanha, a educação
    b) a indiferença da sociedade, porque prescindem do ensino público ou por completa alienação daqueles que se utilizam dele
    c) a “instabilidade” crítica da imprensa que é mais contundente, amena ou até, omissa na crítica aos desgovernos, conforme a sua “coloração” partidária, vide o recente caso do ex-ministro da justiça, atual governador do estado no descumprimento do piso salarial, cometendo crime
    d) a má formação de profissionais de ensino, que “abraçam” a carreira do magistério, sem o perfil adequado, decorrente do ingresso facilitado devido a baixa concorrência nas vagas do 3º grau
    e) Todas as alternativas anteriores estão corretas
    2) Apontem soluções para enfrentamento do atual quadro da Educação no RS, visando a melhoria do ensino público:
    Minha opinião: Para sairmos o mais rápido possível desta incômoda situação; uma solução radical e legal: Aplicação de 25% de recursos das três esferas em todos os segmentos que compõem a Educação, sob pena de impedimento de exercício do cargo. Não cumpriu, afastamento imediato, sem maiores discussões. Terão de ser competentes e bons gestores por obrigação.

  15. waterloo2009 disse:

    pensei que as cotas resolvessem isso….

    • Jeferson disse:

      As cotas lidam com o problema do acesso à universidade. A melhoria do ensino público é outra demanda, ainda mais importante. Mas é óbvio que você é incapaz de entender isso.

    • mariomarcos disse:

      Na Universidade Federal do Rio e na USP, o rendimento dos cotistas é superior ao dos alunos que entraram pelo esquema de sempre. Só para te informar. Outra informação indispensável é a seguinte: as cotas, como falas, não têm nada a ver com esta pesquisa. Estes dados se referem apenas ao ensino fundamental e ao médio.

  16. Hugo disse:

    Não sei se estou sendo exigente demais, mas essa história da educação gaúcha ser a melhor do país, ao menos para mim, deixou de ser verdade ainda nos anos 80, por isso não entendo muito bem quais seriam as novidades embutidas em tal manchete.

    O Julinho como colégio público de excelência deixou de existir pós-1964, não sei, talvez como represália dos governantes de desde então, pelo fato da instituição ostentar o engajamento político como sua tradicional característica.

    O Parobé não ser um colégio técnico de ponta, não é novidade.

    E nesses ranqueamentos publicados anualmente sobre o ensino médio de uns anos para cá, nunca vimos citados os nossos tradicionais colégios (os da capital, pelo menos), sejam eles públicos ou privados como o Farroupilha, o Anchieta, o Bom Conselho, etc. Colégio Militar e Instituto de Educação não valem, pois são federais, como citado acima.

    Isto que essa deficiência é “interna”, do RS, mas em se tratando de Brasil, não é muito diferente a situação do país quando comparado com o restante dos países (no PISA/OECD, o Brasil tradicionalmente ocupa as últimas posições, tá ali sempre chafurdando em torno do 50º lugar entre sessenta e poucos países que participam destas provas do PISA.)

  17. João Luz disse:

    Mario,
    Ia escrever alguma coisa, mais de repente achei que levar o recado do seu texto a um número maior de pessoas estaria sendo mais útil, dai ter compartilhado no Face com a chamada de TUDO DITO.
    abç

  18. Guto Bender disse:

    Estive, dia desses, em um evento aqui em São Leopoldo sobre Educação. Na cidade, agora em outubro, por um acordo que foi feito entre Prefeitura e professores municipais, o piso baterá em R$ 2.800,00, para professores com Licenciatura. Está ruim? Não está péssimo mas, convenhamos, está longe de ser bom, se consideramos que qualquer AS.PO.NE. que tem como maior referência profissional ser um bom carregador de bandeira e distribuidor de santinho ganha isso. Se, além de saber carregar bandeira e distribuir santinho o sujeito ainda tem algum histórico de “líder social”, vira Diretor de Secretaria ganhando por volta de quatro a cinco mil.

    É lógico que a calamidade não passa apenas pelos salários dos professores. Mas esse é o principal indicativo da falta de preocupação com a Educação. E, SIM!, é desinteresse em melhorá-la e capacitar o povo a pensar.

    Construam a escola mais moderna do mundo, com 57 laboratórios profissionalizantes, 89 bibliotecas, 43 laboratórios de informática com acesso a internet de 100 gigaterakilobites, sem professores e atirem os alunos lá para dentro. Depois construam um barraco de madeira embaixo de uma árvore, com chão de terra batida e telhado de palha, com cadeiras e mesas caindo aos pedaços e coloquem lá dentro professores muito bem remunerados e incentivados.

    Se as opções forem essas, vagas para os meus filhos na segunda, por favor…

    • mariomarcos disse:

      A propósito, Guto, para reforçar tua informação: há pouco, uma das universidades americanas fez uma pesquisa e provou que se houver professores valorizados e motivados, os alunos têm rendimento acima da média mesmo que a infraestrutura da escola seja ruim.

  19. Colorado disse:

    Ensino, Saúde, Estradas, Hospitais, Transporte coletivo, ….
    Mas impostos, cada vez pagamos mais e mais e mais. O impostômetro mostra que a arrecadação é diariamente superada os períodos anteriores.
    A verdade é que temos uma grande caixa preta, administrada por uma gente medíocre, corrupta e incompetente.

  20. Campeão do Mundo-FIFA disse:

    O Gaúcho sempre foi muito orgulhoso de seu estado em todos os setores, da economia a educação. Antes de conhecer outros estados do país, foi colocado em minha mente desde de criança que o Rio Grande do Sul era o melhor estado do Brasil, fui iludido durante 52 anos, só conseguimos enchergar as mazelas do Rio Grande, quando se sai do estado e passa a conhecer lugares melhores e mais prósperos, provavelmente serei criticado por aqueles mais apaixonados e que não conseguem enchergar além do Rio Uruguai . Sempre ouvi dizer que o RS é o mais politizado, que alimenta o nordestino que é um povo preguiçoso, que gaucho é um povo trabalhador. Pois bem, pelas minhas andanças pelo país e por tudo que vi, cheguei a conclusão de que o Rio Grande do Sul não é diferente dos outros estados da nação, aqui existe o preguiçoso, o picareta, a pobreza, miséria, roubalheira no meio politico, o comerciante querendo te ludribriar o acougueiro que fica com teu troco, o Advogado que te dá golpe, o médico que mata um ente querido e fica por isso mesmo, uma empresa de energia que ludibria seu cliente, em suma aqui todo mundo engana todo mundo, assim como em todo o Brasil, e nas escolas o governo finge que paga e os professores fingem que ensinam, e o que mais me deixa decepcionado é que esses mesmos gaúchos que dizem amar seu torrão, no dia 20 de Setembro aniversário da “revolução farroupilha” irão diante do pavilhão riograndese com a mão no coração cantar o hino do rio grande. E a mídia fazendo a cabeça das pessoas com slongans tipo “ORGULHO DE SER GAÚCHO”.

  21. Guto disse:

    Um exemplo de que cursos de licenciatura nas Universidades estão perdendo força é que tive de esperar 3 anos para finalmente fazer vestibular para Letras em Inglês aqui em Santo Ângelo (interior do estado).

    E só estou fazendo isso pq sou tenente reformado remunerado pelo Exército e posso me dar ao luxo de ganhar um pouco menos em um emprego, pq senão estaria fazendo Direito, Administração, alguma Engenharia… dai estudaria alguns anos para concursos públicos ou procuraria vaga em empresas.que pagam bem.

    Meus pais eram professores estaduais (agora estão aposentados) e desde que me lembro gente ouvia eles reclamando “As coisas só tendem piorar”; eles tinham razão.

  22. Kiko Marques disse:

    Sou gaúcho e moro em Recife há quatro anos. Vim para cá por questões profissionais. Ou seja: todos sabem que hoje o nordeste, e principalmente Pernambuco, é a locomotiva econômica do Brasil. Posto este que já foi ocupado pelos estados do sul e sudeste (o RS entre eles.). Pois bem, este lugar o RS já perdeu. Hoje alguns sulistas ainda conseguem emprego no nordeste por conta da mão-de-obra qualificada que ainda falta por aqui. Mas o governo local, ciente e preocupado com isso, já vem investindo muito na educação. No começo de agosto cerca de vinte e quatro estudantes de ensino médio, jovens de entre 15 e 18 anos de idade, embarcaram para realizar intercambio nos EUA e Canadá através de um programa do governo do estado de Pernambuco. Até o final do ano outros jovens estarão embarcando para o Chile e Espanha. O sul e sudeste precisam parar de olhar para o nordeste como terra de coitadinhos analfabetos e ter a humildade de reconhecer que hoje aqui está o exemplo para o resto do país. Claro que ainda há muito a ser feito por aqui. Até por que foram séculos de atraso. O caminho é longo, mas o que eu noto e admiro é que eles sabem disso e o caminho está sendo trilhado. O Colégio Aplicação, da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) que ocupa o topo da lista, fica próximo da minha casa. Aqui em PE se consegue um curso superior por mensalidades de R$ 325,00. Os campus são instalações simples, sem luxo. Isso com certeza tem influência sobre o preço que estudante paga.

  23. Thiago disse:

    Além da histórica falta de visão e do desleixo dos governantes com a educação ao longo das décadas, no RS os mesmos além de incompetentes, se escoram na falta de recursos decorrente do pagamento da dívida com a União Federal.

    Devido a uma péssima e danosa negociação para o RS, o Estado tem comprometido 13% do seu orçamento para o pagamento da dívida junto à União Federal, sendo que a dívida que era de R$ 10 bilhões na época em que foi renegociada (final da década de 1990), hoje, mesmo com os pagamentos, a dívida saltou para R$ 40 bilhões. Projeta-se que, se nada for mudado até 2028, fim do prazo para pagamento da dívida, o valor chegará a cerca de R$ 80 bilhões. Hoje, os recursos repassados à União pelo Estado mal dão para pagar os juros da dívida.

    Esse comprometimento já retirou e ainda retira qualquer capacidade de investimento dos Governos, seja ele quem e de qual partido for, pois lá na década de 1990, quando foram renegociada as dívidas, o governante da época pensou somente no seu governo e em agradar o governo federal de então ao comprometer um percentual absurdo e uma forma de atualização da dívida danosa ao Estado, que já havia perdido muitos recursos com o advento da Lei Kandir, por ser um Estado exportador.

    Por isso, os investimentos do Estado na educação e em todas as demais áreas, como saúde, segurança, infraestrutura e captação de novas empresas ou mantê-las, etc, foram minguando a cada ano, chegando na forma dramática em que estamos presenciando, já que o Estado não tem dinheiro para investir, necessitando do Governo Federal para haja investimentos no Estado, ou seja, fica na mão da União, completamente engessado e numa submissão constrangedora, fulminando, com isso, com o princípio federativo, passando para o Governo Federal a centralização de todas as ações.

    Já que a renegociação da dívida não interessa à União, por motivos óbvios, penso que enquanto um governante gaúcho não tiver visão e coragem de discutir a onerosidade absurdamente excessiva dessa renegociação da dívida junto ao STF, a situação não vai mudar na educação, saúde, emprego, infraestrutura, saúde, previdência, etc, mas sim piorar, pois cada vez mais o RS é menos competitivo, tanto que perde empresas de grande porte para qualquer Estado, além de ter perdido várias empresas que estavam instaladas aqui e que foram para a Argentina.

    Não adianta quaisquer agentes políticos desse Estado chorarem a falta de recursos se são omissos em atacar o problema, já que têm todos os meios jurídicos necessários para tanto, preocupando-se apenas na questão política, ideológica e partidária, ou seja, em prejudicar a gestão de um que é de partido ou aliança contrária quando se está na oposição, e reclamar da mesma prática quando se está no governo.

    Falta união e pensamento exclusivo no bem comum do Estado e do seu povo!!!!!!

  24. Marcelo Rg disse:

    São varios passos a serem dados para atingir um nível de excelencia no ensino de nossos jovens,e penso que os dois primeiros são…1- Escolas com bibliotecas de verdade,salas de pesquisas,laboratórios etc,dotar as escolas de equipamentos modernos. 2- Melhores salários para quem trabalha no ambiente escolar,sejam os professores,os administrativos ets…todos devem ter vencimentos dignos para devolverem um trabalho de qualidade para a comunidade escolar.Se nosso Estado comecar a investir agora,colheremos os frutos em no mínimo 10 anos,e este é um problema,pois quem fizer os investimentos,não colherá os frutos em seu governo…esta mentalidade dos governantes é pequena,mas é assim.

  25. Edson disse:

    Observando os números do ideb vejo que não só o RS está mal, mas todos os Estados da federação. Algum Estado pode ficar à frente do outro por 0,7 ou 0,5, mas isso pouco importa. Todos estão mal. Me aprece equivocado o enfoque dado pelo grupo RBS (de ataque sistemático aos professores) colocando o nível da educação do RS como entre os piores. Na verdade não estamos muito longe dos melhores nem dos piores, ou seja, o sistema educacional no país é falho, é fraco, é deficiente. A falta de investimento pode ser apontada como o principal motivo para essa situação, mas no meu entender o problema maior está dentro de casa. Em casa falta cobrança, falta comprometimento, falta acima de tudo responsabilidade.

    • Kiko Marques disse:

      Concodo contigo Edson. Estava ouvindo uma entrevista com uma educadora na rádio RBC (não peguei o nome dela), mas ela afirmava exatamente isso: quando se trata de uma avaliação mundial, nossas melhores escolas ficam muito longe dos primeiros lugares. Ou seja, o ensino no Brasil é precário. Ser a melhor escola do Brasil é apenas ser a melhor entre as piores.

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