Aproveite que o escândalo de Watergate, que acabou provocando a destituição de Richard Nixon, está fazendo 40 anos para assistir a um excepcional filme chamado Todos os Homens do Presidente (Alan J. Pakula). Dustin Hoffman e Robert Redford, ainda jovens, são no filme os repórteres do jornal The Washington Post, Carl Bernstein e Bob Woodward, que desvendaram uma rede de escândalos e corrupção no governo e acabaram provocando a renúncia de Nixon.
É uma aula de jornalismo – cativante até para quem nunca passou perto de uma Redação. Bernstein e Woodward montam as reportagens com informações na maior parte das vezes conseguidas com fontes anônimas, com um informante secreto que passava ou confirmava dados em uma garagem ou através de ligações telefônicas. Tudo isso com apoio de um diretor de redação corajoso e talentoso chamado Ben Braddley.
É daqueles clássicos imperdíveis.
Assista ao trailer de Todos os Homens do Presidente:



Escândalos em governos sempre existiram, a diferença é que nos dias atuais a imprensa revela para a população.
A grande diferença está na cultura dos povos. Certos escândalos que ocorrem/ocorreram no Brasil jamais seriam esquecidos ou tolerados em outros países. Questão de cultura. Aqui é a terra do “jeitinho”, onde passar o outro para trás é normal. Furar a fila é normal. Achado não é roubado é normal. Colar na escola é normal. Roubar “pequenas coisas” é normal. Infelizmente a corrupção está entranhada na nossa cultura, e isso não muda de uma hora para outra, talvez de uma geração para outra, na melhor das situações. A culpa não é dos políticos, afinal, os políticos somos nós. Aqui este escândalo no máximo seria capa da Veja (isso se fosse um político do PT, se fosse do PSDB nem isso).
Há um pensador que diz que TODAS as notícias que saem na mídia são mentirosas. Ou no mínimo, parciais.
Este filme foi um dos marcos da minha geração e era utilizado para mostrar qual a imprensa que gostar[iamos de ter no Brasil.
Hoje, passados 40 anos percebo que a liberdade de imprensa é um manto falacioso a acobertar um jogo de interesses que sempre existiu. A linha editorial é clara, para quem souber ler nas entrelinhas.
E eu me vejo, depois de 40 anos observando o que se passa entre o fato e a notícia, concordando com o pensador…
E isso é simples de verificar. Basta ler uma notícia de um evento em que o leitor foi protagonista ou participou de alguma forma.
Além do filtro do jornalista/reporter há o filtro da linha editorial do seu veículo de “informação”. Ou seja, o fato passa a ser um factóide, como num passe de mágica. E um filme como esse (maravilhoso) passa a ser uma meta a ser alcançada…
abs
Marcus
Em conversas com estudantes e até nas reuniões dos tempos de redação, sempre usei este filme como exemplo de como deve ser o jornalismo. A busca dos repórteres, a confiança total dos editores no que os repórteres traziam (eles apenas faziam observações para correção de rumo), a aposta em fontes que hoje, em qualquer redação, seriam menosprezadas, e principalmente a consciência dos donos de que o trabalho tem de ser feito pelos profissionais. Há um momento em que um dos envolvidos diz que se a notícia saísse, ele penduraria Kathie (a dona do jornal) pelas tetas. O diretor ouve aquilo, pergunta se ele falou isso mesmo e diz: “publica”. Para um jornalista, não há momento mais glorioso do que este.
Baita filme.
O que aquela dupla não faria em tempos de mensalão…
Ou de privatização…
Grande MM, tudo bem? Só para provocar: a tal da dupla aquela não sei o que faria em tempos do mensalão, ou de privatização, até porque a dupla logo se desfez, por desentendimento, algo nesse sentido, por aí. O que sei é o que diriam, sobre mensalão e privatização, respectivamente, nossos “comandantes”: “Mas, eu não sabia de nada!!!”
Bem ao contrário do Nixon, que, até por não ter mais como escapar da bronca, assumiu, tratou de buscar com o STF deles lá um acordo que não o mandasse pras grades e sumiu da telinha…
Saudações tricolores
MM!
Nem me preocupei em ver o trailer do post. Tenho em devedê, assisti à época ou pouco depois. Vi umas 8 vezes. Ando lendo jornais dos anos 70 para recuperar algumas jornadas do Tricolor no tempo das vacas magras e paralelamente, vejo o que estava passando naquele período; olha! é muito relevante: Por exemplo em julho de1976 estava em cartaz Tommy, a ópera rock no ABC; Estranho no Ninho no Baltimore, Scala e Astor, Alice Não mora mais aqui, no Bristol, A Volta da Pantera Cor de Rosa no Cacique e Coral. Sabe o que estava passando no Carlos Gomes? Não, não era sessão dupla de pornôs; era Banzé no Oeste do Mel Brooks.
Ótimo resgate esse teu. Excepcional dica.